Transporte impacta até 38% na lata de castanha
O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento e o Sebrae Acre divulgaram mais um estudo que trata do “desenvolvimento regional”. Desta vez, as cadeias produtivas da região do Alto Acre foram observadas. Um dos aspectos que chama atenção foi o impacto do transporte da castanha no preço da lata. “Em Brasiléia, a lata alcançava cerca de R$ 130 quando entregue ao comprador e de R$ 80 a R$ 90 quando o intermediário a retirava no ramal, diferença de 31% a 38% que corresponde ao transporte assumido pelo intermediário”, informa o estudo.
Brasileia, Epitaciolândia e Assis Brasil somaram 5.014 toneladas de castanha em 2024, o dado mais atualizado e divulgado pelo Fórum Empresarial. Isso representa 50,4% das 9.947 toneladas do Acre. “Xapuri e Brasiléia foram o primeiro e o segundo produtores estaduais, e Epitaciolândia o quinto”, conta o Fórum Empresarial.
Toda região do Alto Acre somou R$ 29,6 milhões. Foi o valor da produção na microregião. É 50,5% do total acreano. Em 10 anos (entre os anos de 2014 e 2024), a produção da microregião recuou 23,7%. “Em 2017, ano de quebra da safra em todo o Acre, os quatro municípios somaram 1.845 toneladas”, pontua o estudo.
Toda a produção do extrativismo local é absorvida pela Copaeb, por meio de um movimento que os economistas estão chamando de “neo-cooperativismo”, um movimento que, aos poucos, está mudando a geografia econômica da região.
“A regional da COPAEB em Brasiléia, filiada à Cooperacre, compra castanha de extrativistas dos quatro municípios, e, por isso,o volume comercializado em Brasiléia é maior do que a produção do próprio município”, explica a pesquisa do Fórum Empresarial. “A cooperativa envia a castanha à central de RioBranco para beneficiamento e recompra parte de la já beneficiada para venda local. Os cooperados que entregam regularmente recebem ao fim da safra uma bonificação proporcional ao resultado comercial, que foi de cerca de nove reais por lata na safra citada pelos entrevistados”.
O beneficiamento centralizado na Capital tem levantado uma questão: para diminuir custos da operação, o beneficiamento poderia acontecer no interior. Da forma como está atualmente a infraestrutura de beneficiamento, acaba fazendo com que a castanha percorra o mesmo trecho duas vezes.
Preço_ Estudo da Universidade Federal do Acre e da Unicamp divulgado em janeiro de 2025 estimou que a castanha in natura é vendida na Resex Chico Mendes por cerca de R$ 4,50 o quilo, sem pagamento pelo serviço ambiental prestado pelo extrativista, enquanto o consumidor paulista paga perto de R$100.
Pela PEVS (Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura), o valor médio da castanha na microrregião foi de R$ 5,91 por quilo em 2024. O Acre foi o maior exportador brasileiro de castanha em todos os anos de 2014 a 2025 e embarcou 3.593,7 toneladas em 2025, 71,5% do volume nacional, por US$ 12,4 milhões.
O preço médio foi de US$ 3,45 por quilo, contra US$ 15,69 no Pará, porque 93,9% do volume acreano saiu com casca. O Peru recebeu 92,8% do volume e a Bolívia, 1,5%, e cerca de 3,3 mil toneladas de castanha acreana deixaram o país pelo posto da Receita Federal em Assis Brasil, depois de beneficiadas em RioBranco. O consumo local é pequeno, já que a aquisição domiciliar de castanhas e nozes no Acre, segundo a POF 2017-2018, corresponde a cerca de 0,3 tonelada por ano na microrregião.
(Com informações do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre)
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