Justiça decreta prisão de deputado estadual eleito em Pernambuco por suspeita de extorsão
Advogado afirma que não teve acesso integral ao processo, questiona provas e aponta possível vazamento de informações sob segredo de Justiça
Por Pedro Lima
Notícia
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Atualizado às 20:12, 30/10/2026 | Publicado às 20:11, 30/10/2026
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Resumo
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Justiça de Pernambuco decretou a prisão preventiva de Emerson Freitas (MDB), eleito deputado estadual.
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Influenciador é investigado por suspeita de extorsão.
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Defesa afirma que o inquérito apresenta irregularidades.
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MDB informou que acompanhará o caso e defendeu o respeito ao devido processo legal.
A Justiça de Pernambuco decretou a prisão preventiva do influenciador digital e deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB), denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por suspeita de extorsão. A decisão foi expedida na quinta-feira, 29 pela 15ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Emerson está sendo procurado pelas autoridades desde a expedição do mandado. Ele foi eleito para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) com 49.254 votos, sendo o segundo candidato mais votado do MDB, partido que conquistou duas cadeiras na Casa. A posse dos novos deputados está prevista para 1º de fevereiro de 2027.
O mandado identifica o influenciador como Emerson Jhuan Pereira do Nascimento e enquadra o caso no artigo 158 do Código Penal, que trata do crime de extorsão. A decisão foi assinada pelo juiz Abérides Nicéas de Albuquerque Filho e determina que a necessidade de manutenção da prisão cautelar seja reavaliada em 90 dias.
A ordem consta na decisão que recebeu a denúncia apresentada pelo MPPE contra Emerson e Rizelly da Silva Santos. No trecho reproduzido no mandado, a determinação de prisão preventiva é direcionada expressamente ao influenciador. O processo tramita sob segredo de Justiça.
Segundo reportagem da Marco Zero Conteúdo, que revelou o caso, Emerson é acusado de se passar por policial militar para extorquir uma mulher vítima de violência doméstica. De acordo com a publicação, ele se apresentava como “sargento Emerson” e dizia ser homem de confiança da governadora Raquel Lyra (PSD) e da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Ainda segundo o veículo, durante buscas na residência do influenciador, a Polícia Civil encontrou um distintivo policial, um gorro da Polícia Militar e munições de uso restrito.
Defesa questiona provas e diz não ter acesso integral ao processo
Nesta sexta-feira, 30, em entrevista coletiva no Recife, a defesa contestou a ordem judicial, afirmou que o político é inocente e apontou supostas irregularidades na investigação. O advogado criminalista Weryd Simões afirmou que a defesa ainda não teve acesso integral ao procedimento judicial e questionou a condução da investigação.
Segundo ele, o inquérito foi instaurado em julho e reúne registros de publicações no Instagram e conversas pelo WhatsApp. O advogado sustentou que a apuração teria começado depois de Emerson publicar vídeos e conteúdos nas redes sociais sobre a atuação de organizações criminosas em Pernambuco. “Ele foi às redes sociais denunciar o crime organizado, denunciar o toque de recolher, denunciar as facções”, afirmou Simões.
Na versão apresentada pelo advogado, a Polícia Civil teria passado a investigar o influenciador em vez de apurar as denúncias feitas por ele. “A polícia, em vez de investigar os criminosos responsáveis por esse toque de recolher, começou a investigar o próprio Emerson, alegando ter feito uma análise, uma perícia num aparelho celular”, declarou.
A defesa afirmou ainda que solicitou acesso à decisão judicial, mas não conseguiu consultar o conteúdo integral do processo. Para Simões, a restrição impede que os advogados conheçam todas as acusações e preparem a contestação.
Advogados questionam divulgação de informações sigilosas
Outro ponto levantado pela defesa foi a divulgação de informações sobre o caso antes de os advogados conseguirem consultar os autos. Simões classificou a situação como um possível “vazamento seletivo” e cobrou esclarecimentos sobre a circulação de dados de um procedimento que tramita sob segredo de Justiça.
Os advogados também negaram que a investigação tenha relação com a campanha eleitoral de Emerson e afirmaram que o influenciador se colocou à disposição das autoridades.
Em nota divulgada após a decretação da prisão, o próprio Emerson afirmou que não pretende recuar diante da decisão judicial e atribuiu a situação a uma tentativa de intimidação. “Não me curvarei à intimidação, à censura ou a qualquer tentativa de perseguição. Meu compromisso não é com os poderosos, mas com o povo pernambucano. Nenhuma pressão me fará desistir de lutar por um Pernambuco onde quem tenha medo sejam os criminosos, e não os cidadãos de bem”, comentou.
O diretório estadual do MDB informou que tomou conhecimento do mandado por meio da imprensa. Em nota, a legenda afirmou que acompanhará o caso e aguardará os esclarecimentos das autoridades. O partido também declarou respeito ao devido processo legal, ao direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
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