Rooftop e 3 andares: obras em píer geram críticas sobre impactos no meio ambiente
Intervenções enfrentam questionamentos de ativistas e do IAB sobre o uso do espaço público, gestão de resíduos, alterações na paisagem e falta de debate com a comunidade
Notícia
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Publicado às 19:42, 29/10/2026
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Resumo
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Com 57% das obras concluídas e entrega prevista para novembro de 2027, o Píer Ideal terá três andares, rooftop, dez lojas e três restaurantes, ocupando 80% do espigão da Rui Barbosa.
Ativistas do Coletivo Nossa Iracema manifestam preocupação com a gestão de efluentes, infraestrutura de banheiros, resracas marítimas e descaracterização da paisagem.
O IAB-CE emitiu parecer técnico com ressalvas e absteve-se na CPPD por falta de documentos detalhados sobre o projeto e ausência de debates com a comunidade.
A Seinf afirma que a obra cumpre o contrato aprovado por órgãos ambientais e o Consórcio SPE Pier Beira Mar informou que se pronunciará na segunda quinzena de novembro.
As obras do Píer Ideal, no espigão da avenida Rui Barbosa, na Beira-Mar de Fortaleza, têm gerado questionamentos sobre o uso do espaço público e os impactos na paisagem e no meio ambiente. As intervenções estão com 57% de execução e têm término previsto para novembro de 2027.
O projeto prevê uma estrutura de três andares — incluindo um rooftop na ponta do molhe —, além de cerca de dez lojas, quiosques e três restaurantes, ocupando aproximadamente 80% da área do espigão original.
A construção é executada pelo Consórcio SPE Pier Beira Mar SA, formado pelos grupos Beach Park e Social Clube, por meio de uma concessão de 16 anos firmada com a Prefeitura de Fortaleza — que também inclui o píer do Náutico, arrematado no mesmo certame.
O empreendimento do Píer Ideal é gerido pelo Grupo Social Clube e conta com investimento de R$ 30 milhões. Já o espigão do Náutico, na Avenida Desembargador Moreira, é administrado pelo Grupo Beach Park.
Críticas e Impactos Sociais
Para André Comaru, ativista e cofundador do Coletivo Nossa Iracema, o empreendimento gera forte apreensão em relação à gestão dos resíduos sólidos e efluentes gerados no local, à estrutura sanitária e à exposição do equipamento a ressacas marítimas.
Uma das principais queixas envolve o manejo de resíduos, os efluentes, a estrutura de banheiros e a exposição do local a ressacas marítimas.
“Estamos em conversa para possíveis instalações de ecobarreiras, utilizando a força adicional do empreendimento para fazer uma pressão na Prefeitura de Fortaleza em relação ao esgoto”, afirma.
Para o ativista, o espaço público integra a memória afetiva da população e não exige consumo comercial para ser desfrutado.
“Estamos falando de um espaço público que faz parte da vida da memória de muita gente. Um lugar para caminhar, sentar, relaxar, contemplar o pôr do sol, observar os golfinhos, pescar, simplesmente estar perto do mar”, explica André.
Outra preocupação do ativista é a dimensão da construção prevista para a ponta do espigão. Ele afirma que os empreendimentos previstos para o local podem alterar significativamente a paisagem.
“Será que precisamos de uma intervenção dessa escala em um lugar tão visível?” questiona Comaru.
Em entrevista a Rádio O POVO CBN, a arquiteta Regina Costa, do Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento Ceará (IAB-CE), destaca que a entidade só participou das discussões quando o projeto deu entrada na Comissão Permanente do Plano Diretor (CPPD).
Segundo a especialista, o IAB-CE emitiu parecer técnico com ressalvas e absteve-se da votação formal sob a justificativa de ter recebido documentação incompleta.
"Não havia detalhes do projeto para sabermos qual a solução teria sido dada ou terá sido escolhida. Não tivemos conhecimento disso. Eu acho que porque se tratando de um instituto de arquitetos e urbanistas, talvez não fosse necessário a Prefeitura, que foi quem convocou a reunião, mandar todos esses documentos", afirma.
Enquadrado como equipamento de cultura e lazer, o empreendimento foi classificado como "projeto especial". De acordo com o IAB-CE, tanto o Plano Diretor quanto a Lei de Uso e Ocupação do Solo exigem escuta popular para projetos dessa categoria, o que não teria ocorrido formalmente com a comunidade.
O que diz a Seinf
Em nota, a Secretaria da Infraestrutura (Seinf) informou que a obra no espigão “estão de acordo com o projeto apresentado e aprovado pelos órgãos federais, estaduais e municipais”.
Ciro Ribeiro, representante e sócio do Grupo Social Clube, informou que a empresa se pronunciará com informações sobre o empreendimento apenas na segunda quinzena de novembro.
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