Passada uma semana da eleição e susto da Bolsa, no que investir?
O mercado financeiro acordou assustado nesta semana, após o resultado surpreendente do segundo turno das eleições. Ao longo da semana, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, baixou dia após dia e chegou a esta sexta-feira (30/10) com uma queda acumulada de 17%. Ao mesmo tempo, o dólar teve altas e baixas e encerra semana pós-eleitoral em quase R$ 5,39. Nesse cenário de susto do mercado, em que investir: em renda fixa, no Tesouro Direto ou em ações?
Em primeiro lugar, é importante entender a lógica de indicação dos assessores de investimento. Após o primeiro turno, com vitória de Flávio Bolsonaro (PL), a expectativa do mercado era que o eventual governo do candidato cortasse gastos públicos – embora ele não explicasse exatamente como faria isso.
Nesse cenário, explica a estrategista de ações da fintech Nomad Rebecca Nossig, investidores passaram a prever uma taxa de juros mais baixa no futuro, o que favoreceria a renda fixa prefixada – cuja taxa de juros e o rendimento são conhecidos no momento da aplicação. Isso ocorre porque, com uma situação fiscal controlada, a perspectiva era de que os juros cairiam e, assim, ativos adquiridos com os juros atuais se tornariam mais valiosos no futuro.
Com a mudança de rumos e a vitória de Lula, o cenário se inverteu, continua a especialista, e uma das principais recomendações para renda fixa é a pós-fixada, em que o rendimento acompanha as variações de indicadores econômicos. Essa lógica vale para o Tesouro Direto, que é um investimento de renda fixa.
Seja qual for o investimento, Nossig mantém a recomendação habitual dos assessores de investimento, a diversificação, a fim de não sofrer grandes baques caso algum tipo de aplicação sofra mais do que outros. “Temos um cenário de instabilidade, de cautela e aversão ao risco. Então, diversificar é sempre bom”, enfatiza.
E a Bolsa?
Esse realinhamento de expectativas do mercado, investidores que esperavam Flávio Bolsonaro, com base nas pesquisas de intenção de voto e no histórico das eleições presidenciais, e recebeu Lula em virada histórica, também levou à queda brusca da Bolsa na segunda-feira (26/10), detalha Nossig.
“Os gestores de investimentos têm que se posicionar antes de algo acontecer, porque estão ali para fazer dinheiro com o trade eleitoral. Então, desde o primeiro dia [após o primeiro turno] se posicionaram para um cenário de Flávio vencedor. Aí, chega domingo, temos reversão de dados históricos e os investidores precisam se reposicionar imediatamente”, prossegue ela.
O solavanco do Ibovespa, portanto, é menos uma reação negativa direta dos investidores a Lula e mais um solavanco devido ao fluxo acelerado de compra e venda de ações, diz. Isso não significa que a Bolsa continuará em baixa nos próximos anos e nem nos próximos meses, apenas que está instável neste momento, à espera de que os investidores entendam os rumos da economia no próximo governo.
Entenda também: O que é circuit breaker? Entenda o mecanismo que paralisou a Bolsa após reeleição de Lula
A instabilidade da Bolsa também não quer dizer que as empresas estejam em apuros financeiros ou quebrando, sublinha Nossig. “Não tivemos nenhuma projeção de redução de lucros ou mudança em relação a faturamento das empresas, nada do gênero. Tudo o que tivemos foi em relação ao preço de tela, que é especulação, sentimento. Só tivemos mudança de preço, e não nos fundamentos das empresas. Elas estão lá como estavam uma semana antes do segundo turno”, diz ela.
Em momentos de instabilidade do humor da Bolsa, como o atual, ela recomenda privilegiar investimentos em mercados menos voláteis, que ela chama de defensivos. “Não se consegue ganhar rios de dinheiro neles, mas não os vemos caindo. É o mercado de utilities – energia elétrica e saneamento”, pontua.
Ela também vê uma boa margem para investir em empresas exportadoras e, com ressalvas sobre a condição financeira de cada instituição, dada a alta inadimplência da população, no setor de serviços financeiros.
Quanto à compra de dólar, a recomendação permanece: “Sempre é momento de comprar. Se a pessoa tivesse comprado logo depois da vitória de Flávio Bolsonaro ou de o Lula ser eleito, teria mais ou menos o mesmo preço médio. O dólar reagiu muito mal após o segundo turno, mas depois voltou para fazer o preço médio”, conclui.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
