Política Governo dos EUA exigiu que Flávio Bolsonaro alterasse carta
Departamento de Estado pediu mudança no texto para evitar crise diplomática; democratas criticam apoio no Capitólio
Publicado em 30/10/2026 às 08h35
O Departamento de Estado dos Estados Unidos interveio diretamente para que o senador Flávio Bolsonaro alterasse o teor de uma carta à nação divulgada recentemente. A exigência do governo norte-americano teve como objetivo evitar uma crise diplomática com o Brasil, afastando qualquer sinalização de que o país não reconheceria o resultado das eleições brasileiras.
Na primeira versão do documento, compartilhada inicialmente pelo blogueiro Paulo Figueiredo, Flávio Bolsonaro se autodeclarava o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Cerca de 40 minutos depois, uma segunda versão foi publicada, na qual a autodenominação foi modificada para líder do Brasil, atendendo à demanda das autoridades norte-americanas.
Repercussão no Congresso norte-americano
A permanência do senador brasileiro nos Estados Unidos e a atuação de membros do governo repercutiram intensamente entre parlamentares do Partido Democrata no Capitólio. O deputado Joaquin Castro (Texas) declarou que uma derrota eleitoral não constitui justificativa para concessão de asilo e cobrou explicações formais da administração de Donald Trump. Em 2023, Castro havia solicitado a extradição do ex-presidente Jair Bolsonaro após os atos de 8 de janeiro em Brasília.
O deputado Jim McGovern (Massachusetts) criticou o secretário de Estado Marco Rubio e acusou a administração de colaborar com Flávio Bolsonaro diante de investigações criminais no Brasil. Manifestações semelhantes foram feitas pelo deputado Morgan McGarvey (Kentucky) e pelo congressista Ro Khanna (Michigan), que condenaram o acolhimento do parlamentar brasileiro. O senador Andy Kim (Nova Jersey) também classificou a entrada como favorecimento indevido.
Em contrapartida, deputados e senadores do Partido Republicano mantiveram silêncio sobre a situação ao longo da quinta-feira. A postura ocorre a poucos dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirão a totalidade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, período em que parlamentares governistas evitam temas com potencial desgaste político.
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