PF investiga venda de artigos científicos para fraudar seleção médica em Cacoal
A suspeita é de que candidatos tenham comprado participação como coautores de artigos científicos e certificados de atividades acadêmicas.
A Polícia Federal investiga uma possível comercialização de artigos científicos e certificados acadêmicos utilizados para aumentar a pontuação de candidatos em processos seletivos de residência médica. A apuração motivou a deflagração da Operação Manuscrito nesta quinta-feira (29), em Cacoal, na região central de Rondônia.
Durante a ação, policiais federais de Ji-Paraná cumpriram um mandado de busca e apreensão autorizado pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Ji-Paraná. Foram recolhidos um smartphone e um tablet, que passarão por análise pericial para auxiliar na investigação.
A suspeita é de que candidatos tenham comprado participação como coautores de artigos científicos e certificados de atividades acadêmicas para apresentar currículos com pontuação superior àquela correspondente às suas próprias experiências e produções.
Entre os processos seletivos sob análise está o Exame Nacional de Residência (Enare), utilizado para selecionar profissionais que disputam vagas em programas de especialização na área da saúde.
Investigação começou com informações anteriores
Segundo a Polícia Federal, a apuração teve origem em informações identificadas durante uma investigação anterior e em elementos divulgados por uma reportagem jornalística sobre a oferta de trabalhos científicos prontos e participações em eventos acadêmicos.
Os investigadores procuram esclarecer se os documentos comercializados foram efetivamente utilizados por candidatos para obter vantagens na avaliação curricular.
Caso confirmada, a prática pode comprometer a igualdade de condições entre os concorrentes, uma vez que a produção científica e outras atividades acadêmicas integram os critérios de pontuação de determinadas seleções.
A análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos poderá ajudar a identificar registros de negociação, envolvidos e a possível extensão do esquema.
Até a divulgação das informações sobre a operação, a Polícia Federal não havia informado a identidade dos investigados, o número de pessoas envolvidas ou a existência de prisões. A investigação continua para esclarecer os fatos e verificar eventuais responsabilidades.
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