Levantamento revela 878 municípios sob risco de inundações no Sul do Brasil
A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) identificou 878 municípios com risco de inundações ou enxurradas na região Sul do Brasil. O número corresponde a 73,7% das 1.191 cidades dos três estados, segundo o Atlas de Risco a Inundações da região Sul, lançado nesta quarta-feira (28).
Do total de municípios classificados, 115 apresentam risco muito alto, 204 têm risco alto, 290 foram enquadrados na categoria média e 269, na baixa. Ao todo, 319 cidades estão nas duas faixas mais críticas, que representam mais de um quarto dos municípios da região.
O levantamento atualiza o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, publicado pela ANA em 2014, e reúne informações sobre a frequência dos eventos e os impactos em áreas urbanizadas próximas a rios. O objetivo é orientar políticas públicas, investimentos em prevenção e medidas para reduzir os danos provocados por desastres hidrológicos.
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Santa Catarina tem maior proporção de municípios em risco
Santa Catarina apresenta a maior proporção de municípios com risco identificado. Das 295 cidades do estado, 266 (90,2%) foram classificadas em alguma das quatro categorias. Desse total, 55 têm risco muito alto, 79 alto, 77 médio e 55 baixo.
No Rio Grande do Sul, 346 dos 497 municípios (69,6%) apresentam risco de inundações ou enxurradas. São 43 cidades na categoria muito alta, 82 na alta, 108 na média e 113 na baixa. O estado concentra o maior número absoluto de municípios classificados com risco na região.
Já no Paraná, 266 dos 399 municípios (66,7%) foram incluídos no levantamento. Entre eles, 17 apresentam risco muito alto, 43 alto, 105 médio e 101 baixo.

Bacias hidrográficas concentram áreas críticas
A análise por bacias hidrográficas aponta concentração de municípios nas categorias de risco alto e muito alto em diferentes áreas da região Sul.
As bacias litorâneas de Santa Catarina reúnem 95 municípios nessas duas faixas, enquanto as do Rio Grande do Sul somam 84. Também se destacam as bacias dos rios Uruguai, com 57 municípios classificados com risco alto ou muito alto, e Iguaçu, com 40. Em Santa Catarina, a bacia do Rio Itajaí concentra o maior número de municípios com risco muito alto, com 25 cidades nessa categoria, além de outras 18 com risco alto.
Segundo o Atlas, a exposição catarinense está relacionada à ocorrência recorrente de chuvas intensas, ao relevo acidentado e à ocupação urbana de fundos de vale e planícies fluviais. No estado, o risco se concentra principalmente no litoral e na bacia do Itajaí.

Histórico de desastres na região
O documento também apresenta um panorama das ocorrências registradas entre 1991 e 2024. Nesse período, a região Sul contabilizou 2.259 eventos de inundações e enxurradas com danos humanos, atrás apenas do Sudeste.
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Santa Catarina concentrou 1.089 registros, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 774, e pelo Paraná, com 396.
De acordo com os dados compilados no Atlas, os desastres afetaram 700 municípios da região e provocaram mais de 1,58 milhão de registros de pessoas desabrigadas ou desalojadas, além de 372 mortes.
Os impactos econômicos também foram expressivos. No período analisado, os danos materiais somaram R$ 17,36 bilhões. Os prejuízos públicos chegaram a R$ 4,68 bilhões, enquanto os privados totalizaram R$ 24,02 bilhões.
O levantamento destaca ainda as cheias extraordinárias que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024. Segundo o documento, o evento de maio de 2024 afetou 478 municípios gaúchos, deixou cerca de 226 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e provocou 186 mortes confirmadas, além de 27 desaparecimentos.
Entendendo como o risco foi calculado
A classificação dos municípios considerou três métodos complementares: o cruzamento de áreas urbanizadas com manchas de inundação, a análise hidrológica de cheias e a avaliação qualitativa de registros históricos de desastres.
O estudo utilizou informações de estações fluviométricas, dados sobre pessoas desabrigadas e desalojadas e registros do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), referentes ao período de 1991 a 2024.
A classificação final corresponde à categoria mais elevada identificada entre os métodos aplicáveis a cada município. Os resultados também passaram por revisão e validação de órgãos estaduais.
A ANA ressalta que o Atlas tem caráter estratégico e regional e deve servir como referência para o planejamento e a priorização de investimentos. O documento não substitui estudos locais nem mapeamentos detalhados de áreas de risco necessários à gestão municipal.
Recomendações para prevenção
O Atlas apresenta medidas para subsidiar a redução dos riscos identificados, como a ampliação das redes de monitoramento hidrológico e dos sistemas de alerta, o aprimoramento dos registros de desastres e a elaboração de planos de contingência.
O documento também recomenda o mapeamento e o zoneamento de áreas suscetíveis a inundações, além de intervenções para proteger comunidades expostas.
A publicação considera que as mudanças climáticas tendem a alterar os padrões de precipitação e a aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos. Estudos citados pela agência reforçam a tendência de aumento da magnitude e da frequência de cheias e inundações na região Sul.
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