Vorcaro admite acordo com BRB, mas nega venda de crédito podre
Brasília - Daniel Vorcaro admitiu que o Banco Master fez um acordo comercial com o Banco de Brasília (BRB), mas negou que a operação envolvendo carteiras de crédito atribuídas à Tirreno tenha sido concluída. Em depoimento à Polícia Federal em 15 de outubro, o empresário afirmou que os créditos foram substituídos por outros ativos e que o dinheiro foi devolvido.
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“A gente fez um acordo comercial. Sim”, respondeu Vorcaro ao ser questionado sobre a negociação. Em outro momento, sustentou que a transação não havia sido realizada. A versão foi contestada pelos investigadores, que apresentaram mensagens, contratos e registros que, segundo eles, indicariam que as carteiras foram incorporadas ao sistema do Master e cedidas ao BRB.
A investigação apura suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master ao banco público. Segundo a Polícia Federal, as operações somaram R$ 17,5 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. A PF apontou que R$ 12,2 bilhões correspondiam a créditos problemáticos ou sem comprovação adequada de existência.
Delegada confronta Vorcaro com registros da operação
Durante o depoimento, a delegada questionou a versão de Vorcaro sobre a negociação das carteiras. Ela afirmou que as mensagens e os documentos reunidos na investigação indicavam que os créditos haviam sido apresentados ao BRB como carteiras de crédito e que a operação estava documentada.
Em um dos trechos, a interlocutora afirma que a documentação já demonstrava que as carteiras relacionadas à Tirreno haviam sido vendidas como créditos. Vorcaro contestou a afirmação e questionou a interpretação dos investigadores sobre as mensagens e os contratos.
A delegada também perguntou sobre a incorporação das carteiras ao sistema do Master, os procedimentos de avaliação, os registros na B3 e a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). Segundo a investigação, créditos sem comprovação adequada teriam sido registrados e negociados com o BRB.
Vorcaro afirmou que não acompanhava os detalhes operacionais das carteiras. Disse que, quando soube de problemas na documentação, acionou advogados e funcionários para resolver a situação. Negou ter conhecimento de que os créditos fossem irregulares e afirmou que os procedimentos de avaliação haviam sido realizados.
Os investigadores também citaram uma mensagem atribuída a um diretor que alertava para o volume das operações. Segundo a leitura apresentada durante a oitiva, Vorcaro teria respondido: “Não, vamos mandar todos”. O empresário negou que soubesse de problemas nos créditos.
A PF questionou ainda a origem das bases de dados usadas nas carteiras e mencionou a participação de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O empresário afirmou que pediu a Lima que trouxesse carteiras de terceiros para avaliar sua origem e composição. Em conversas de dezembro de 2024 citadas pelos investigadores, Vorcaro teria perguntado sobre uma carteira ligada a uma associação, e Lima respondeu que estava tudo pronto.
Ao defender sua versão, Vorcaro afirmou que não havia mensagem ou documento que demonstrasse que ele recebeu uma carteira falsa e a colocou no BRB. Também pediu o arquivamento da investigação e disse que a operação não causou prejuízo ao banco público nem ao Master.
A Polícia Federal indiciou Vorcaro e outras 13 pessoas no caso. O empresário negou as acusações. O Banco Central liquidou o Banco Master em 18 de novembro de 2025.
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