Jovem de origem brasileira celebra a morte de Charlie Kirk e causa indignação nos EUA

Isabela Lemgruber Casahuga: fala em vídeo causou ultraje. (Foto: Reprodução/Turning Point USA)
Uma jovem de origem brasileira virou centro de uma tempestade política nos Estados Unidos ao subir ao microfone de um evento universitário para debochar publicamente do assassinato do ativista conservador Charlie Kirk. Ao ler uma paródia poética celebrando a morte a tiros de Kirk no câmpus da Universidade do Texas em San Antonio, Isabela (Isa) Lembruber Casahuga gerou revolta entre conservadores, virou alvo de figuras públicas e provocou uma investigação da universidade por incitação à violência.
Na fila do microfone montado pela Turning Point USA no câmpus da Universidade do Texas em San Antonio (UTSA), a vez chegou a uma estudante de celular na mão. Em vez de dizer o seu nome, ela se apresentou como "Pampered Baby" ("Bebê Mimado") e invocou a liberdade de expressão antes de anunciar que tinha escrito um poema para todos. Do outro lado estava Christian Collins, fundador do Texas Youth Summit, encontro de jovens conservadores do Texas, convidado do Pick Up the Mic, programa em que a organização fundada por Charlie Kirk coloca um conservador à disposição de quem quiser contestá-lo.
O texto lido pela jovem era uma paródia de "A Visit from St. Nicholas", o poema natalino americano de 1823 que começa na véspera do Natal, com a casa em silêncio. Na versão da estudante, a véspera é a do "Kirkiversário", nome que circula nas redes americanas para o aniversário da morte de Kirk. Ela leu: “As bandeiras estavam hasteadas com orgulho e os memes, a postos, enquanto lembrávamos solenemente um tiro no pescoço".
Ao terminar, ela convidou o público para outro evento com o nome do ativista, batizado com um trocadilho de teor sexual. Collins perguntou se ela estava satisfeita consigo mesma. "Querido, estou radiante", respondeu. Depois disse que ele era corajoso por estar ali "sem proteção, sem nada, sem colar cervical". Collins disse que rezaria por ela.
Kirk morreu em 10 de setembro de 2025, aos 31 anos, atingido no pescoço durante uma sessão desse tipo na Utah Valley University, sentado diante de uma mesa em que desafiava estudantes a provar que ele estava errado. O microfone da UTSA existe para manter esse formato depois da morte dele, e a estudante o usou para rir do jeito como ele morreu, diante de quem ocupava o lugar dele.
Ela não foi a primeira. Duas semanas depois do assassinato, um aluno da Texas State University foi filmado debochando da morte de Kirk diante de integrantes da Turning Point, a organização criada por ele. A universidade o identificou e o desligou sem divulgar o nome dele, alegando que a lei federal a impedia de comentar a conduta de estudantes.
Um site com o nome dela
No caso da UTSA, o nome apareceu em poucas horas. Contas anônimas no X cruzaram imagens do vídeo com perfis em redes sociais e publicaram a identidade de Isabella, filha de mãe carioca e pai espanhol, junto com a escola onde ela cursou o ensino médio e o nome e a profissão dos pais. Não está claro se a estudante nasceu no Brasil ou nos Estados Unidos. Registros públicos mostram que ela está registrada como eleitora, um direito que apenas os cidadãos americanos (de berço ou por naturalização) possuem.
Isa apagou o Instagram, mas alguém registrou um domínio com o nome dela e montou um site com esses dados, fotos de família e a íntegra do poema. O Gateway Pundit, site conservador que noticiou a página, explicou que o objetivo era deixar o registro acessível a futuros empregadores.
A colunista Meghan McCain, filha do senador John McCain, compartilhou o material e pediu aos seguidores: "Ajudem-nos a tornar Isa Casahuga famosa. Garantam que, aonde quer que ela vá, as pessoas saibam quem ela é". Outra conta marcou o vice-secretário de Estado americano e pediu que a família inteira fosse retirada do país.
Universidade promete tomar providências
Na quinta-feira (29), dois dias depois da publicação do vídeo, a direção do sistema da Universidade do Texas, ao qual a UTSA pertence, se manifestou numa nota assinada pelo presidente do Conselho de Regentes, Kevin Eltife, e pelo chanceler John Zerwas. "Fomos informados do incidente na UT San Antonio. Que fique claro: não toleraremos a incitação à violência nem a ameaça de incitação à violência por qualquer membro da comunidade UT", diz o texto, que termina afirmando que a UTSA vai tratar o caso "de acordo com a lei". A nota não cita a estudante nem cita o episódio diretamente, o que é comum por causa das regras de privacidade das instituições de ensino americanas.
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