RN30 de outubro de 2026UFRN conquista Grande Prêmio Capes de Tese pela primeira vez
Redação Tribuna do Norte • 30 de outubro de 2026 • 13h05

Jessyanne Bezerra
Repórter
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) teve confirmada, pela primeira vez em sua história, a conquista do Grande Prêmio Capes de Tese. O resultado oficial da edição de 2026, formalizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), reconhece a pesquisa da geógrafa Larissa Silva Queiroz como vencedora na categoria de Humanidades.
Intitulada Método para avaliação do patrimônio geomorfológico de geoformas em rochas, a tese foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGE) da UFRN e apresenta uma metodologia inovadora para avaliar formações rochosas a partir de características científicas, estéticas e culturais.
O trabalho foi orientado pelo professor Marco Túlio Mendonça Diniz, da UFRN, e coorientado pela professora Jacimária Fonseca de Medeiros, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). A pesquisa foi realizada em duas regiões serranas potiguares: o Complexo Serrano Martins-Portalegre e as Serras do Agreste.
A conquista representa um marco para a pós-graduação da instituição. Larissa já havia recebido, em setembro, o Prêmio Capes de Tese na área de Geografia e agora foi selecionada entre os destaques de diferentes áreas do conhecimento que integram a categoria de Humanidades.
À reportagem da TRIBUNA DO NORTE, Larissa destacou a emoção de receber o reconhecimento nacional e o significado da conquista para sua trajetória acadêmica. "Representa uma alegria imensa e, sobretudo, uma grande responsabilidade. Receber o Grande Prêmio CAPES de Tese, na área de Humanidades, é um reconhecimento que ultrapassa a minha história individual e alcança as instituições públicas que fizeram parte da minha formação, desde a educação básica até a pós-graduação", afirmou.
Segundo a pesquisadora, a conquista também representa um marco para a participação feminina na ciência. "Ser a primeira da UFRN e a primeira mulher da Geografia brasileira a receber esse prêmio é uma sensação indescritível, pois era algo inimaginável para mim", acrescentou.
Pesquisa pode contribuir para turismo e preservação no RN
Desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGE) da UFRN, o estudo investiga formações rochosas localizadas no Alto Oeste e no Agreste potiguar, além de uma pequena área no município de Araruna, na Paraíba.
A pesquisa busca compreender não apenas as características geológicas e geomorfológicas dessas estruturas, mas também a relação das comunidades com as paisagens e o potencial desses locais para atividades turísticas e de conservação ambiental.
Entre as áreas estudadas está o Complexo Serrano Martins-Portalegre, onde se encontra a unidade de conservação Monumento Natural Cavernas de Martins. A pesquisadora também destaca formações como a Casa de Pedra, a Pedra do Sapo e a Pedra Rajada.
"Na minha pesquisa, nós vamos além do entendimento puramente geológico ou geomorfológico, buscamos trazer luz à questão estética e, sobretudo, cultural, como esses elementos são percebidos pelas comunidades em que se situam", explicou.
Outro aspecto considerado é a vulnerabilidade dessas áreas, além das possibilidades de uso e gestão do patrimônio natural. Segundo Larissa, essas informações podem subsidiar ações de geoturismo, atividade que valoriza as características geológicas e geomorfológicas dos destinos.
O estudo também utiliza o conceito de pareidolia, fenômeno que leva as pessoas a identificar figuras familiares, como rostos e animais, em elementos naturais. Nas rochas, essas interpretações podem influenciar o significado cultural atribuído às formações.
"A ciência também é um lugar para quem vem do interior"
Natural do semiárido potiguar e com uma trajetória construída em instituições públicas de ensino, Larissa ressaltou que o prêmio representa não apenas uma conquista individual, mas também a importância das políticas de incentivo à pesquisa.
"Eu diria que a ciência também é um lugar para quem vem do interior. Minha história começou em uma escola pública, em um pequeno município do Rio Grande do Norte e foi construída em instituições públicas de ensino superior. Isso mostra como a educação pública pode transformar vidas", declarou.
A pesquisadora também defendeu a ampliação das condições de acesso e permanência de estudantes na carreira científica. "Mas é importante dizer que essa conquista não depende apenas do esforço individual: precisamos de universidades fortes, bolsas de pesquisa e políticas públicas que garantam condições para que estudantes de diferentes realidades possam não somente acessar, mas permanecer na ciência", afirmou.
Larissa destacou ainda que o apoio financeiro da Capes foi fundamental para a realização do doutorado e para o desenvolvimento da metodologia reconhecida nacionalmente.
O que é o Prêmio Capes ?
O Grande Prêmio Capes de Tese seleciona três trabalhos entre os vencedores do Prêmio Capes de Tese, que contempla 50 áreas de avaliação da pós-graduação brasileira.
A pesquisa de Larissa, orientada pelo professor Marco Túlio Mendonça Diniz, da UFRN, e coorientada pela professora Jacimária Fonseca de Medeiros, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), já havia conquistado o Prêmio Capes de Tese na área de Geografia, em setembro.
Na edição de 2026, a categoria de Humanidades recebeu o nome de Grande Prêmio Capes de Tese Maria Beatriz do Nascimento.
Os pesquisadores vencedores terão direito a certificado, troféu e bolsa de pós-doutorado no exterior por até 12 meses. Os orientadores receberão apoio financeiro para participação em congressos internacionais.
A conquista foi confirmada oficialmente pela Capes por meio do Edital nº 14/2026, assinado na quarta-feira (28) que tornou público o resultado do Grande Prêmio Capes de Tese de 2026.
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