Campo Grande News
Carne, bolo e creme dental viram esconderijo de entrada de drogas em presídios
Pedaços de carne cozida, bolo de aniversário e tubos de creme dental viraram esconderijo para entrada de drogas em presídios de Mato Grosso do Sul. Só este ano, em levantamento feito pelo Campo Grande News , foram registrados ao menos 12 flagrantes envolvendo visitantes que tentaram entrar com material ilícito em unidades penais do Estado, entre janeiro e outubro. As estratégias variaram de alimentos recheados com entorpecentes a drogas escondidas em chinelos, sutiãs, roupas e partes íntimas. Em diferentes situações, as tentativas foram identificadas durante a revista dos pertences feita pelos policiais penais ou com o auxílio de equipamentos de inspeção corporal. O caso mais recente ocorreu em 24 de outubro, no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande). Na ocasião, uma mulher de 36 anos tentou entrar na unidade com 146 gramas de maconha escondidas em duas embalagens de creme dental. O caso foi descoberto porque a alteração no peso dos produtos chamou a atenção de uma policial penal durante a fiscalização dos pertences. Ao verificar o conteúdo, ela encontrou a droga. Em fevereiro, a estratégia foi esconder a droga em pedaços de carne cozida. No dia 21, policiais penais encontraram aproximadamente 206 gramas de substância semelhante à pasta base de cocaína dentro do alimento levado por uma visitante ao Instituto Penal de Campo Grande. A carne seria entregue ao neto dela, que está preso na unidade. Outro flagrante envolvendo comida ocorreu em junho, quando uma idosa tentou entrar no mesmo presídio com um bolo de aniversário destinado ao filho. Durante a inspeção, os policiais encontraram quatro porções de maconha escondidas no interior do bolo. A droga pesou aproximadamente 100 gramas. Em julho, na Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas, policiais penais flagraram uma mulher com cerca de 185 gramas de maconha escondida dentro de panquecas que seriam entregues a um interno. Chinelo, sutiã e partes íntimas - Mas os alimentos não foram os únicos esconderijos. Em 31 de março, na Penitenciária Estadual de Dourados, uma mulher de 52 anos tentou levar aproximadamente 320 gramas de cocaína ao filho, de 36 anos. Oito invólucros estavam escondidos nos chinelos, no sutiã, no cós da calça e presos às costas da visitante. Já no dia seguinte, 1º de abril, outra mulher foi flagrada na Penitenciária da Gameleira I, em Campo Grande, com aproximadamente 56 gramas de maconha escondidas nas partes íntimas. A irregularidade foi identificada durante a inspeção pelo equipamento Body Scan. No mesmo mês, novamente na Penitenciária Estadual de Dourados, uma visitante foi flagrada com cerca de 107 gramas de cocaína escondidos no próprio corpo. A alteração na região abdominal foi identificada pelo equipamento de escaneamento corporal. Em maio, no Instituto Penal de Campo Grande, uma mulher tentou entrar com aproximadamente 118 gramas de cocaína escondidas em um chinelo. Ainda naquele mês, na Unidade Penal Ricardo Brandão, em Ponta Porã, outra visitante foi flagrada com cerca de 1,5 quilo de substâncias semelhantes à cocaína e à maconha. Parte da droga estava escondida nas partes íntimas e o restante, nas roupas. Segundo o registro da ocorrência, ela admitiu que entregaria os entorpecentes ao companheiro preso na unidade. Outro flagrante na Penitenciária Estadual de Dourados foi registrado em junho, quando uma visitante tentou levar drogas ao marido escondidas na região do sutiã. Foram apreendidos aproximadamente 20 gramas de maconha e 60 gramas de haxixe, além de gel lubrificante e papel para confecção de cigarros. Em outubro, duas visitantes foram flagradas na Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas com pequenos invólucros de substância identificada preliminarmente como cocaína. A presença dos objetos foi apontada pelo equipamento Body Scan. Após serem questionadas, as mulheres retiraram o material e o entregaram aos policiais penais. Celulares também foram interceptados - Além das tentativas de entrada de drogas, a Polícia Penal também identificou visitantes tentando levar aparelhos celulares às unidades. Em 1º de fevereiro, uma mulher foi flagrada no Estabelecimento Penal de Paranaíba com dois celulares e dois cabos carregadores escondidos junto ao corpo. Durante a inspeção, a visitante retirou um dos aparelhos e tentou colocá-lo entre os pertences que já haviam passado pela fiscalização. Na revista pessoal, os policiais encontraram o segundo celular e os carregadores. O levantamento foi feito pela reportagem com base nas informações publicadas no portal da Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) e no portal Campo grande News este ano de 2026, considerando apenas ocorrências em que visitantes tentaram levar materiais ilícitos durante procedimentos de visita ou entrega de pertences. Apreensões relacionadas a drones, arremessos por cima dos muros e materiais encontrados em rondas não foram incluídas na contagem. A reportagem solicitou à Agepen o número total de flagrantes registrados em 2026, mas não havia recebido resposta até a publicação deste texto.
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