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30/10/2026 21:03

Professores temporários já representam 58% do total de profissionais em SP

Em agosto de 2026, a proporção de professores temporários em sala de aula atingiu 58,2% do total de docentes na rede pública estadual de ensino de São Paulo, o que representa uma inversão histórica no perfil do seu funcionalismo.

De acordo com registros oficiais da Seduc-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo), obtidos por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), pelo CPP (Centro do Professorado Paulista), o número de educadores sem vínculo efetivo mais que triplicou em oito anos, saltando de 28.288 profissionais em 2018 para 94.109 em 2026.

Em 2018, essa modalidade contratual correspondia a apenas 18,8% dos docentes em regência de classe na rede paulista. Esse crescimento expressivo alterou a estrutura da educação no estado em um contexto de encolhimento do quadro geral de docentes, cujo total recuou de 171,1 mil em 2025 para 161,7 mil em 2026.

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O Estado acumulou 169.495 desligamentos de professores entre janeiro de 2018 e agosto de 2026. Com isso, o modelo de contratação temporária — que inicialmente tinha como objetivo cobrir licenças médicas e afastamentos pontuais — se tornou a principal engrenagem do governo estadual.

A expansão dos contratos emergenciais ocorreu após a homologação do concurso público, em 2023. Embora a gestão estadual tenha nomeado 10.254 professores efetivos em 2025 e outros 3.167 até agosto de 2026, a entrada dos aprovados não conteve o avanço provisório, já que apenas nos primeiros oito meses de 2026, o Estado formalizou mais de 36 mil novos contratos temporários.

Para o presidente do CPP, o pedagogo e advogado Alessandro Soares, essa volatilidade contratual fragiliza as escolas públicas e prejudica a aprendizagem dos estudantes ao romper o elo de confiança entre professor, aluno e comunidade escolar. Segundo ele, a troca frequente de docentes impede a consolidação de projetos pedagógicos de médio e longo prazo.

Além dos impactos em sala de aula, os professores temporários enfrentam interrupções salariais periódicas entre contratos, menor acesso a formações continuadas e restrições para assumir funções de coordenação pedagógica, o que acaba sobrecarregando os profissionais fixos das unidades.

A instituição defende a realização urgente de concursos públicos amplos e frequentes, acompanhados de planos de carreira estruturados, como única via para garantir estabilidade funcional e recuperar a qualidade do ensino público em São Paulo.

Número de professores está reduzindo no Brasil: como reverter situação?

 

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