Sindicatos cobram valorização e melhorias do próximo Governo do RN
Redação Tribuna do Norte • 03 de outubro de 2026 • 17h00

Gabriela Liberato
Repórter
Com a aproximação do novo governo que assumirá o Executivo do RN em 2027, sindicatos que representam trabalhadores estaduais apresentam suas expectativas, necessidades e problemas que esperam ver solucionados nos próximos anos. Entre as demandas, a recomposição dos quadros de servidores por meio de concursos públicos, a valorização das categorias, o cumprimento de direitos e a melhoria da gestão aparecem entre as principais expectativas dos sindicalistas. Ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE, dirigentes do Sinai-RN, Sindsaúde, Sinte-RN, Sinsp, Sinpol e Sinmed também apontaram problemas específicos de suas áreas e indicaram medidas que gostariam de ver adotadas nos primeiros meses do novo governo.
Apesar das diferenças entre as categorias, a redução da dependência de trabalhadores terceirizados e temporários é um ponto recorrente. Os sindicatos também defendem maior abertura para o diálogo com as entidades representativas e a realização de concursos para recompor equipes consideradas insuficientes.
Na área da saúde, o Sindsaúde e o Sinmed apontam, em comum, a necessidade de valorização e recomposição das equipes das instituições. Segundo o diretor do Sindsaúde, Paulo Martins, a intensificação dos contratos de terceirização nos hospitais e serviços de urgência preocupa o sindicato. “Hoje a maioria dos profissionais de saúde atuam por cooperativas e, ou não há concurso para a área, ou há e não nomeiam todos os profissionais”, explica Paulo.
A mesma preocupação é apontada por Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed, que avalia que a falta de concursos para o setor afeta a permanência do profissional no local de trabalho. “Com um corpo permanente, a tendência é que se criem memória e vínculos, que podem prover melhorias ao serviço. Com a alta rotatividade, é sempre como se estivéssemos sempre começando do zero”, reflete o presidente.
Ambos os sindicatos também apontam o atraso dos pagamentos como um problema recorrente nas queixas dos trabalhadores da área da saúde do RN. “O atraso dos pagamentos chega a afetar até mesmo a alimentação de pacientes e famílias nos hospitais do estado”, conta Paulo, diretor do Sindsaúde.
Diante deste cenário, Geraldo defende que exista um maior diálogo entre os sindicatos e o Governo do RN, para que os problemas possam ser identificados e solucionados em conjunto. “Se não abrir, de imediato, um diálogo, a tendência é piorar. Sabemos que não será solucionado em 100 dias, pois na saúde as coisas demoram, mas com diálogo e um devido planejamento, podemos esperar que talvez em 6 a 8 meses surja alguma mudança”, destaca.

No Sinai-RN, que reúne servidores de diferentes áreas da administração estadual, a principal preocupação apontada pela coordenadora-geral Dyanne Azevedo é a recomposição do quadro por meio de concursos. “A categoria base de servidores está envelhecendo, a maior parte está em vias de se aposentar, então é necessária a entrada de novos servidores para poder reduzir o problema da previdência, novas pessoas pagando a previdência própria do Estado para garantir a aposentadoria dos que já estão aí há 40 anos trabalhando”, destaca Dyanne.
O Sinai-RN também cobra o cumprimento da política de reposição inflacionária prevista na Lei nº 778, em vigor desde 2025. Segundo Dyanne, a norma estabelece a reposição pelo IPCA e deve ser mantida pelas próximas administrações. Nilton Arruda, presidente do Sinpol, também defende a manutenção da reposição. “É uma conquista muito grande da categoria e dos demais servidores, e esperamos que o futuro governo cumpra na íntegra”, diz Nilton.
Já com relação à Polícia Civil, o presidente aponta o déficit de efetivo como um dos principais problemas da categoria. “Mesmo com a contratação de vários policiais que aconteceu nos últimos anos, o RN ainda está nas últimas colocações: hoje nós trabalhamos com 34% do efetivo policial civil necessário”, destaca.
Sindicatos cobram mudanças nas carreiras e mais diálogo
No Sinsp, a principal reivindicação apresentada pela presidente Janeayre Souto é o fim do desvio de função. Ela afirma que policiais, bombeiros, auditores fiscais e professores são utilizados em atividades administrativas, enquanto funções que deveriam ser ocupadas por servidores administrativos permanecem sem concurso específico.

“Se você chegar na Secretaria de Educação do Estado, você vai encontrar algo em torno de quase 18 professores fazendo funções administrativas. No Batalhão da Polícia Militar tem policial militar que hoje é primeiro sargento ou subtenente, mas que nunca foi à rua”, destaca a presidente.
Na educação, segundo o sindicato, a retirada de professores das salas de aula contribuiu para o aumento da contratação de temporários. “Em 2019 existiam em torno de 800 professores temporários, hoje chega a quase 7 mil”, afirma Janeayre. Diante disso, a presidente do Sinsp defende concursos para as áreas administrativas do Estado e a recomposição do quadro permanente.
Janeayre também relaciona a redução de servidores efetivos ao problema previdenciário, argumentando que temporários, terceirizados e ocupantes de cargos comissionados contribuem para o regime geral, administrado pelo INSS. A presidente defende que, em um primeiro diálogo com o novo governo, as prioridades serão a colocação de cada servidor na função para a qual foi concursado, política salarial e cumprimento dos planos de carreira.
Na educação, o Sinte-RN concentra as demandas na continuidade das políticas educacionais e na valorização de professores e funcionários. O coordenador-geral Miguel Salusto afirma que o sindicato espera uma gestão comprometida com estrutura adequada nas escolas, merenda de qualidade, condições de trabalho e valorização profissional e salarial. “A expectativa é de um governo que tenha um projeto de educação que valorize a escola como espaço de aprendizagem”, afirma.
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