Especialistas católicos criticam candidato ao Senado que equipara sharia à lei canônica

Representação da fé cristã na Basílica São Pedro, no Vaticano. (Foto: Robert Cheaib / Pixabay)
O candidato democrata ao Senado por Michigan, Abdulrahman El-Sayed, enfrenta duras críticas de especialistas católicos após comparar repetidamente a sharia islâmica à lei canônica da Igreja Católica. A polêmica ganhou força nesta sexta-feira (30), durante a fase final da disputa eleitoral de 2026, quando organizações de defesa religiosa acusaram o político muçulmano de criar falsas equivalências entre os dois sistemas jurídicos para justificar suas posições pessoais e constitucionais.
Qual foi a principal declaração de Abdulrahman El-Sayed que gerou polêmica?
Durante sua campanha, El-Sayed afirmou que a Constituição dos Estados Unidos protege tanto o direito de cristãos viverem sob a lei canônica quanto o de muçulmanos seguirem a sharia, desde que ninguém a imponha a terceiros. Ele chegou a definir a lei canônica como 'o nome da lei cristã', argumentando que, assim como não se deve impor o código católico à sociedade, o mesmo vale para a tradição islâmica. Para o candidato, as duas seriam equivalentes no que diz respeito à liberdade religiosa garantida pelo Estado americano, visão que foi prontamente contestada por juristas e teólogos católicos.
Por que especialistas afirmam existir uma falsa equivalência entre os dois sistemas?
A crítica central é que a lei canônica e a sharia possuem naturezas e alcances completamente distintos. O Direito Canônico é um conjunto de regras internas da Igreja Católica, funcionando como um estatuto organizacional que disciplina o clero e os sacramentos, sem qualquer pretensão de reger leis civis ou criminais de um país. Já a sharia clássica é descrita como uma ordem jurídica abrangente que alcança o direito de família, a governança estatal e punições criminais, estando inclusive presente na constituição de diversas nações islâmicas, algo que não ocorre com o código católico.
Quais são os riscos apontados pela aplicação da sharia em sociedades ocidentais?
Estudiosos como Todd Aglialoro e Gabriel Said Reynolds explicam que a sharia pode criar sistemas de 'justiça paralela' que conflitam com os valores liberais ocidentais. Em alguns contextos históricos e geográficos, a lei islâmica prevê implicações para não-muçulmanos, como a jizya, um imposto específico para judeus e cristãos. O debate nos EUA gira em torno da preocupação de que conselhos religiosos locais possam dispensar julgamentos que contradigam a lei oficial, enquanto a lei canônica católica se limita a ser uma 'pasta de estatutos' para os fiéis, sem interferir na esfera pública nacional.
Como a liberdade religiosa é interpretada neste cenário constitucional?
O professor David Long, da Universidade Católica da América, ressalta que a analogia de El-Sayed faz sentido apenas como um apelo à liberdade religiosa, mas falha juridicamente. Ele explica que católicos e muçulmanos têm o mesmo direito de observar obrigações religiosas sem impô-las a concidadãos, porém, isso não torna as duas tradições equivalentes. A distinção crucial reside no fato de a jurisprudência islâmica fornecer regras para o governo civil, enquanto a autoridade da lei canônica é estritamente espiritual e institucional, não possuindo poder coercitivo estatal ou jurisdição civil.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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