Estética facial exige responsabilidade e cuidado com a saúde
Procedimentos estéticos são intervenções em saúde e precisam ser conduzidos com responsabilidade e critérios técnicos. Isso significa olhar além da técnica escolhida ou da promessa de um resultado. Antes de modificar o rosto, é preciso ouvir o paciente, compreender sua queixa, avaliar as estruturas faciais e esclarecer os riscos e os limites de cada opção.
O paciente tem o direito de buscar uma mudança e de ser ouvido sem julgamento. Ao profissional, cabe avaliar se existe indicação para intervir, explicar as alternativas e apresentar os riscos e limites de cada tratamento. Também faz parte desse compromisso reconhecer quando um procedimento não é necessário ou quando a avaliação de outros especialistas pode contribuir para o cuidado.
A maneira como os procedimentos são divulgados merece atenção. Filtros, imagens editadas e a repetição dos mesmos padrões podem transformar características individuais em motivos de insatisfação. Diante de promessas de resultados rápidos, é fundamental que a decisão seja tomada com informação, sem pressão e com expectativas compatíveis com a realidade de cada pessoa. O objetivo do profissional não deve ser reproduzir um modelo de rosto, mas oferecer um tratamento adequado a quem está diante dele.
Como cirurgião bucomaxilofacial, defendo que essa avaliação considere o rosto em sua totalidade. Pele, gordura, músculos, dentes e ossos se relacionam e influenciam a aparência e o funcionamento da face. Uma queixa sobre o contorno, por exemplo, pode estar ligada aos tecidos ou à posição de estruturas ósseas. Em alguns casos, também pode haver alterações na mordida e na mastigação. É o diagnóstico que permite distinguir essas situações e orientar a escolha do tratamento.
O preenchimento com ácido hialurônico é um dos recursos disponíveis e trouxe avanços para a estética facial. Quando bem indicado, pode corrigir pequenas assimetrias e dar mais projeção a determinadas regiões. O problema surge quando é apresentado como resposta para qualquer queixa. Diante de uma deficiência estrutural mais acentuada, aplicações sucessivas e volumes elevados nem sempre são o melhor caminho. Além da necessidade de manutenção, o excesso pode comprometer as proporções do rosto e produzir um resultado distante do esperado.
Em situações específicas, os implantes faciais podem fazer parte da avaliação. Diferentes dos implantes dentários, são peças colocadas cirurgicamente sobre o osso para modificar a projeção de regiões como o queixo e a mandíbula. Existem modelos padronizados e personalizados, planejados de acordo com a anatomia do paciente. É uma alternativa duradoura, cuja indicação também depende de exames, planejamento e análise dos benefícios e riscos.
Nenhuma dessas técnicas, porém, resolve todas as alterações. Quando a posição dos maxilares compromete a mordida, por exemplo, o preenchimento e o implante podem modificar o contorno externo, mas não reposicionam os ossos nem corrigem o encaixe dos dentes. A depender do diagnóstico, o tratamento pode envolver ortodontia e cirurgia ortognática. A avaliação passa, então, por questões que incluem mastigação, fala e respiração.
A segurança deve orientar todas essas escolhas. Embora incomuns, complicações dos preenchimentos podem ser graves e incluem obstrução vascular e perda de visão. Os implantes envolvem uma cirurgia e também apresentam riscos, como infecção, deslocamento e alterações de sensibilidade. O paciente precisa conhecer essas possibilidades, o tempo de recuperação e os limites do resultado. O profissional, por sua vez, deve estar preparado para prevenir, reconhecer e lidar com intercorrências.
A estética facial pode melhorar a relação de uma pessoa com a própria imagem e deve caminhar junto com a saúde. Isso exige escuta, conhecimento e respeito às características de cada paciente. O tratamento deve ser indicado com responsabilidade, depois que o paciente compreende suas opções e participa da decisão.
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