Economia30 de outubro de 2026Setor de combustíveis debate em Natal o impacto do fim da escala 6x1
Redação Tribuna do Norte • 30 de outubro de 2026 • 00h00

O setor de Reforma Tributária e a adaptação das empresas ao fim da escala 6x1 estão entre os principais temas da 18ª edição do Encontro de Revendedores de Combustíveis do Nordeste (ERCON) que termina nesta sexta-feira (30), na Arena das Dunas, zona Sul de Natal. Além de 27 estandes de empresas parceiras, o encontro reúne ativações, palestras, painéis, momentos de networking e uma programação cultural no encerramento. Entre os desafios discutidos estão o impacto da mudança na jornada de trabalho com o fim da escala 6x1 para o setor de combustíveis.
Promovido pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos-RN), o evento começou ontem, com expectativa de atrair mil participantes. O presidente do Sindipostos-RN, Maxwell Flor, afirma que a proposta do ERCON é abrir espaço para o diálogo diante das mudanças que afetam o setor de combustíveis.



O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), James Thorp Neto, também destaca a necessidade de debater os efeitos do fim da escala 6x1. “A princípio, o que sabemos é que [essa pauta] vai passar por negociações coletivas junto com os sindicatos laborais para vermos algumas flexibilizações possíveis para que os postos consigam cumprir o seu horário de funcionamento”, afirma.
Segundo ele, a entidade mantém diálogo com seu departamento jurídico para orientar os revendedores no processo de adaptação à nova jornada. “Nós temos muitos postos 24h e queremos buscar alternativas para não impactar o funcionamento”, completa James Thorp.
Diretor da Transcopel, uma das empresas expositoras do ERCON, Leandro Pinheiro diz que a companhia estuda a melhor forma de aplicar a redução da jornada. “Acreditamos que vai existir aumento de custos, com base nos estudos preliminares que realizamos, porque para manter a operação atual de seis dias na semana precisaremos contratar novos colaboradores”, destaca.
Além desta questão, o setor também debate outras questões, como a renovação da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, anunciada pelo Governo Federal na terça-feira (27). Além disso, no dia seguinte, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), emitiu um comunicado com a atualização anual das alíquotas fixas do ICMS monofásico (ad rem) sobre combustíveis, a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Maxwell Flor lembra que, ao longo deste ano, o setor também foi impactado pela guerra envolvendo o Irã, que provocou alta do barril de petróleo e oscilações nos preços dos derivados. “O Governo está dando essa subvenção, que hoje já não é suficiente para manter os preços estáveis. O conselho da Petrobras pede para que as empresas reajustem seus preços, mas sabemos que há um lado político e o Governo represa esse reajuste. O cenário é de muita incerteza”, afirma.
Além dos desafios atuais do segmento, a programação inclui debates sobre os impactos da Reforma Tributária, a diversificação dos negócios nos postos de combustíveis. “Hoje o posto tem que oferecer uma ilha de serviços. O posto que trabalha apenas com gasolina não vai rentabilizar, então é preciso outros negócios atrelados ao ponto do estabelecimento para conseguir rentabilizar melhor a atividade”, acrescenta Flor.
Em relação à Reforma Tributária, James Thorp Neto aponta como principal expectativa a adoção da cobrança monofásica sobre o etanol, modelo já aplicado à gasolina e ao diesel desde 2023. Na prática, a regra prevê a cobrança do tributo em apenas uma etapa da cadeia de comercialização, com potencial para ampliar a competitividade do produto no mercado nacional. “Nós defendemos que isso seja antecipado e implementado o quanto antes”, ressalta.
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