O Povo
30/10/2026 09:30

Franquias aumentam faturamento e projetam crescer, mas tributação preocupa

Economia

Empresas relatam preocupação principalmente com a taxa de juros e a carga tributária, destacando incertezas quanto à reforma tributária

Por Guilherme Siqueira

Notícia

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Publicado às 09:00, 30/10/2026

29/10/2026 - Ilha de Comandatuba, Una, Bahia - Antonio Lavareda, presidente do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), apresentando os resultados do Estudo do Franchising Brasileiro 2026
29/10/2026 - Ilha de Comandatuba, Una, Bahia - Antonio Lavareda, presidente do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), apresentando os resultados do Estudo do Franchising Brasileiro 2026 Crédito: Keiny Andrade/ Divulgação/ ABF

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Resumo

  • O setor de franquias registrou crescimento de 9,7% no faturamento no primeiro semestre de 2026 e 85% das marcas projetam expansão nos próximos meses

  • A elevada carga tributária preocupa 55% dos empresários enquanto a alta taxa de juros encarece o crédito e afeta novos investimentos

  • Com movimentação anual de R$ 315 bilhões o mercado brasileiro de franchising representa cerca de 10% de todas as operações do setor no mundo

  • A Região Sudeste concentra 65,4% das sedes de franqueadoras do país com destaque para São Paulo enquanto o Nordeste responde por 8%

  • A presença do Nordeste dobra para 16% quando avaliado o volume de franqueados demonstrando grande potencial para atração de novas marcas.

*Enviado à Ilha de Comandatuba (BA)

O setor de franquias registrou alta de 9,7% no faturamento do primeiro semestre de 2026 (1S26), com 59% das marcas relatando ter crescido no ano e 24% relatando estabilidade. Além disso, 85% dos franqueadores projetam expansão para os próximos 12 meses. Apesar do cenário positivo, o setor tem como a principal preocupação a carga tributária do Brasil, sendo destacado por 55% dos empresários.

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As informações são da pesquisa "Estudo do Franchising Brasileiro", feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), com extração de dados pela Datrix. O levantamento foi feito sob encomenda da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 26, na ABF Con 2026, realizada na Ilha de Comandatuba, município de Una, na Bahia.

A pesquisa considerou tanto dados quantitativos, com bases de dados públicas e faturamentos reportados, quanto qualitativos, com entrevistas feitas com franqueadores, ou seja, os donos de marcas que são licenciadas para outros empreendedores.

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O balanço revelou uma tendência geral de crescimento, além de indicar pontos de preocupação. "A despeito dos obstáculos concretos, objetivos, entre eles se destacando carga tributária elevadíssima e maior taxa de juros do mundo, o Brasil apresenta resultados excepcionais no que diz respeito ao franchising. Nós temos hoje praticamente 10% das operações de franchise do mundo", destaca Antônio Lavareda, presidente do Ipespe.

Em termos absolutos, o setor fatura cerca de R$ 315 bilhões ao ano, o que, se comparado com outros países por tamanho do Produto Interno Bruto (PIB), deveria ser cinco vezes menor, segundo explicou Lavareda.

Para o atual presidente da ABF, Tom Moreira Leite, o estudo é um ponto de partida para outras leituras sobre o setor. Uma das motivações teria sido justamente a falta de dados específicos sobre franquias em levantamentos como os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Governo Federal ou de outras fontes.

“Os juros altos com certeza têm um impacto negativo para qualquer atividade empresarial (...) torna-se mais oneroso você realizar investimentos a partir da tomada de crédito. E sobre a perspectiva do empresário franqueado, você obviamente está concorrendo com a alocação, entre colocar o seu capital em uma franquia ou colocar em um ativo financeiro de renda fixa”, pondera.

A preocupação com os tributos, segundo explicou o presidente, também deriva de dúvidas relativas à reforma tributária, devido a dificuldade de fazer planejamentos para 2027 diante das incertezas quanto a alíquotas. Nessa quarta-feira, 28, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou uma incidência de 11,1% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), percentual 2,1% acima da máxima esperada.

"Vão ter situações em que algum aumento de preço terá que ser feito para o consumidor final, para se manter a margem até inalterada, não é nem um tema de ganhar margem, é para manter a margem no mesmo patamar que a gente tem hoje e proteger a marca”, afirma o presidente, que também é CEO do Grupo Trigo.

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Outro dado revelado pelo levantamento são os estados de origem das marcas, com uma predominância da região Sudeste, que concentra 65,4% das franqueadoras. Sozinho, o estado de São Paulo tem 49,4%.

A segunda posição é ocupada pelo Sul, que é base de 20% das sedes. Na sequência estão o Nordeste (8%), o Centro-Oeste (5%) e o Norte (1%). Os dados revelam um descompasso da participação das franquias das regiões quando comparado ao PIB. Por isso, o setor aposta no crescimento de marcas de fora do eixo sul e sudeste nos próximos anos.

“Ainda vemos essa concentração muito importante em São Paulo, na região Sudeste [...]. Quando olhamos para os franqueados, é possível ver uma expansão um pouco maior no Nordeste [...]. Comparado ao Sul, o Nordeste ainda tem grandes oportunidades, ainda tem muito que crescer comparativamente”, comenta Antônio Lavareda.

João Paulo Castro, CEO da Datrix, ressalta que a distribuição é diferente quando se trata de franqueados, ou seja, empreendedores que compraram unidades de uma franquia. Nesse caso, a participação do Nordeste dobra em pontos percentuais, chegando a 16% do total nacional.

"O que eu enxergo é que existe uma grande oportunidade para o setor, o estudo aponta é uma parte de possibilidade de expansão, sobretudo dos franqueados, que podem crescer e mais franquias chegarem até o Nordeste. Como falamos sobre o incentivo Sebrae, sobre a busca por incentivo e empréstimo, investimento, pode crescer a base de franqueadores também", analisa.

*O repórter viajou a convite da ABF

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