Chafariz de 141 anos volta a funcionar na Praça São Salvador, em Laranjeiras
O histórico chafariz da Praça São Salvador, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, voltou a jorrar água após passar por uma restauração realizada pela Secretaria Municipal de Conservação. Instalado na praça no século XIX, o monumento estava sem funcionar havia alguns anos e recebeu um investimento de aproximadamente R$ 55 mil para a recuperação de sua estrutura.
A intervenção incluiu a impermeabilização da bacia, reforma e pintura da casa de máquinas, além da substituição das instalações elétricas e hidráulicas. Os elementos de ferro fundido também receberam nova pintura, respeitando a cor original mantida no monumento.
O chafariz é um dos elementos históricos da Praça São Salvador, conhecida pelos bares, restaurantes e rodas de samba e chorinho que atraem moradores e visitantes ao bairro.
Para o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, a recuperação faz parte do trabalho de manutenção do patrimônio histórico da cidade.
“Recuperar o chafariz da São Salvador é devolver à praça um elemento histórico importante e, ao mesmo tempo, cuidar de um patrimônio que pertence a todos os cariocas. Nós temos um trabalho incansável na preservação e manutenção dos monumentos da cidade e é preciso que a população também faça parte do processo de cuidado desse patrimônio”, afirmou Diego Vaz.
Chafariz francês foi instalado no século XIX
Segundo estimativas do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), o chafariz foi instalado na Praça São Salvador por volta de 1885. A peça é conhecida historicamente como A Fonte e tem como principal destaque uma escultura feminina atribuída ao artista francês Louis Sauvageau, datada de 1862.
A figura representa uma mulher derramando água de um cântaro. A composição inclui ainda crianças montadas em golfinhos, que sustentam a bacia do chafariz.
O monumento foi produzido pelas Fundições Val d'Osne, na França, uma das principais fabricantes de obras ornamentais de ferro fundido do século XIX. A empresa forneceu centenas de esculturas, fontes e outros elementos decorativos que passaram a integrar praças e jardins brasileiros.
O Rio de Janeiro recebeu aproximadamente 200 peças artísticas produzidas pela fundição francesa, distribuídas por diferentes espaços públicos da cidade.
As obras eram produzidas em série, a partir de modelos originais, e podiam ser escolhidas pelos compradores em catálogos. Esse sistema permitiu que esculturas semelhantes fossem instaladas em diferentes cidades e países.
A história do monumento já havia sido abordada pelo DIÁRIO DO RIO em uma reportagem sobre a origem do chafariz da Praça São Salvador e as esculturas francesas que o compõem, publicada em 2017.
Na ocasião, a pesquisadora Vera Dias explicou que apenas a figura feminina é atribuída diretamente a Louis Sauvageau. Os demais elementos seriam peças escolhidas no catálogo da Val d'Osne e fundidas sob encomenda.
A restauração devolve o funcionamento hidráulico ao monumento, que integra o conjunto de fontes e esculturas históricas de ferro fundido preservadas nos espaços públicos do Rio.
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