Caso Savana: relembre o crime brutal que chocou o Pará e os desdobramentos
Um encontro em um motel, um plano para ficar com o dinheiro da vítima e um assassinato marcado pela brutalidade. Em julho de 2011, a morte do vigilante Joelson Ramos de Sousa, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RMB), chocou o Pará. O corpo foi encontrado esquartejado, sem a cabeça e partes dos dedos, em uma tentativa de dificultar a identificação. O crime ficou conhecido como “Caso Savana”, nome da mulher apontada como uma das responsáveis pelo assassinato.
O assassinato aconteceu no dia 10 de julho de 2011, dentro de um motel localizado no bairro da Guanabara. Segundo as investigações da Polícia Civil, Savana Nathalia Barbosa da Cruz mantinha relacionamentos amorosos com Joelson e com Raimundo Nonato Ferreira dos Santos, também envolvido no crime.
Anos depois, o nome dela voltou a circular nas manchetes, desta vez por violar regras do regime semiaberto que cumpria no oeste do Pará.
O caso
Joelson Ramos de Sousa foi assassinado e esquartejado dentro de um quarto de motel no bairro da Guanabara, município de Ananindeua, no dia 10 de julho de 2011. A Polícia encontrou o corpo no local do crime, mas sem a cabeça e os dedos, meio utilizado para dificultar a identificação do corpo.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Savana mantinha relacionamento amoroso com a vítima e com Raimundo Nonato Ferreira dos Santos, o outro acusado.
A trama criminosa foi arquitetada sob o pretexto de uma mudança para o Amapá: Savana teria convencido a vítima a enviar bens e eletrodomésticos para a nova cidade. A acusada havia convencido Joelson a mudar de cidade para abrir uma lanchonete.
Quando Joelson reuniu o suficiente para a mudança, foi atraído ao motel onde encontrou a morte.
O Ministério Público revelou que os dois se hospedaram em quartos diferentes no motel. Savana teria atraído o vigilante até o local. Quando Joelson chegou, ela deu um sinal por telefone para Raimundo, que estava no quarto ao lado; ele entrou no quarto e atacou Joelson com diversas facadas, cerca de 13. Depois, decapitou e esquartejou o corpo, lançando as falanges dos dedos no vaso sanitário.
Após o crime, o casal seguiu para o Terminal Rodoviário de Belém para comprar bilhetes de viagem. Raimundo Nonato foi até a casa de Joelson para subtrair os bens que restavam, enquanto Savana efetuou saques da conta bancária de Joelson.
Após o crime, ela tentou embarcar da cidade de Almerim, no Pará, com destino a Macapá, no Amapá. Já Raimundo Nonato foi preso na zona rural do município de Novo Repartimento.
Condenação e julgamento
Com a condenação a 40 anos de prisão pelo homicídio qualificado, furto e ocultação de cadáver, Savana dividiu o banco dos réus com Raimundo, que recebeu pena de 38 anos e seis meses. O julgamento, que durou dois dias, foi conduzido pelo juiz Márcio Campos Barroso Rebello, do Conselho de Sentença da 6ª Vara da Comarca de Ananindeua.
Eles foram condenados pelos crimes de homicídio e furto qualificados, e de destruição, subtração e ocultação de cadáver. Foram condenados também a pagamento de 220 e 200 dias-multa, respectivamente (cada dia-multa é valorado em 1/30 do salário mínimo vigente à época do fato).
Na sentença, o magistrado destacou a conduta social e personalidade dos acusados, “flagrantemente desajustadas e destoantes do que se espera de um ser minimamente racional e provido de sentimentos, pois o desenrolar desta trama criminosa conta com detalhes sórdidos, mesquinhos e evidencia a mais absoluta impiedade humana e uma total subversão de valores”.
Durante o julgamento, a acusação sustentou que os réus planejaram o assassinato para se apropriar dos bens e do dinheiro da vítima. Quem estava à frente do caso era o promotor Daniel Barros.
A defesa, por sua vez, formada pelos advogados Cesar Ramos, Henrique Sauma, Camila Nogueira e Luiz Araújo, em favor de Savana, e Raimundo Cavalcante, na assistência do réu Raimundo, sustentaram as teses de coação moral irresistível, negativa de autoria e de homicídio privilegiado, mas todas foram rejeitadas por maioria de votos pelos jurados. Savana e Raimundo se acusaram mutuamente. Ela disse que sofria ameaças dele, e ele, que agiu sob ameaça da acusada.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA):
“Savana e Joelson foram julgados e condenados pelo referido crime, em novembro de 2011, mas a defesa dos acusados recorreu da decisão, requerendo à Justiça a desclassificação do crime de latrocínio para homicídio qualificado em concurso material com os crimes de furto e ocultação de cadáver. Em janeiro de 2014, por decisão unânime, a 3ª Câmara Criminal Isolada deu parcial provimento ao recurso de apelação penal, desclassificando o crime para homicídio qualificado. Com a decisão, o julgamento de ambos (Savana e Raimundo foram condenados a 27 anos e 8 meses e 27 anos e 5 meses de reclusão, respectivamente) foi anulado, e o processo encaminhado para a Vara do Tribunal do Júri de Ananindeua”.
Novos Desdobramentos do Caso Savana
A trajetória de Savana Nathalia ainda renderia novos capítulos. Transferida para Santarém em 2021, após ser investigada por participar de uma tentativa de fuga em presídio; ela estava sendo investigada por suspeita de integrar um grupo de presas que estava cavando um túnel para fugir da penitenciária. Por esse motivo, a justiça decidiu que Savana Nathalia passaria a cumprir a pena em Santarém.
De acordo com a decisão do juiz Deomar Alexandre De Pinho Barroso, a falta grave aconteceu em 15 de março de 2020.
Mas aí ela passou a cumprir pena no regime semiaberto harmonizado em Santarém, com tornozeleira eletrônica e autorização para trabalhar fora de casa, ou seja, ela poderia cumprir a pena em regime de prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Contudo, Savana estava circulando por áreas fora do que foi delimitado para o monitoramento.
Conforme o relatório do monitoramento da tornozeleira de Savana Nathalia, a acusada saiu diversas vezes da área de monitoramento, além de deixar o aparelho desligado sem justificativa.
À polícia, Savana contou que tinha ido a um hospital e que o deslocamento ainda seria informado à justiça. Ela foi reconduzida ao sistema prisional no dia 26 de março de 2024.
Relembre o Caso Novelino
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