Ator termina A Nobreza do Amor com o pé machucado: ‘Lutando por Batanga’

A reta final de A Nobreza do Amor deve trazer cenas intensas para José/Zambi (Bukassa Kabengele). Prova disso que é o ator se acidentou em uma das últimas gravações da novela das seis. O príncipe desaparecido retornou para Batanga com o objetivo de derrotar o golpista Jendal (Lázaro Ramos) e entregar o trono para sua sobrinha, Alika (Duda Santos).
Kabengele compareceu a um encontro com a imprensa nos Estúdios Globo, do qual o Notícias da TV participou, com o pé imobilizado e se locomovendo com a ajuda de muletas. Ele confirmou que o incidente ocorreu na gravação de uma cena na última semana dos trabalhos. “Lutando em Batanga. Eu me entreguei!”, revelou, sem poder adiantar as sequências que o deixaram assim.
O artista também fez mistério quando o assunto era a retomada de uma posição de poder depois da coroação de Alika. “Sabe aquela frase: ‘Para descobrir como uma pessoa é, dê poder a ela’? Ele já teve poder. Ele é o que ele é –e continuará sendo”, desconversou.
A volta do príncipe a Batanga também marcou o reencontro com uma pessoa do passado: Menemi (Taís Araujo), rainha de Zinga. A soberana admitiu que, na juventude, acreditou que os dois se casariam para unificar os reinos.
Em Barro Preto, porém, José construiu um casamento sólido com Teresa (Ana Cecília Costa), um amor tão forte que, na avaliação do intérprete, foi um dos principais fatores para que ele abdicasse de vez do poder.
“Houve uma história, e é por isso que é forte esse romance, esse amor. O José tinha tudo isso. Ele seria o rei e juntaria o império com ela, eles teriam essa grandeza. Na minha maneira de enxergar, o tamanho daquilo que ele abdica de relação, de condição, de poder, inclusive, é o tamanho do amor dele pela Teresa”, enalteceu.
Kabengele apontou que a maturidade desta relação faz com que a costureira nem cogite um ciúme por sua aproximação com Menemi. “Ciúme é uma coisa leve… Relações adultas e fortes não são calcadas no ciúme. São calcadas em confiança e em projetos de vida. Eles investiram nisso”, avaliou.
Ele ainda citou a vida pessoal como exemplo. “Tenho um casamento de 24 anos [com a artista plástica Vera Rocha] e uma filha de 19. Eu viajo muito… Então, nossa base está em ser companheiro, para além do amor. É entender que um confia no outro para caminhar na vida respeitando o lado de cada um. José e Teresa têm isso.”

O ator também enxerga José e Teresa como um casal revolucionário por dois fatores: trata-se de uma relação interracial nos anos 1920 e de um amor maduro, exposto com o mesmo vigor e a intensidade de um romance jovem.
“É uma relação que transcendeu oceanos, barreiras raciais e culturas. Estamos falando dos anos 1920. Se é recente hoje a questão da abolição, imagina no tempo em que a gente conta a história? É um caso muito para a frente, muito íntegro nesse sentido”, refletiu o congolês.
“Estamos mais acostumados a ver jovens se amando, se pegando no sentido de afeto, de toque, de beijo. Acho que, cada vez mais, estamos mais longevos e precisamos entender que a vida só se esvai quando se esvai. Enquanto tiver vida, temos que brilhar”, completou.
Com uma carreira extensa na televisão e no cinema, Kabengele define A Nobreza do Amor como um dos melhores projetos de seu currículo. Ele defendeu a tese de que a novela se tornará uma referência de produto audiovisual antirracista.
“Os protagonistas, os antagonistas e os personagens que amarram as histórias trazem uma possibilidade grandiosa de podermos ser tudo em qualquer circunstância e situação. Não precisamos de que alguém dite o que nós somos ou não somos, que é a base do racismo. A novela é um sucesso por si só, um acerto da empresa independentemente dos números”, exaltou.
Para Kabengele, o folhetim dá ao povo preto a possibilidade de se orgulhar de suas origens. “Isso muda nosso comportamento no dia a dia, muda a maneira como eu saio e me olho no espelho. Muda a maneira com que eu espero que as pessoas olhem para mim. E muda a maneira como a gente se trata de maneira geral. Isso é princípio básico de uma postura de audiovisual antirracista”, encerrou.
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