CINEINSITE 50ª Mostra de São Paulo encerra com documentário sobre Elizabeth Holmes
A edição histórica da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou ao fim na noite da última quinta-feira, 29. Depois de exibir mais de 380 produções de mais de 90 países, o evento fechou com chave de ouro ao trazer, em primeira mão, o documentário “Tudo Pode Ser Visto”, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim.
Antes disso, a cerimônia de premiação destacou as principais obras escolhidas pelos diversos júris que compuseram o evento. Para a Competição de Novos Diretores, principal prêmio da Mostra, foram premiados a ficção colombiana “Cinco Anos, Quatro Meses”, de Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, e o documentário peruano "O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas", de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada.
Tudo sobre Cineinsite em primeira mão!O júri composto pelos críticos de cinema especializados que cobriram o evento também elegeu seus melhores. Dentre as produções nacionais, foi escolhida a produção de Goiás “Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco, enquanto no cenário internacional o vencedor foi a mexicano “Chicas Tristes”, de Fernanda Tovar.
A Netflix também premia um filme brasileiro para ser disponibilizado na plataforma em mais de 190 países do mundo. O escolhido foi a produção paulista “Talismã”, da diretora Thais Fujinaga.
Verdades e mentiras
Muito aguardado nessa temporada de premiações de fim de ano e início do próximo, o documentário “Tudo Pode Ser Visto” é mesmo um dos grandes filmes do ano e um acerto de seu realizador, Nathan Fielder, em parceria com Lance Oppenheim.
O longa acompanha o caso da empresária do ramo de tecnologia de saúde, Elizabeth Holmes, CEO da empresa Theranos, que diz ter desenvolvido um dispositivo revolucionário capaz de realizar diversos exames laboratoriais usando apenas uma gota de sangue dos pacientes.
O invento foi vendido como algo inovador na indústria, mas se mostrou inoperante. Holmes foi então acusada de fraude e condenada pela Justiça norte-americana. Na tentativa de provar sua inocência, ela convida uma equipe de filmagem para retratar seu cotidiano, pouco menos de um mês antes de cumprir a sentença e ir para a prisão.
O cineasta Nathan Fielder surge como personagem do filme, que passa a conviver com Holmes e seu atual marido, Billy Evans, em uma casa de praia em San Diego. Ali, ele interroga a empresária sobre o caso e os detalhes envolvendo o escândalo, na medida em que ela jura sua inocência.
“Tudo Pode Ser Visto” se desdobra em muitas camadas sobre as noções de falseamento e encenação, colocando o espectador em uma espiral de fatos e opiniões que vão se desdobrando em muitas camadas à medida em que a narrativa transcorre.
Enquanto tentamos entender até que ponto Holmes é ingênua ou está apenas tentando enganar a todos, o filme apresenta diversos momentos incríveis em que os personagens são confrontados nas suas convicções, inclusive o próprio espectador. A entrada de uma atriz conhecida na parte final do longa é a cereja do bolo para aquilo que o filme investiga enquanto fronteira entre a ficção e a realidade.
O longa estreia nos cinemas comerciais já no final de novembro e é uma das grandes apostas para o próximo Oscar.
*O jornalista viajou a São Paulo com apoio do evento.
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