Por que pessoas boas votam no PT? Por que você, minha amiga querida, apoiou Lula?

Se, diante de tantos fatos – fatos, não insinuações – que PROVAM que o Brasil está um caos e no caminho da ruína institucional e econômica, as (poucas) pessoas que ainda teriam a capacidade de analisar a situação com sensatez não conseguem enxergar isso, há um problema grave. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
A maioria dos eleitores brasileiros acha que o país vai muito bem, que o governo está fazendo um bom trabalho e que Lula merece mais quatro anos de poder. Tudo isso apesar de o país não ter dinheiro para pagar as próprias contas a partir de 2027; apesar de apenas 10% da população ser considerada plenamente alfabetizada e saber interpretar textos complexos. Tudo isso apesar de as ruas estarem cada vez mais tomadas pela miséria e a violência; o poder de compra cada vez menor; tudo isso apesar de que o Brasil terá a maior taxa de impostos do mundo a partir do ano que vem e que 75% da população têm dívidas de risco; tudo isso apesar de 20% de todos os brasileiros viverem à custa de esmolas – em alguns estados, mais de 50% da população é dependente do Estado.
Tudo isso apesar de o governo ser sustentado por um Judiciário altamente politizado, que já nem tenta esconder que pouco se importa com as garantias constitucionais ou com o devido processo legal e que, agora, terá mais quatro anos para torcer livremente o país conforme seus gostos. Um Judiciário que passou a inventar e punir crimes que não existem, a punir intenções e até pensamentos, tudo em nome da perpetuação de um projeto de poder.
O povo é livre para votar em quem quiser e para acreditar no que quiser – até nas promessas fajutas de quem está no poder há mais de 20 anos e ainda diz que vai mudar o país para melhor. Não surpreende que os velhos militantes que endeusam Lula votem nele, nem os eternos estudantes de DCE, forjados para achar que o socialismo é o ápice da civilização e, ao mesmo tempo, esquecer o quão vil é qualquer sistema autoritário que coloca o homem como servo eterno do Estado; muito menos os integrantes de grupos identitários, que, quando ousam não aderir ao esquerdismo, são massacrados publicamente por seus pares.
Não consigo aceitar que uma pessoa sensata, inteligente e de bom coração, sabendo o que de fato acontece, ache que está tudo bem e que o país não precise mudar
Tampouco é de admirar que artistas, em suas coberturas luxuosas, acatem o esquerdismo como grife, enquanto reclamam da empregada ou do horário de fechamento do McDonald’s. Menos ainda surpreende que o voto dos miseráveis se concentre em Lula. Diante de uma campanha de medo orquestrada por Janones e replicada por seu “exército”, os dependentes do assistencialismo do “Pai Lula” votaram nele porque temiam perder o próprio sustento. Não admira que as maiores votações de Lula foram nas cidades mais pobres do país - além dos presídios, claro. Simples assim.
Mas uma coisa realmente me surpreende e incomoda: e as pessoas realmente boas, de grande coração, sem apegos militantes a políticos ou partidos, que não dependem do assistencialismo, que, de fato e sem demagogia, desejam um Brasil melhor, mais rico, mais educado, próspero e com instituições fortes e independentes? Pessoas inteligentes, capazes de avaliar a situação brasileira, com acesso a dados e informações concretas sobre o que acontece no país, por que, ainda assim, escolheram votar em Lula? Simplesmente por que o oponente era Flávio, filho de Bolsonaro? Isso é suficiente para esquecer a situação real do país e deixar tudo como está – e provavelmente muito pior – pelos próximos quatro anos?
Não morro de amores por nenhum político – graças a Deus. Jamais enxergarei em um político, seja quem for, um "salvador da pátria", que, uma vez eleito, resolva com um gesto os problemas do país. Tampouco sou capaz de fechar os olhos aos defeitos e limitações de candidatos. Ainda assim, diante de um cenário caótico, a única resposta possível seria optar pela mudança. Flávio era, como se diz, "o que tinha pro gasto". Gostaria muito que outros candidatos também pudessem ter sido competitivos, mas não foram. Romeu Zema e Caiado, governadores com experiência e bem avaliados em seus estados, não decolaram – uma pena, mas foi assim que aconteceu. Mais uma vez, a polarização se consolidou, e Flávio tornou-se a única forma de tentar mudar alguma coisa neste país.
Conheço uma pessoa boa, um dos corações mais generosos que já existiram. Uma amiga gentil, inteligente, sensata. E que, ainda assim, apoiou Lula. Distribuiu os mesmos informes infames orquestrados por Janones, aqueles disfarçados de opiniões serenas, com militantes raivosos tentando sorrir ao pedir o voto da direita, "pela democracia". Bombardeou as redes com esse tipo de material, tanto que tive de bloqueá-la. Triste. E revelador.
Se, diante de tantos fatos – fatos, não insinuações – que PROVAM que o Brasil está um caos e no caminho da ruína institucional e econômica, as (poucas) pessoas que ainda teriam a capacidade de analisar a situação com sensatez não conseguem enxergar isso, há um problema grave. Falhamos em mostrar o que está acontecendo no país? O que será necessário para que as pessoas sensatas enxerguem a realidade? Não consigo aceitar que uma pessoa sensata, inteligente e de bom coração, sabendo o que de fato acontece, ache que está tudo bem e que o país não precise mudar. E o Brasil precisa mudar – e agora isso se torna uma possibilidade distante.
Porque, não, o país não vai mudar com mais quatro anos de Lula. Se, em seu primeiro mandato, Lula colheu os frutos de uma prosperidade plantada antes dele, hoje, mais de 20 anos depois, o cenário é outro. Lula ganhou esta eleição porque mantém o país miserável e inculto, conta com o apoio irrestrito do STF e vai fazer de tudo para que tudo continue como está. E ainda vai tentar sufocar (ainda mais) a oposição, como já está fazendo.
Sério que você acreditou no papinho ensaiado de que “a direita e o PT estão juntos contra o bolsonarismo e a favor da democracia”? O primeiro anúncio de Lula, aliás, foi dizer que vai “regular” as redes – o que, no jargão já estabelecido, significa censurar qualquer um que não siga a cartilha petista. Seguindo o exemplo de todos os países autoritários, vem aí a censura pura e simples – quem sabe uma rede social nacional, nos moldes da Rússia ou da China. Censura não é democracia; é a morte dela.
Minha querida amiga, realmente, não te entendi. Ainda bem que você mora nos Estados Unidos e não vai sofrer com o que virá. Mas eu estou aqui.
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