Sastre condenado: relembre acidente com Porsche que matou motorista em SP
Após mais de dois anos do acidente que causou a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, Fernando Sastre foi condenado a 17 anos de prisão nesta quinta-feira (29). O empresário dirigia um Porsche 911 quando atingiu o carro do homem, na zona leste de São Paulo.
O caso ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, domingo de Páscoa, na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. Sastre estava no veículo de luxo quando colidiu violentamente com a traseira de um Renault Sandero conduzido por Ornaldo.
Leia Mais
-
Polícia investiga 25 casos em clínica de SC onde mulher morreu após exame
-
Fernando Sastre é condenado a 17 anos de prisão por morte de motorista
-
RJ: Motorista de ônibus infarta e causa acidente com 20 veículos na Dutra
Com a força do impacto, o veículo de Ornaldo ficou completamente destruído. O motorista não resistiu aos ferimentos.
Velocidade alta e grande repercussão
Segundo a perícia do caso, o Porsche andava na pista a aproximadamente 156 km/h momentos antes da colisão, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 50 km/h.
Marcus Vinícius Machado Rocha, amigo de Sastre que estava no Porsche, sofreu ferimentos graves e precisou passar por tratamento médico. Após o acidente, o empresário deixou o local acompanhado da mãe, Daniela Andrade, sem realizar o teste do bafômetro.
À época, o caso gerou grande repercussão nacional, o que levou o Ministério Público de São Paulo a denunciar Sastre por homicídio qualificado com dolo eventual e lesão corporal.
O empresário estava preso preventivamente desde 2024 e aguardava o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Confissão inédita
O julgamento de Sastre começou na quarta-feira (28) e foi marcado por depoimentos de testemunhas, familiares das vítimas e pela confissão inédita do empresário de que havia consumido bebida alcoólica antes do acidente.
Durante o interrogatório, realizado na quinta-feira (29), o homem admitiu, pela primeira vez desde a colisão, que ingeriu álcool naquela noite. Até então, o empresário negava ter bebido antes de assumir a direção do Porsche.
O réu também chorou durante o depoimento, pediu perdão aos familiares das vítimas e afirmou estar arrependido do que aconteceu.
Outro depoimento importante foi o de Marcus Vinícius Machado Rocha, melhor amigo de Sastre na época do acidente. Ele estava no banco do passageiro do Porsche e ficou gravemente ferido na colisão.
Durante o júri, Marcus confirmou que o empresário havia consumido bebidas alcoólicas antes de dirigir e relatou que amigos tentaram convencê-lo a não assumir o volante. Ele também afirmou ter sofrido pressão de pessoas próximas para mudar sua versão sobre os acontecimentos.
Confusão no julgamento
O julgamento foi marcado ainda por uma confusão envolvendo Giovanna Pinheiro Silva, namorada de Sastre na época do acidente. Ela precisou ser conduzida coercitivamente ao fórum após não comparecer para prestar depoimento. Apesar disso, a defesa desistiu de ouvi-la.
Durante a sessão, Giovanna foi retirada do plenário por determinação da juíza Melanie Liesenberg, depois de fazer gestos enquanto uma testemunha prestava depoimento.
Ao final do julgamento, a magistrada determinou que Giovanna pagasse uma multa equivalente a dez salários mínimos.
No segundo dia, uma das juradas também passou mal, o que provocou a interrupção temporária dos trabalhos.
A defesa do empresário tentou afastar a tese de dolo eventual e sustentou que o acidente poderia ter sido provocado por uma falha mecânica no Porsche. Os advogados buscavam a desclassificação do crime para homicídio culposo, quando não há intenção de matar nem assunção do risco.
A tese, no entanto, não foi acolhida pelos jurados.
A sentença de Sastre
O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana e pelos ferimentos provocados em um amigo durante o acidente de trânsito em 2024.
A sentença foi lida por volta de 1h20 da madrugada desta sexta-feira (30), após o segundo dia de julgamento avançar pela madrugada no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.
O júri popular, formado por sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens, reconheceu a responsabilidade criminal de Sastre pelos crimes apresentados pela acusação.
O empresário foi condenado por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, quando o autor assume o risco de provocar a morte, e por lesão corporal contra Marcus Vinícius Machado Rocha, que estava no Porsche no momento da colisão.
No caso do homicídio, os jurados reconheceram a qualificadora de perigo comum, por entenderem que a conduta do empresário colocou outras pessoas em risco.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou a inabilitação de Fernando Sastre para dirigir veículos automotores.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
