Jovem de 24 anos morta por pecuarista em SP sonhava comprar apartamento com namorado
Morta a tiros na noite de terça-feira (27), em Rifaina (SP), a empresária mineira Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, tinha planos de adquirir um apartamento e havia começado a dividir um novo lar com o namorado. Ela saíra de Perdizes (MG) para devolver uma caminhonete que estava com ela ao pecuarista João Roberto Bolelli, de 62. Às margens de uma rodovia, o crime foi presenciado pelo irmão da vítima.
Alvo de investigação por feminicídio, o suspeito fugiu.
Parte dos fatos foi narrada por Samuel Ramos, de 26 anos, namorado de Priscila. Ele afirma que o casal estava junto desde junho e que, por volta de um mês, dividia a mesma casa em Perdizes.
O vínculo entre os dois surgiu através da mãe de Samuel, a psicóloga Fabyana Oliveira, que era cliente da jovem e sua amiga.
Conforme narrou o namorado, antes de ela e Samuel se conhecerem, Priscila teve encontros casuais com Bolelli, vínculo que já havia sido rompido. O pecuarista, no entanto, não admitia que ela ficasse com outro homem e teria até pagado um detetive para segui-la.
Nas palavras de Samuel: ‘Ele perseguia ela, porque ele se apaixonou por ela. Ela tinha rompido esses encontros esporádicos e ele não aceitava de maneira alguma. […] Ele ameaçava ela, dizia que se ela não fosse ser dele, não seria de mais ninguém. Ele disse que ia dar um tiro na cabeça dela’.
Como foi o crime em Rifaina
Receosa, Priscila convidou o irmão e uma amiga para irem junto dela a Rifaina devolver o carro. O boletim de ocorrência registra que ela se encontrou com Bolelli nas proximidades de uma propriedade rural, às margens da SP-334 (Rodovia Cândido Portinari).
De acordo com o que o irmão contou à polícia, ali Priscila manifestou o desejo de partir e de não dar continuidade ao namoro. O que motivou a briga foi um celular que teria sido presenteado a ela pelo pecuarista.
Durante o atrito, Bolelli apanhou uma arma e atirou na jovem. Cometido o crime, ele escapou dirigindo a própria caminhonete.
A prisão preventiva do pecuarista foi decretada pela Justiça de São Paulo na quarta-feira (28). Até a última atualização, ele seguia foragido, sem ter sido localizado.
Segundo a defesa de João, o caso está sendo analisado e os advogados ainda não falaram com ele. Também na quarta, o velório e o enterro de Priscila aconteceram em Perdizes.
Agressão e ameaças dias antes
Em depoimento, a amiga que estava com a jovem afirmou que, desde julho, Priscila e Bolelli tinham um envolvimento sem compromisso. Quatro dias antes da morte, na sexta-feira (23), a empresária teria relatado à amiga que havia sido agredida pelo pecuarista.
A testemunha disse ter visto as lesões.
A amiga afirmou ainda que, segundo Priscila, Bolelli teria feito ameaça de atirar na cabeça dela e teria pagado pessoas para vigiá-la. Convencido de que a jovem se envolvera com outro homem, ele dizia que impediria seu retorno a Perdizes.
Por causa dessas ameaças, a amiga recomendou que Priscila não viajasse sozinha a Rifaina. Essa foi a razão pela qual ela e o irmão optaram por ir junto na entrega da caminhonete.
Em depoimento às autoridades, o irmão contou que a jovem ligou para ele pedindo que a acompanhasse na viagem. Durante o telefonema, ele a notou tensa e ficou com a sensação de que ela talvez estivesse sob coação ou sofrendo ameaças.
Quem era a empresária mineira
Como videomaker e profissional de marketing digital, ela usava as redes sociais para divulgar serviços prestados a clientes, lojas e casamentos. Nos estudos, se dedicava à fotografia e ao próprio marketing digital; entre os projetos, planejava adquirir um apartamento.
Fabyana Oliveira, psicóloga e amiga, relatou: ‘A Priscila era uma pessoa maravilhosa, cheia de sonhos e projetos. Cheia de vida! Uma vida que foi ceifada por um homem malvado’.
Segundo Fabyana, a jovem amava a profissão e era ‘muito trabalhadora’. Já Juliana Amaral, outra amiga próxima, a definiu como alegre.
Havia três anos de amizade entre elas, que também dividiam o trabalho na loja de moda de Juliana.
Juliana completou: ‘[Priscila] era linda, encantadora, educada ao extremo! Em três anos de amizade, nunca vi ela falar mal de ninguém’.
Segundo o irmão, testemunha do crime, falar sobre o episódio ainda é impossível para os parentes, que seguem profundamente abalados.
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