Onde estão enterradas as grandes personalidades do Ceará?
Histórias das personalidades históricas envolvem cemitérios em Fortaleza, Assaré e até no Rio de Janeiro; veja onde estão enterrados cearenses famosos
Notícia
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Atualizado às 10:15, 30/10/2026 | Publicado às 10:00, 30/10/2026
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Resumo
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O feriado de finados marca a movimentação em cemitérios de todo o País;
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Além dos entes queridos, personagens históricos também habitam nestes locais;
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Os locais onde estão enterrados Belchior, Padre Cícero e José de Alencar são apresentados nesta matéria.
O maior cemitério do Ceará é o cemitério São João Batista, localizado no Centro, em Fortaleza. Nele, estão enterradas figuras históricas como Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar.
Contudo, não é só no Ceará que os restos mortais de cearenses notáveis estão enterrados. O cemitério homônimo, São João Batista, que está entre os maiores do Rio de Janeiro, também abriga uma parte da história do Ceará.
Confira onde estão enterrados 18 personagens que marcaram a história do Ceará.
Cearenses enterrados no cemitério São João Batista, em Fortaleza; veja lista
Com 95 mil metros quadrados, o cemitério São João Batista abriga muitos cearenses, entre políticos, empresários, jornalistas, soldados e outros.
Além dele, o Parque da Paz também tornou-se parte da história de Fortaleza. Por isso, O POVO relembra 11 personagens enterrados em Fortaleza.
O empresário e político cearense pai de Tasso Jereissati faleceu em 9 de maio de 1963, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Porém, foi enterrado em sua terra natal e sepultado no cemitério São João Batista, em Fortaleza.
Um dos cantores mais emblemáticos do País, Antonio Carlos Belchior faleceu há nove anos, em 30 de abril de 2017.
Foi sepultado no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, e está enterrado no Cemitério Parque da Paz, localizado no bairro Passaré.
Nascido em 26 de outubro de 1946, em Sobral, o cantor é lembrado por canções como "Velha Roupa Colorida" e “Coração Selvagem”.
Também conhecido como Barão de Studart, Guilherme Studart foi um médico, historiador e vice-cônsul do Reino Unido no Ceará e hoje nomeia uma das mais importantes avenidas de Fortaleza.
Ele faleceu em 25 de setembro de 1938, aos 82 anos, e está enterrado no São João Batista. Seu jazigo está próximo à entrada do cemitério, do lado esquerdo, com um grande túmulo que também abriga outras pessoas da família.
A filha do barão, Leonísia, também está enterrada com o pai.
A escritora cearense Maria Rodrigues Peixe, mais conhecida pelo pseudônimo Alba Valdez. faleceu em 5 de fevereiro de 1962 e sua morte foi noticiada no O POVO.
Ela foi a primeira mulher a ingressar na Academia Cearense de Letras (ACL). Foi eleita para ocupar a cadeira número 22 da ACL, em 4 de outubro de 1937, na vaga deixada por Leiria de Andrade.
“O seu sepultamento será às 16 horas de hoje, saindo o da residência de seus sobrinhos Rozina e José Gomes Figuerêdo”, informa a matéria da página dois daquela segunda-feira.
Tito de Alencar Lima foi um frade dominicano cearense que se tornou um dos maiores símbolos da resistência à Ditadura Militar no Brasil.
Aos 20 anos, ingressou na ordem dos dominicanos, conciliando a vida religiosa com a militância política, e foi o primeiro religioso a registrar formalmente denúncias de violência praticada pelo regime.
A repressão contra Tito começou em outubro de 1968, quando foi preso e fichado pela Polícia. Dois anos depois, o nome de Tito entrou na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Carregando os traumas dos anos de chumbo da ditadura, suicidou-se em 1974, aos 28 anos, no convento de Éveux, na França. Seus restos mortais foram transladados para o Brasil e sepultados em Fortaleza em março de 1983.
Virgílio Távora era o então governador do Ceará quando destituíram João Goulart, em março de 1964. No entanto, sua fama foi alcançada vários anos antes, ao aliar os dois grupos arquirrivais, udenistas e petebistas, em prol da candidatura vitoriosa de Paulo Sarasate ao governo do Ceará.
Virgílio Távora terminou a carreira política no Senado, eleito em 1982 pelo Partido Democrático Social (PDS). E faleceu no mesmo ano que foi promulgada a Constituição de 1988.
O farmacêutico, professor e escritor Rodolfo Teófilo - que nomeia um bairro de Fortaleza - foi um dos incentivadores da vacinação contra a varíola, em 1901.
Ele mesmo buscou fabricar o imunizante e ,de porta em porta, mesmo desacreditado pelo governo local, criou um cordão de imunização contra a doença. Faleceu no dia 2 de julho de 1932, aos 79 anos.
Demócrito Rocha nasceu em Caravelas, na Bahia, mas sua história está ligada à cidade de Fortaleza.
Conhecedor de línguas estrangeiras, recebia vasta correspondência informava-se telegraficamente, reunia-se em diversos grupos, passou a colaborar em pequenos jornais do estado.
Em 1924, ao lado de Tancredo Moraes, Adília de Albuquerque Moraes (esposa de Tancredo) e Orlando Luna Freire, funda a Ceará Illustrado, revista que era distribuída de mão em mão na praça do Ferreira.
Quatro anos depois, Demócrito fundou o jornal O POVO soando uma sirena na praça dos Leões, no centro de Fortaleza. Faleceu 29 de novembro de 1943, aos 55 anos, e seus restos mortais estão no túmulo da família no cemitério São João Batista, em Fortaleza.
O advogado, escritor e poeta Quintino Cunha é conhecido por contar diversas histórias de humor típicas do povo cearense. Ingressou na Academia Cearense de Letras em setembro de 1922.
Faleceu em Fortaleza, no dia 1º de junho de 1943.
O estudante João Nogueira Jucá é considerado o primeiro bombeiro honorário do Ceará. O estudante de 17 anos morreu ao salvar 15 recém-nascidos, parturientes e demais pacientes de um incêndio no Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), no Centro de Fortaleza, em 1959.
O cemitério São João Batista também abriga o túmulo da "Menina Lúcia", que atrai milhares de fiéis todos os anos.
Lúcia faleceu aos 2 anos de idade, em 1917. É considerada uma "santa popular" e seu jazigo hoje é ponto de visitação e agradecimentos por graças alcançadas. O local é decorado com brinquedos e doces.
Cearenses enterrados no Interior; confira as histórias
Além de Fortaleza, cidades do interior do Ceará também guardam as memórias e jazigos de figuras importantes. Confira:
Aldamira Guedes Fernandes
Aldamira foi a primeira mulher eleita prefeita por voto direto no Brasil, assumindo a gestão de Quixeramobim em 1958. Ela faleceu em 16 de março de 2013, aos 89 anos.
Seus restos mortais seguem na cidade comandada por ela, no Cemitério Municipal de Quixeramobim.
Cícero Romão Batista é um nome conhecido para os devotos do Ceará. Conhecido como Padre Cícero, ganhou influência no lugar e foi um dos principais responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de Juazeiro do Norte.
Ele faleceu em 20 de julho de 1934, mas a devoção e a fé do povo perpetuam-se até os dias de hoje, com marco na reconciliação com a Igreja Católica, deliberada no final de 2015 pelo Vaticano.
Padre Cícero está enterrado no Cemitério Público do Socorro, em Juazeiro do Norte. Seu túmulo fica na parte da frente do altar principal da capela, próximo ao de sua mãe e de suas irmãs.
O poeta popular, compositor e cantor Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré foi sepultado na cidade onde nasceu.
O município de Assaré, a 463 quilômetros de Fortaleza, abriga os restos mortais de Patativa no cemitério São João Batista. Ele faleceu em 8 de julho de 2002.
Cerca de 23 anos após a sua morte, o poeta foi reconhecido como Patrono da Cultura Popular Cearense.
Benigna Cardoso da Silva foi assassinada aos 13 anos no interior do Ceará. Conhecida como Menina Benigna, ela foi beatificada pela Igreja Católica em 2022, 81 anos após a sua morte.
Sem fotos para indicá-la, Benigna é representada com um vestido vermelho de bolinhas brancas e um vaso que carrega em suas mãos.
Os restos mortais da Beata Menina Benigna estão sepultados na Igreja Matriz de Senhora Sant'Ana, localizada no município de Santana do Cariri, no estado do Ceará.
Cearenses enterrados no Rio de Janeiro; veja quem são
Ainda, os cearenses que cruzaram as divisas do estado estão sepultados no Rio de Janeiro, onde se firmaram na carreira e marcaram o país.
O cemitério São João Batista, no bairro do Botafogo, recebeu três cearenses bem conhecidos:
Nascido em Fortaleza, o escritor de "Cinco Minutos" e "O Guaraní" faleceu de tuberculose aos 48 anos, no Rio de Janeiro.
José Martiniano de Alencar recebeu a alcunha de “pai da literatura brasileira". Apesar da capital cearense abrigar a casa onde ele nasceu, é o cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, que recebeu seus restos mortais em 12 de dezembro de 1877.
Outro nome nascido em Fortaleza e que foi sepultado no Rio de Janeiro é a escritora Rachel de Queiroz.
Uma das autoras que são símbolo da segunda geração do Modernismo Brasileiro, Rachel morreu aos 92 anos, no dia 4 de novembro de 2003, vítima de um infarto enquanto dormia em seu apartamento no bairro do Leblon.
- Humberto de Alencar Castelo Branco
Por fim, o cearense Humberto de Alencar Castello Branco - primeiro presidente da Ditadura Militar (1964 - 1985) - morreu aos 69 anos, em 18 de julho de 1967, na primeira visita ao Ceará após deixar o poder, numa colisão entre aeronaves quando retornava do sítio da amiga Rachel de Queiroz, em Quixadá.
Assim como a amiga, Castello Branco foi enterrado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. No entanto, seus restos mortais foram tranferidos para o ex-mausoléu Castello Branco, em Fortaleza.
Após a mudança no monumento, os restos mortais estão sob responsabilidade do 23º Batalhão de Caçadores do Exército, localizado na Avenida Treze de Maio.
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