Campo Grande News
Após água barrenta chegar às casas, prefeitura anuncia comitê em Corumbá
Após moradores da comunidade tradicional Antônio Maria Coelho relatarem a chegada de água barrenta às torneiras, a Prefeitura de Corumbá, a 428 km de Campo Grande, anunciou nesta sexta-feira (30) a criação de um comitê para acompanhar os problemas na localidade. O anúncio ocorreu durante visita do prefeito Gabriel Alves de Oliveira, acompanhado de representantes da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal. O grupo deverá reunir integrantes do poder público e da sociedade civil para monitorar as reclamações sobre a água e os transtornos provocados pelo tráfego de caminhões. O comunicado municipal não informa prazo para a instalação do comitê nem apresenta resultados de análises da água ou uma conclusão sobre a origem do problema. Na quinta-feira (29), moradores gravaram vídeos mostrando uma mistura espessa de água e terra saindo dos encanamentos. Em uma das gravações, ironizaram a situação como uma “fantástica mina de chocolate”. Segundo os relatos, a água permaneceu suja durante boa parte da manhã e começou a clarear perto do almoço. Uma das lideranças da comunidade, Edeltrudes Corrêa de Oliveira, conhecida como Dona Edil, de 56 anos, atribui os episódios às atividades de mineração e à circulação de veículos na região. “Ontem choveu um pouco, mas não foi tanto para isso acontecer. É o fluxo de caminhões da mineradora que mexem com terra e levam poeira e pó de minério para dentro da nascente”, afirmou à reportagem. Segundo ela, há cerca de dez anos o abastecimento depende da canalização de uma nascente localizada em propriedade particular próxima, sem tratamento da água no percurso até as residências. A relação entre a atividade minerária e a alteração na água, apontada pelos moradores, ainda depende de avaliação técnica. Durante a visita desta sexta-feira, o prefeito afirmou que a mineradora que atua na região já presta assistência à população e que o município acompanhará as providências. Conforme a prefeitura, a Fundação de Meio Ambiente dará continuidade aos levantamentos e prestará suporte aos órgãos responsáveis pela fiscalização. “Nosso papel, enquanto Prefeitura, é estar presente, ouvir os moradores, acompanhar os desdobramentos e garantir que as providências necessárias sejam tomadas”, declarou Gabriel. Caminhões perto da escola - Além da água barrenta, moradores reclamaram do fluxo intenso de veículos pesados pela comunidade. Segundo a prefeitura, durante aproximadamente 40 minutos na escola de Antônio Maria Coelho, a equipe observou barulho frequente de caminhões e uso constante de buzinas. A avaliação da administração municipal é que a movimentação interfere no ambiente escolar e pode prejudicar o ensino e a aprendizagem, além de afetar a rotina dos moradores. O assunto também deverá ser discutido pelo comitê. Na reportagem anterior, Dona Edil já havia relatado problemas com poeira, condições das estradas e lama no pátio da escola. Ela trabalha com extrativismo e beneficiamento da bocaiuva e teme prejuízos às atividades que sustentam famílias da comunidade. A diretora da Ecoa (Ecologia e Ação), Nathália Ziolkowski, também afirmou que a exploração de minério afeta o trabalho desenvolvido principalmente pelas mulheres. A organização acompanha a comunidade e apoiou a consolidação da associação local e do centro de processamento da bocaiuva. Empresa atribuiu problema às chuvas - Procurada , a LHG Mining informou, em nota, que estava ajudando a comunidade após impactos provocados pelo escoamento de água das estradas, que atribuiu às fortes chuvas na região. A empresa afirmou prestar suporte aos moradores e prometeu resolver a situação com brevidade.
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