POLÍCIA Após denúncia de estupro, jovem vira alvo de ataques na Bahia
A família de uma jovem, de 19 anos, moradora de Rio Real, no norte da Bahia, vem tentando provar que ela foi estuprada pelo chefe, um empresário, de 46 anos, que está preso desde o dia 17 de outubro. A garota era funcionária do homem.
Embora Adeilson Bomfim Barros e Silva permaneça detido por força de um mandado de prisão preventiva, a mãe da jovem, a recepcionista Jucineide Silva Araújo, 38, afirma que o caso está longe de ser resolvido, já que a filha vem sofrendo retaliação na cidade.
Tudo sobre Polícia em primeira mão!Segundo ela, o fato piorou após a divulgação de um vídeo em que a suposta vítima aparece em uma situação amistosa com o empresário e saindo da empresa com ele, durante o turno de trabalho. O registro teria sido feito no mesmo dia em que o crime foi noticiado no Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM) de Rio Real. A imagem foi publicada nas redes sociais e segue sendo compartilhada.
O crime teria ocorrido no dia 9 deste mês, nas dependências da empresa de Adeilson, a GM Solution, onde a jovem trabalhava desde abril como consultora de venda. Além dos registros feitos pelas câmeras de segurança da própria empresa, imagens de outro estabelecimento comercial, onde suspeito e a jovem teriam ido, na manhã do dia do fato, também está sendo compartilhada.
"Hoje, mesmo, a gente foi na delegacia, prestou queixa novamente. Porque estão repostando o vídeo e difamando ela [vítimas]. Na verdade, estão acabando com ela. Não posso falar sobre o vídeo", explicou Jucineide.
O que conta a mãe
Em conversa com o A TARDE, Jucineide contou que a filha recebeu uma proposta de emprego por parte de Adeilson por meio de uma rede social. "Ele mandou convite no Instagram, ela aceitou e ele falou que tinha uma proposta de emprego pra ela. E aí foi onde ela começou a trabalhar. Tinha cinco meses que ela estava trabalhando nessa empresa”, lembrou a senhora.
Ela relembra que, no dia do fato, recebeu uma ligação do namorado da filha pedindo que ela fosse até a empresa porque havia acontecido alguma coisa com a jovem.
"O namorado da minha menina me ligou. Aí falou assim: ‘olhe, vá no trabalho de Renata* [nome fictício], está acontecendo algo muito estranho, ela me ligou desesperada e me chamou’. Larguei meu emprego e fui até o emprego dela. Quando eu cheguei lá, estava fechado”, contou.

“Bati, bati, bati na porta, ninguém me atendeu. Quando eu olhei na frente, procurei a moto dela e não estava. Ela foi pra casa. Quando cheguei em casa, ela me contou que ele tinha abusado dela”, completou.
Após a situação, mãe e filha foram à Neam registrar ocorrência. Na delegacia, elas foram encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Depois foram orientadas a ir ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) em Alagoinhas para fazer exame de corpo de delito.
Investigação segue em curso
A delegada Débora Ferro, titular da Neam, apura o crime. Ao A TARDE, ela explicou que o caso segue sob investigação e, inclusive, aguarda a análise do vídeo que está sendo compartilhado nas redes. O material já foi juntado aos autos do inquérito policial.
"Quer revitimizar mais ainda a vítima. Ser mulher não é fácil", afirmou a delegada ao ser questionada sobre o teor do vídeo.
Ainda de acordo com Ferro, além do estupro, o empresário é investigado também pelo crime de importunação sexual contra outra funcionária.
“Tem mais uma outra [funcionária] também que foi vítima. Por enquanto, só essas duas. Possivelmente tem mais vítimas. Mas o pessoal também tem medo, vergonha de denunciar e não compareceu ainda”, avaliou a delegada, ao revelar que encaminhou relatório ao Ministério Público do Estado (MP/ BA) e aguarda denúncia.
Nesta quinta-feira, 29, Adeilson foi encaminhado ao Conjunto Penal de Feira de Santana (CPFS), após seu defensor, Ricardo Almeida, ter negado o pedido de revogação da prisão preventiva.
Outra acusação
A jovem Luiza Oliveira, de 20 anos, acusa o empresário de importunação sexual. Sem temer represália, ela procurou a polícia para denunciar o fato após saber o que tinha acontecido com a outra funcionária. Ela trabalho com o homem por 15 dias.
"Inicialmente, ele entrou em contato comigo para a gente fazer entrevista de emprego. No início, eu estranhei um pouco porque ele falava mais sobre a vida dele do que do trabalho em si. No terceiro dia de treinamento, no dia que aconteceu o ocorrido, ele me pediu um
"Ele viu que eu não ia me levantar, então me puxou pelo meu braço e começou a me alisar, me apalpar, me beijar no pescoço, tentou beijar meus seios, colocar a mão dentro da minha calça, tentou introduzir a mão na frente. Nessa hora, eu tenho um alarme que é programado todo dia para o mesmo horário, que é o horário que eu tomo meu remédio, tocou, ele se assustou e me soltou. Peguei minhas coisas e fui embora”, relembrou a moça.
Outra ex-funcionária de Adeilson, Marta Reis, também conversou com o A TARDE. Ele revelou que, embora não tenha sido vítima de nenhum crime sexual, está sofrendo represália na cidade e nas redes sociais pelo simples fato de ter apoiado as colega colega, com quem trabalhou por dois meses.
"O próprio Adeilson disseminou que eu estou por trás de tudo isso. Nesse caso, não sou vítima do fato, nem de tentativa. Entro na história por ser amiga dela [Renata*]. Quem me conhece sabe que sempre levanto causas feministas e não me calaria, acontecendo do meu lado", afirmou ela, revelando que também já registrou ocorrência na delegacia.
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O que diz a defesa de Adeilson
Por meio de nota, o advogado Ricardo Almeida afirmou que, por se tratar de um procedimento que tramita sob segredo de Justiça, não irá se manifestar sobre as acusações. Ele ressaltou ainda que seu cliente está preso inocentemente em decorrência de uma falsa acusação.
Almeida também questionou a manutenção da prisão preventiva do empresário e declarou que a medida contraria os princípios constitucionais da presunção de inocência e da excepcionalidade da prisão cautelar.
Segundo ele, não cabe ao acusado provar sua inocência para responder ao processo em liberdade.
"Surgiram provas audiovisuais que demonstram, de forma clara, que a versão apresentada pela acusação não corresponde ao que de fato aconteceu. Ainda assim, entendeu-se que o acusado deve permanecer preso enquanto se verifica a idoneidade desse material. A dúvida, que no processo penal deve favorecer o réu, está sendo usada contra ele", reafirmou o advogado.
"Enquanto isso, um homem que nunca havia sido preso suporta o constrangimento ilegal de uma prisão injusta. A defesa confia que o Judiciário saberá corrigir esse equívoco e seguirá adotando todas as medidas cabíveis para restabelecer a liberdade de seu cliente", concluiu.
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