PolíticaLula envia três ministros a Mato Grosso do Sul após denúncias de ameaças contra comunidades indígenas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio de três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas. A comitiva, formada pelos titulares das pastas dos Povos Indígenas, Eloy Terena; dos Direitos Humanos, Janine Mello; e da Justiça, Wellington Silva, tem chegada prevista a Dourados na manhã deste sábado (31).
A informação foi divulgada pelo deputado estadual eleito Tiago Botelho (PT), após conversar com Eloy Terena. Segundo o parlamentar, a decisão foi comunicada na manhã de sexta-feira (30), depois de uma reunião entre o ministro dos Povos Indígenas e o presidente da República.
Durante a visita, os representantes do governo federal deverão percorrer territórios onde foram registradas denúncias. Entre os locais previstos está Tacuru, município situado a aproximadamente 421 quilômetros de Campo Grande, onde servidores municipais foram mencionados em gravações com ofensas à população indígena e uma ameaça de contaminação da água consumida por moradores de uma aldeia.
O episódio ganhou repercussão após a divulgação, na segunda-feira (26), de áudios pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Nas gravações, dois servidores municipais conversam sobre a população indígena e, em um dos trechos, um deles sugere colocar veneno na água distribuída às comunidades.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou ao Campo Grande News que os envolvidos trabalhavam nas secretarias municipais de Meio Ambiente e Infraestrutura. Um deles atuava com caminhões utilizados nos serviços de abastecimento de água das comunidades indígenas.
Inicialmente, o prefeito afirmou ter chamado a atenção dos funcionários e atribuiu as declarações ao consumo de álcool e à euforia após o resultado eleitoral. Posteriormente, anunciou a abertura de procedimento administrativo. Na quinta-feira (29), a prefeitura informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e determinou o afastamento dos dois servidores. Os atos seriam publicados no Diário Oficial desta sexta-feira (30).
A mobilização ocorre em meio à criação de uma força-tarefa interministerial pelo governo federal para receber e apurar denúncias de violência contra comunidades indígenas. A iniciativa foi organizada após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, e reúne os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
De acordo com Eloy Terena, uma equipe foi designada para receber os relatos, identificar as pessoas mencionadas e encaminhar as informações aos órgãos responsáveis pelas investigações. A proposta é centralizar as denúncias e acompanhar as providências adotadas em cada situação.
Além de Tacuru, o Ministério dos Povos Indígenas recebeu relatos envolvendo Amambai, Naviraí e a região de Sidrolândia. Após a repercussão dos áudios, outras comunidades passaram a encaminhar mensagens, gravações e capturas de tela com informações sobre possíveis ameaças. Nem todos os relatos, entretanto, foram confirmados pelas apurações.
Em Naviraí, o Ministério Público Federal (MPF) investigou informações sobre supostos homicídios de indígenas relacionados ao resultado eleitoral. As diligências não encontraram elementos que confirmassem ataques contra integrantes das comunidades Kurupi e Mboreviry por motivação política ou étnica.
Segundo o órgão, um crime divulgado nas redes sociais estava relacionado a um desentendimento familiar e interpessoal. O MPF também identificou a circulação de imagens adulteradas ou retiradas de contexto, que foram associadas indevidamente a supostos ataques contra indígenas.
A visita dos ministros deverá permitir o acompanhamento presencial das denúncias e o contato com as comunidades afetadas. A apuração dos episódios ficará a cargo dos órgãos competentes, que deverão verificar a autenticidade dos relatos e as circunstâncias de cada ocorrência.
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