Fortaleza capacita 100 agentes para enfrentar riscos do calor extremo
Formação reúne profissionais da Saúde e da Defesa Civil e integra preparação municipal para os efeitos do El Niño e das mudanças climáticas
Por Ana Beatriz Casseb, Giulia Araújo
Notícia
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Atualizado às 21:32, 29/10/2026 | Publicado às 21:32, 29/10/2026
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Resumo
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Fortaleza capacitou 100 agentes da Saúde e da Defesa Civil para enfrentar riscos associados ao calor extremo;
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Formação integra a preparação municipal para os efeitos do El Niño e das mudanças climáticas;
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Protocolo prevê cinco níveis de risco e medidas de proteção à população;
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Estratégia inclui monitoramento meteorológico e articulação entre poder público, pesquisadores e comunidades.
Fortaleza capacitou 100 agentes da Saúde e da Defesa Civil, nesta quinta-feira, 29, para fortalecer a preparação do Município diante dos riscos associados ao calor extremo e aos efeitos do El Niño. A formação ocorreu no auditório da Secretaria Municipal da Segurança Cidadã (Sesec), no bairro Parquelândia, e reuniu 40 profissionais da Defesa Civil e 60 da Saúde.
A atividade integra a construção do Protocolo de Calor e Saúde de Fortaleza e busca fortalecer o Comitê de Operações de Emergência para o El Niño (COE El Niño). A primeira turma recebeu orientações sobre o fenômeno climático, seus possíveis impactos e a atuação conjunta entre órgãos públicos, pesquisadores e comunidades.
Preparação para eventos extremos
Um dos palestrantes foi o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), físico com doutorado em ciências atmosféricas e pesquisador de clima e mudanças climáticas há mais de 20 anos.
Segundo o professor, eventos extremos de calor, precipitações concentradas e secas têm se tornado mais frequentes e intensos. Para ele, a formação dos profissionais deve contribuir tanto para o enfrentamento imediato dos efeitos do El Niño quanto para a preparação da sociedade diante das mudanças climáticas.
“Preparar a sociedade para lidar com as consequências da mudança climática, ao mesmo tempo que a gente ataca as causas, é tarefa fundamental da academia”, afirmou.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, capaz de alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões. No Nordeste brasileiro, o fenômeno pode contribuir para a redução das chuvas e a ocorrência de estiagens. Os efeitos, porém, variam conforme a região e o período, e a preparação também precisa considerar outros eventos extremos.
Protocolo prevê ações de proteção à saúde
A construção do Protocolo de Calor e Saúde reúne diferentes setores da Prefeitura de Fortaleza, sob coordenação técnica do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan), da Defesa Civil e da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
“Nosso objetivo principal é reduzir as mortes e as comorbidades relacionadas ao calor extremo na cidade de Fortaleza”, afirma Dalila Menezes, diretora de Sistemas de Informação do Ipplan.
A construção do projeto envolve 32 órgãos municipais e pesquisadores de diferentes instituições, sob coordenação técnica do Ipplan, da Defesa Civil e da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
O protocolo prevê cinco níveis de risco: monitoramento, preparação, atenção, mobilização e resposta ampliada, para orientar as ações do Município conforme as condições identificadas. Entre as medidas previstas estão o reforço dos serviços de saúde, a criação de pontos de hidratação e espaços de proteção contra o calor e ações voltadas a trabalhadores expostos a altas temperaturas e a grupos mais vulneráveis.
Monitoramento e participação comunitária
A estratégia inclui o Observatório de Riscos Climáticos de Fortaleza, plataforma pública que reúne informações meteorológicas para subsidiar o planejamento e as decisões do poder público.
Durante a apresentação do projeto, Dalila informou que o Município contava com 11 estações meteorológicas em funcionamento. A previsão apresentada era instalar outras nove entre 16 e 20 de novembro de 2026, chegando a 20 equipamentos, com cobertura estimada de 69,21% do território municipal. Para 2027, estava prevista a instalação de mais dez estações.
Além do monitoramento, a iniciativa prevê o diálogo com comunidades mais expostas aos riscos climáticos, para considerar as particularidades de cada território na elaboração das estratégias de prevenção.
Para Francisco Elineudo Maia Pinheiro, agente da Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil (COPDC), a troca entre profissionais que atuam nas comunidades e pesquisadores pode contribuir para esse processo.
“É entender como a comunidade funciona, respeitando a cultura da comunidade, respeitando o seu nicho social, e levar isso, por outro lado, para a área também acadêmica”, afirmou.
Ações municipais para o El Niño
A capacitação faz parte de um conjunto de medidas anunciado pela Prefeitura para prevenir e reduzir os impactos do El Niño. Entre as iniciativas estão a estruturação do COE El Niño e do Plano de Contingência (Plancon El Niño), voltado à prevenção, preparação e resposta a ocorrências como calor intenso, estiagem, chuvas fortes e alagamentos.
Em divulgação anterior, a Defesa Civil municipal apontou o período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 como uma possível fase crítica dos efeitos do fenômeno em Fortaleza.
A Prefeitura também informou que trabalha na institucionalização do Protocolo de Calor e Saúde. A formação desta quinta-feira marcou a capacitação da primeira turma de profissionais no âmbito da iniciativa.
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