Natal30 de outubro de 2026Motocicletas do Samu começam a operar no dia 3 de novembro em Natal
Redação Tribuna do Norte • 30 de outubro de 2026 • 00h00

As motolâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu Natal) começam a operar no dia 3 de novembro, com a primeira equipe de motociclistas socorristas. Nesta quinta-feira (29), os profissionais participaram de uma aula prática do Curso de Formação de Motociclistas Socorristas, que reuniu 19 participantes para aprimorar as técnicas de atendimento pré-hospitalar.
A atividade ocorreu na Avenida da Alegria, na Redinha, e incluiu demonstrações de técnicas de pilotagem defensiva e segurança operacional utilizadas no atendimento de urgência e emergência. O treinamento teve como objetivo preparar os participantes para uma atuação mais ágil e segura nas ocorrências.
De acordo com Luiz Ribeiro Fonseca, coordenador de regulação médica do Samu Natal, a retomada do serviço será feita de forma gradual, com recursos próprios do município. A primeira equipe começa a operar no dia 3 de novembro, e a previsão é que uma segunda dupla entre em funcionamento até o fim do mês.
Até janeiro de 2027, a expectativa é contar com quatro duplas, distribuídas pelas zonas Norte, Sul, Leste e Oeste da capital. A decisão de retomar o serviço ocorreu após a identificação de dificuldades no tempo de resposta às ocorrências. “A gente percebeu um prejuízo, um impacto no que a gente chama de tempo-resposta, que é a nossa capacidade de atender agravos de trauma na rua”, revela Fonseca.
O serviço, que funcionou em Natal até 2014, foi interrompido devido a dificuldades relacionadas à frota de motocicletas e à disponibilidade de profissionais. “Agora, com recursos próprios do município, nós estamos resgatando esse serviço. Nós vamos retomar esse serviço após essa capacitação”, disse o coordenador.
As motolâncias podem agilizar o atendimento a vítimas de traumas nas ruas, como acidentes de trânsito, e a pacientes com parada cardiorrespiratória. A utilização de motocicletas no atendimento pré-hospitalar pode facilitar o deslocamento das equipes, principalmente em locais de difícil acesso ou com trânsito intenso.
Nos casos de parada cardiorrespiratória, a rapidez no atendimento é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência. A proposta é que os motociclistas socorristas cheguem ao local da ocorrência para iniciar os primeiros procedimentos enquanto a ambulância se desloca, quando necessário.
Segundo Fonseca, o atendimento precisa começar rapidamente. “Em paradas cardiorrespiratórias, que são a maior urgência clínica, precisa ser iniciada a RCP [Reanimação Cardiopulmonar] em até cinco minutos”, alerta.
O coordenador destaca que a retomada do serviço deve contribuir para melhorar a assistência e ampliar a segurança dos pacientes. “A gente acredita que isso vai possibilitar uma melhoria do nosso tempo de resposta, da qualidade assistencial, um aumento da sobrevida e, consequentemente, mais segurança para o usuário do SUS e para as pessoas em comum, porque Samu não é exclusivo para o paciente SUS”, destaca Luiz Ribeiro Fonseca.
O serviço também dará suporte às ambulâncias em ocorrências psiquiátricas, como situações de agitação psicomotora e surtos psicóticos. Segundo Fonseca, algumas dessas situações dependem do apoio de outras forças de segurança para a contenção física dos pacientes antes da administração de medicamentos. “Às vezes, havia um desencontro entre o Samu ter ambulância disponível e a Guarda Municipal ter viatura para apoiar. Com a motolância, será feito tudo dentro do próprio Samu”, explicou.
Ana Raquel Mafra, coordenadora da Rede de Urgência, disse que o serviço foi pioneiro em Natal e serviu de modelo para a inclusão das motolâncias nas normas nacionais do Samu.
Ela explicou que as motocicletas poderão chegar mais rapidamente aos locais das ocorrências e prestar apoio às ambulâncias, especialmente em situações que exigem intervenção imediata. “Com a motolância, será feito tudo dentro do próprio Samu. A expectativa é melhorar a qualidade da assistência e aumentar as chances de sobrevida, sobretudo nos casos de parada cardiorrespiratória”.
A capacitação foi destinada a profissionais da Secretaria Municipal de Saúde que já atuam na rede pública e têm interesse em integrar as equipes.
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