Ninguém no governo tem garantia de Mailza para ficar em 2027; tensão interna aumenta

O programa Boa Conversa desta sexta-feira, 30, debateu os principais acontecimentos da política acreana e nacional, com destaque para a eleição de Mailza Assis ao Governo do Acre, as expectativas em torno da formação da nova equipe de gestão e as articulações políticas que já movimentam os bastidores do poder.
Eleita governadora com mais de 272 mil votos, Mailza começa a desenhar os rumos de sua administração e sinaliza que pretende priorizar resultados concretos. Em entrevista ao Bar do Vaz, afirmou que seu governo precisa ser marcado por entregas à população, apontando saúde, produção e educação como áreas prioritárias.

“Eu acho que a Mailza é pragmática, se ela fizer o que tem que fazer, será um excelente governo. Se ela fizer um bom trabalho na área da educação, saúde e assistência social, será um excelente governo”, pontuou Astério Moreira.
“O que a Mailza tem que fazer é acabar com essas capitanias hereditárias. A saúde está fatiada. Se ela não colocar pessoas com capacidade de gestão, vai afundar o governo. Se a Mailza criar um novo supersecretário, como o Gladson fez com o Donadoni, que dava chá de cadeira aos deputados, ela vai afundar o governo. O Gladson está condenado, mas esse grupo de articulação foi sacado do governo: Aberson, Silvânia, Nayara e Donadoni. Ele pode até ter alguns resquícios, mas esse grupo foi sacado”, pontuou Crica.
Outro assunto abordado foi a relação política com o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (Progressistas), a quem Mailza agradeceu pelo apoio no segundo turno durante o processo eleitoral. Apesar das especulações sobre os próximos movimentos políticos, ela descartou antecipar as discussões sobre a eleição de 2028, defendendo que o momento exige atenção à administração estadual. “Se o Alysson chegar bem em 2028, acho interessante. Ela não está se comprometendo com ninguém”, pontuou Crica.

A governadora reeleita também procurou afastar qualquer interferência na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). As movimentações antecipadas em torno da escolha da Mesa Diretora, entretanto, já despertam atenção no Palácio, diante da importância da composição política do Legislativo para a próxima gestão.
“Eu acho que o Nicolau sai na dianteira. Acho que é uma questão de relacionamento dentro da Assembleia, internamente. Não é bom nem para os novatos que estão chegando”, pontuou Astério Moreira.
“Eu não conheço nenhum governador que não tenha interferido na eleição da Mesa Diretora. A briga por espaço vai acontecer”, pontuou Crica.
“O Nicolau disse que era candidato a presidente da Aleac. Segundo fontes do Palácio, não há veto ao nome dele, mas precisa haver um aceno do grupo de Nicolau ao Palácio Rio Branco. Por outro lado, já houve umas três conversas em que disseram que estava tudo certo e que a governadora teria apalavrado. Eu perguntei se isso aconteceu depois da eleição, e o pessoal disse que não. Uma coisa é antes da eleição; outra é depois de ganhar”, pontuou Marcos Venicios.
Na formação do novo governo, Mailza afirmou que não possui compromissos de manutenção com os atuais secretários para 2027. A declaração abre espaço para mudanças no primeiro escalão e aumenta as expectativas entre os grupos políticos que buscam espaço na administração.
Nos bastidores, Grandidier manifesta interesse em voltar ao cargo de secretário, enquanto Calixto aparece como um dos nomes cotados para permanecer na Secretaria de Governo (Segov), desempenhando papel estratégico na articulação política.
“O Calixto deve continuar sendo um dos para-choques do governo. O que percebo é que ele foi um cara leal, se desgastou bastante e, se a escolha for colocada na balança e baseada no merecimento, ele merece ser reconduzido. O Grandidier não está impedido, o entendimento dele é que no governo Mailza ele não estaria impedido”, pontuou Marcos Venicios.
A Secretaria de Saúde de Rio Branco também está no centro das especulações. Ana Beatriz, Muana Araújo, Paulo Cezar e Jenilson Leite (PSB) são nomes mencionados nas conversas sobre quem poderá assumir a pasta na gestão de Alysson, colocando a área entre os principais pontos de atenção na reorganização administrativa.
“O Alysson disse que não teve tratativas com nenhum dos nomes mencionados acima e que ele mesmo faria as escolhas. Ele quer entrar em janeiro de 2027 com toda a equipe formada. É natural e normal que faça mudanças. Ele também disse que o MDB terá participação na gestão dele”, pontuou Crica.
No campo partidário, o deputado Tchê afirmou que pretende continuar no PDT, mas aguarda as definições sobre uma possível federação partidária. Ele também revelou ter recebido convites de outras legendas, demonstrando que as articulações políticas seguem abertas.
A relação entre o governo estadual e o Palácio do Planalto também entrou na pauta. Após manifestar apoio a Flávio Bolsonaro, Mailza defendeu a necessidade de manter uma boa relação institucional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, não há como adotar uma postura contrária ao presidente da República, independentemente das diferenças políticas.

No cenário nacional, o programa repercutiu a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro e sua ida para os Estados Unidos. O senador Marcio Bittar (PL) saiu em defesa de Flávio e fez declarações que também foram interpretadas como uma crítica indireta à posição de Mailza em relação ao governo Lula.
“Ele foi eleito na mesma urna em que Lula foi eleito. Ele não falou em anarquia, mas em ‘quanto pior, melhor’. Isso fica muito feio para um senador que foi reeleito pelo povo acreano. Eu quero saber em que mundo estamos, em que um senador daqui a pouco vai estar orando para pneu ou para disco voador. Está faltando sensatez a um senador reeleito”, afirmou Marcos Venicios.
“Qual é o problema de reconhecer a vitória de Lula? Qual é o candidato que não faz promessas durante a campanha? O Marcio não deveria estar envolvido nesse tipo de debate. Você acha que o Estado no cenário que está pode se dar ao luxo de brigar com o governo federal ao ponto que estamos? Eleição acabou, agora tem eleição em 2028 e 2030”, pontuou Crica.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
