Juiz nega pedido de Willer Tomaz, amigo de Flávio, e Richarlison pode manter posts sobre ilha
BRASÍLIA – Um juiz negou o pedido do advogado e empresário Willer Tomaz e de sua empresa, a Wt Administração de Imóveis e Bens, de obrigar o jogador de futebol Richarlison a apagar publicações sobre o caso que envolve uma ilha em Angra dos Reis (RJ).
Atacante do Spurs, da Inglaterra, Richarlison diz ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre a mansão na Ilha Comprida, em parceria com Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu antigo empresário.
A revelação ocorreu por meio de um comentário em uma publicação nas redes sociais da advogada imobiliária Ana Paula Zantut, feita em 30 de junho. “Realmente gastei em torno de 10 milhões lá e simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana!”, desabafou Richarlison.
O caso ganhou repercussão após o próprio jogador repostar o vídeo e marcar o então pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O jogador acusa Flávio e Willer de terem participado de manobras para obter a posse do imóvel. “Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na justiça”, disse o jogador em vídeo divulgado em outubro.
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Willer e Flávio são investigados por suposta lavagem de dinheiro – Willer é suspeito de lavar mais de US$ 1 bilhão por meio de esquema com bets e também tem o nome envolvido no escândalo do INSS, além de ter sido alvo em outra operação da Polícia Federal (PF).
Foi no bojo da investigação sobre a relação de Willer e Flávio que a PF pediu – e foi atendida – a apreensão dos passaportes do filho do parlamentar. Ao contrário do prometido, ele não entregou os documentos e fugiu para os Estados Unidos com a família.
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Willer Tomaz havia entrado com uma ação na Justiça do Distrito Federal contra Richarlison para impedir que ele divulgasse conteúdos sobre a disputa da posse da ilha.
Willer acionou a Justiça após Richarlison comentar e compartilhar publicações de terceiros sobre a disputa. “Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana!!!”, comentou o jogador em um dos posts.
Sob urgência, Willer fez o pedido em 29 de julho. Mas, em 13 de agosto, a Justiça negou o pedido em caráter de urgência, dizendo que se aproximava de uma “restrição prévia à manifestação de pensamento”.
O amigo de Flávio pediu a proibição de novos conteúdos com acusações de que a propriedade teria sido tomada de Richarlison, sob pena de multa de R$ 50 mil por publicação e outros R$ 50 mil por dia de permanência. Também queria indenização de R$ 200 mil por danos morais e esclarecimento público nas redes sociais do jogador.
Mas o juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, rejeitou, em agosto, a urgência. Ele lembrou que parte dos conteúdos questionados havia sido publicada nos stories do Instagram, que desaparecem automaticamente após 24 horas.
Outra postagem havia sido removida pela responsável pelo perfil em que o jogador fez o comentário. Dessa forma, o juiz considerou que os autores não demonstraram a existência de publicações ainda disponíveis que justificassem a ordem de retirada.
Sobre o pedido para impedir futuras manifestações de Richarlison, o magistrado afirmou que “aproxima-se perigosamente da restrição prévia à manifestação do pensamento”, protegida pela Constituição.
Costa disse ainda que eventuais abusos nas redes sociais podem ser examinados posteriormente pela Justiça, com responsabilização dos envolvidos e retirada de conteúdos considerados ilegais.
Em setembro, Willer apresentou novos documentos e acrescentou outra publicação atribuída a Richarlison, feita em 24 de agosto. Giordano aceitou a inclusão do episódio na ação, sem reavaliar o pedido de retirada das postagens.
O magistrado também determinou o envio de carta precatória à Justiça do Rio de Janeiro para citar Richarlison e formalizar a comunicação do processo ao jogador do processo e possa apresentar sua defesa. A ação permanece em tramitação.
O magistrado também determinou o envio de uma carta precatória à Justiça do Rio de Janeiro para citar Richarlison e permitir que ele apresente sua defesa. A ação continua em tramitação.
Ex-atacante da Seleção Brasileira, Richarlison continuou fazendo publicações sobre a ilha, inclusive durante a campanha eleitoral, envolvendo Flávio Bolsonaro no que seria um golpe. O jogador acusa Willer e Flávio de tomarem a ilha em Angra sem pagar pelo imóvel.
Em uma publicação feita em 21 de outubro de 2026, o atleta afirmou que comprou a área na Ilha Comprida em outubro de 2020 e que a Justiça do Rio de Janeiro validou a posse.
“O nosso pedido de regularização foi jogado na gaveta do Governo Federal (SPU) por 10 meses. Enquanto isso, o grupo do advogado ressuscitou uma empresa (inapta desde 2018), com sócios já falecidos, e ludibriou uma viúva de 78 anos para tomar a nossa ilha”, disse.
Richarlison também mostrou na publicação decisões judiciais, contratos e a captura de tela de uma suposta conversa com Flávio Bolsonaro, na qual pede pela devolução de seu dinheiro.
Nem Flávio nem Willer haviam se manifestado sobre a decisão do juiz de Brasília até a publicação desta reportagem. Ambos estão em Miami, na Flórida. Willer foi para lá em agosto. (Com Estadão Conteúdo)
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