Quem é Alisson Santana, atacante convocado por Ancelotti para a Seleção?
A lista de Carlo Ancelotti para os amistosos da Seleção Brasileira contra Japão e Singapura, em novembro, trouxe uma novidade para o torcedor brasileiro: Alisson Santana. Aos 21 anos, o atacante do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, recebeu a primeira oportunidade na equipe principal e transformou em realidade um sonho que começou ainda na infância, em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. Revelado pelo Atlético-MG, o jogador construiu uma trajetória de superação, deixou o futebol brasileiro em uma negociação milionária e vem acumulando números expressivos no futebol europeu.
A história de Alisson com a bola, porém, começou bem antes dos holofotes. Durante a infância, as dificuldades financeiras da família chegaram a interferir diretamente na possibilidade de jogar futebol. Sem condições de comprar chuteiras, o garoto precisava esperar algum colega terminar a partida para conseguir um par emprestado e entrar em campo. A vontade de seguir no esporte, entretanto, falou mais alto.
Sua primeira grande oportunidade apareceu no Nação, de Joinville, em Santa Catarina. O desempenho chamou a atenção de observadores do Atlético-MG, e Alisson foi aprovado em um teste no clube mineiro em 2020. A chegada a Belo Horizonte coincidiu com o período mais crítico da pandemia de Covid-19, que interrompeu atividades e competições e acabou atrasando o desenvolvimento de diversos jovens atletas.
O atacante conseguiu superar os obstáculos e chegou ao profissional do Galo em julho de 2023, aos 17 anos. A estreia aconteceu diante do Corinthians, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o Felipão. No ano seguinte, ganhou mais espaço no elenco e disputou 35 partidas, com três gols e uma assistência. Também entrou para a história do clube ao se tornar o jogador mais jovem a começar como titular uma partida de Libertadores pelo Atlético. O feito aconteceu em abril de 2024, contra o Caracas, na Venezuela.
A evolução despertou o interesse do mercado europeu. Em março de 2025, o Atlético acertou a transferência de Alisson para o Shakhtar Donetsk por aproximadamente 14 milhões de euros (cerca de R$ 88 milhões na cotação da época), com possibilidade de alcançar 16 milhões de euros mediante metas. A negociação colocou o atacante entre as três maiores vendas da história do clube mineiro, atrás apenas de Bernard e Paulinho.
Destaque no Shakhtar e interesse da Premier League
Na Ucrânia, Alisson encontrou um ambiente favorável para dar sequência à evolução. O Shakhtar é conhecido por apostar em jogadores brasileiros e conta com outros nomes do país em seu elenco, como Marlon Gomes, Vinicius Tobias, Kauã Elias e Isaque. A adaptação ao futebol europeu ajudou o atacante a ganhar protagonismo.
Até a convocação, Alisson somava 50 partidas pelo clube ucraniano, com 11 gols e 14 assistências. Na atual temporada, são 12 jogos, três gols e quatro passes para gol, números que ajudam a explicar a atenção de Ancelotti. O bom desempenho também despertou o interesse de equipes inglesas. Segundo a Rádio Itatiaia, o Brentford chegou a oferecer 30 milhões de euros pelo jogador na janela de janeiro de 2026, mas o Shakhtar recusou a proposta.
Outro capítulo importante da trajetória aconteceu com a Seleção Brasileira Sub-20. No início de 2025, Alisson integrou o grupo campeão do Sul-Americano da categoria, experiência que marcou sua passagem pelas equipes de base do Brasil. Pelo Shakhtar, também conquistou a Copa da Ucrânia, participando diretamente da campanha do título, com gol na semifinal e assistência na decisão.
Agora, o desafio é outro. A primeira convocação para a equipe principal abre uma nova possibilidade na carreira do atacante, que terá a oportunidade de trabalhar ao lado de Ancelotti e mostrar seu futebol com a camisa amarelinha. Para quem precisou de chuteiras emprestadas para realizar o sonho de ser jogador, chegar à Seleção principal representa mais um passo de uma caminhada que começou longe dos grandes estádios e ganhou dimensão internacional.
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