Presidente do PL de Ananindeua afirma que vai encerrar Natal de mais de mil crianças após vitória de Lula
A decisão de interromper ações de solidariedade por divergências políticas provocou indignação nas redes sociais. Carol Costa, presidente do PL em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, anunciou que não pretende mais realizar iniciativas de assistência social e colocou no centro da polêmica justamente quem mais precisa de ajuda: famílias em situação de vulnerabilidade e crianças atendidas por projetos natalinos no Pará.
O motivo é cruel: a vitória de Lula (PT) para o 4º mandato de presidente da República. Em uma publicação nas redes sociais, Carol relembrou uma ação de Natal que, segundo ela, beneficiava mais de 1.000 crianças paraenses. O projeto incluía distribuição de brinquedos, cestas natalinas, festas e sorteios em comunidades, com trabalho voluntário.
Agora, entretanto, a dirigente afirma que a iniciativa não terá continuidade. “Esse ano NÃO VAI TER”, escreveu ao comentar a realização da ação natalina. Nas redes sociais, ela se apresenta como “cristã, esposa, mãe”.
A justificativa apresentada na postagem está relacionada ao resultado das eleições e à situação política do país. Carol questionou se a população não teria deixado a pobreza após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ironizou a expectativa de que o governo federal garanta melhores condições de vida aos brasileiros.
O posicionamento ficou ainda mais explícito em outra imagem publicada pela dirigente. Vestindo a camisa da Seleção Brasileira, ela apresentou um comunicado com quatro decisões: “NÃO DOU ESMOLA”, “NÃO COMPRO RIFA”, “NÃO EMPRESTO DINHEIRO” e “NÃO FAÇO AÇÃO SOCIAL”.
A mensagem termina com uma declaração direcionada à população: “Vocês serão tirados do sufoco pelo governo que escolheram”.
A publicação também questiona se o aumento do Bolsa Família seria suficiente para garantir despesas fundamentais, como educação, material escolar, consultas médicas, atendimento odontológico, medicamentos, gás de cozinha e alimentação.
O que chama atenção na manifestação é a associação entre a escolha política dos eleitores e a disposição de continuar ajudando pessoas que precisam de assistência. Afinal, crianças que aguardavam brinquedos no Natal e famílias que dependiam de iniciativas comunitárias não são responsáveis pelas disputas eleitorais.
Reação nas redes sociais
A declaração provocou uma série de críticas nos comentários. Internautas questionaram principalmente a postura de uma dirigente que se apresenta publicamente como cristã e que, segundo a própria publicação, decidiu interromper ações de solidariedade em razão de sua insatisfação política.
Um dos comentários mais contundentes destacou a contradição entre fazer o bem e condicionar a solidariedade ao resultado das urnas.
“Se você só sabe fazer o bem quando seu candidato ganha, o problema nunca foi política, foi a sua falta de humanidade e seu interesse”, escreveu um usuário.
Outro internauta recorreu a ensinamentos bíblicos para contestar a manifestação. O comentário lembrou passagens sobre o perdão, a multiplicação dos alimentos e o amor ao próximo, argumentando que a assistência não deveria depender das convicções políticas de quem recebe ajuda.
Também houve críticas relacionadas à fé cristã. “Isso é cristã?”, questionou outro perfil.
Por outro lado, seguidores manifestaram apoio à decisão e disseram concordar com a interrupção das doações. Alguns chegaram a defender que a população direcionasse seus pedidos de ajuda ao governo eleito.
A repercussão expôs uma discussão que ultrapassa a disputa entre partidos: a solidariedade deve depender do voto de quem precisa de ajuda? A controvérsia ganhou força justamente porque a declaração envolve iniciativas destinadas a crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
Até o momento, não há, no material apresentado, esclarecimento adicional de Carol Costa sobre a possibilidade de manter ou retomar os projetos sociais.
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