Dólar sobe 9% pós-eleição, maior alta semanal desde 2008, e bolsa cai 18%
Mercado financeiro apresentou instabilidade após o resultado das eleições, com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
30/10/2026 18:38
, atualizado 30/10/2026 18:55

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou a maior queda semanal acumulada desde 2020, no início da pandemia de covid-19. A redução foi de 18,12%. Já o dólar teve alta de 9,04%, maior avanço semanal desde 2008.
O mercado operou esta semana sob os efeitos do resultado eleitoral, que terminou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) eleito pela quarta vez no domingo (25/10). Uma vitória do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), já vinha sendo precificada entre os especialistas após o resultado do 1° turno.
Para o chefe de Câmbio e Contas Internacionais da Convexa Investimentos, Emerson Junior, a disparada da moeda americana no ambiente doméstico refletiu a cautela dos investidores com a indefinição sobre a equipe econômica e a política fiscal do novo governo.
A avaliação do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom) não cortará a taxa Selic na reunião da próxima semana.
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“Para os próximos pregões, a atenção do mercado continuará totalmente voltada à decisão de política monetária do Banco Central do Brasil e aos possíveis anúncios de nomes para o Ministério da Fazenda, fatores cruciais para a calibragem dos prêmios de risco e do câmbio”, disse.
Resultado da Bolsa nesta sexta (30/10):
- Nesta sexta-feira (30/10), o dólar fechou cotado a R$ 5,44, com alta de 1,05% em relação ao resultado do dia anterior.
- Já a Bolsa fechou com 167.921 pontos, queda de 0,75%.
Sinalização do governo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo enviará ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) com o compromisso de mirar o centro da meta fiscal, que este ano é de 0,25% do PIB, diferentemente do que vem sendo adotado, mirando sempre o piso da meta.
A meta fiscal tem banda de tolerância de 0,25% para cima ou para baixo, portanto, em 2026 a meta tem como piso o déficit zero, ou seja, o equilíbrio entre receitas e despesas.
A prática adotada pelo governo é amplamente criticada pelo mercado, que vê a estrutura de meta fiscal como fictícia, já que sempre é cumprida pelo piso.
Ao mirar o centro da meta, o governo terá de fazer um esforço maior para estabilizar as contas públicas, o que pode obrigar bloqueios e contingenciamentos maiores em 2027.
A equipe econômica estuda medidas para estabilizar a dívida pública, fazer o ajuste fiscal e conquistar a confiança do mercado financeiro. Tudo isso, no entanto, passa pelo nome a ser escolhido para o comando do Ministério da Fazenda, que ainda não foi decidido.
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