Ameaças do CV teriam paralisado venda de água mineral em Groaíras
Facção também mirou provedores de internet e demais comerciantes, afirmou a Prefeitura. Policiamento foi reforçado na cidade e suspeitos foram presos
Por Lucas Barbosa
Notícia
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Publicado às 07:00, 30/10/2026
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Resumo
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Prefeitura de Groaíras oficiou MPCE e SSPDS sobre extorsões e paralisação do comércio e da venda de água por ordens do CV.
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Faccionados picharam empresa de internet e enviaram "salves" com toque de recolher e ameaças de morte a comerciantes locais.
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Três suspeitos de envolvimento nas intimidações foram presos, e a SSPDS reforçou o policiamento em Groaíras, Meruoca e Alcântaras.
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Ações de combate à extorsão a provedores de internet já resultaram em 103 prisões em todo o Estado desde julho de 2025.
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Sistema de videomonitoramento do município foi invadido no mesmo dia das ameaças, exibindo mensagem de propaganda política.
A Prefeitura de Groaíras, município do Sertão de Sobral, oficiou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e o Ministério Público do Ceará (MPCE) para que sejam tomadas providências em relação a ameaças feitas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) a distribuidoras de água mineral, provedores de internet e outros comerciantes da cidade.
No mesmo dia, também começaram a circular "salves" atribuídos à facção. As mensagens proibiam "qualquer serviço de internet" e a "venda de água na cidade toda". "se não respeita a partir da data de hoje 23/10/26 pagará com a vida seja quem for" (sic), dizia o comunicado publicado nas redes sociais.
Outro "salve" visava impor um "toque de recolher" ao comércio local a partir das "3 horas". Em seguida, um vídeo de 40 segundos passou a circular nas redes sociais contendo ameaças explícitas a três pessoas. "Quem ver segura tá no problema com nois" (sic), estava escrito sobre a foto dos homens.
O vídeo contava ainda com um áudio, no qual era afirmado:
Atenção, população de Groairas. A ordem continua a mesma. Estamos vendo os provedores de internet ainda trabalhando. Partiremos para medidas mais severas, pois não estamos de brincadeira. Esses da imagem serão os primeiros a ficar de exemplo. Da mesma forma, não queremos ninguém vendendo água mineral. Se pegarmos qualquer um que seja, ficará de exemplo. A ordem é permanecer tudo fechado. Aquele que for pego trabalhando sem nossa ordem não terá segunda chance. Seja qualquer um. Assinado: Comando Vermelho.
Áudio de vídeo atribuído ao CV de Groaíras que circula nas redes sociais
"Por medo de represálias, todos os comerciantes de Groaíras suspenderam a venda de água mineral, e a população tem se deslocado a Sobral para comprar água", afirmou a prefeitura nos ofícios endereçados ao MPCE e à SSPDS.
"Os empresários e trabalhadores dos provedores de internet seguem ameaçados, assim como os demais comerciantes, a quem a facção ordena 'permanecer tudo fechado'", também consta no documento.
"A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) mantém um protocolo, iniciado em julho de 2025, para combater a prática de crimes de extorsão contra provedores de internet, registrada em vários estados do país, e que é parte da atuação de grupos criminosos", afirmou a pasta em press release divulgado nessa quarta-feira, 28.
"Como resultado desse trabalho, desde o início do procedimento, que conta com o trabalho integrado de todas as Forças de Segurança do Ceará, 103 capturas foram realizadas", acrescentou a SSPDS.
Videomonitoramento de Groaíras foi invadido com mensagem pró-Flávio Bolsonaro
Outra ocorrência comunicada pela Prefeitura de Groaíras à SSPDS e ao MPCE foi a invasão ao sistema de videomonitoramento da cidade. Dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, em 23 de outubro, por volta das 13h42, a mensagem "VOTE BOLSONARO 22" foi exibida no título das imagens. Confira:
"Pela coincidência de datas, não se pode descartar que a invasão tenha buscado neutralizar o monitoramento da cidade no mesmo dia em que as ameaças (do CV) foram divulgadas", afirmou a prefeitura no ofício.
"O Município registra que a inserção não foi feita nem autorizada pela Administração, que repudia qualquer uso de bem ou serviço público em favor de candidato ou partido (art. 37, caput, e art. 73, I, da Lei nº 9.504/1997)", complementa o documento.
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