Após incêndio, ong de crianças e adolescentes de Brasília Teimosa pede apoio para se reerguer
A luta pelos direitos das crianças e adolescentes em Pernambuco tem a Turminha do Flau como uma de suas organizações símbolo. Com décadas de atuação com educação e cultura para os pequenos de Brasília Teimosa, na zona sul do Recife, a organização não-governamental foi atingida por um incêndio na última terça-feira (27), perdendo completamente sua cozinha e parte do primeiro andar, em plena semana em que comemoraria os seus 44 anos de fundação. Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio foi causado por um vazamento de gás. Não houve pessoas gravemente feridas, mas alguns adultos inalaram muita fumaça na tentativa de conter o fogo.
A organização ainda não precificou os danos, mas nas redes sociais destaca as perdas de equipamentos da cozinha, espaço fundamental para garantir a alimentação das crianças e adolescentes que integram o projeto. “Toda contribuição é bem vinda. Juntos, vamos reconstruir esse espaço de aprendizado, afeto e oportunidades”, destaca a mensagem da instituição, que disponibilizou a chave Pix para receber doações: 24.130.833/0001-35 (CNPJ).
Figuras públicas como o padre Fábio Potiguar; o ex-prefeito do Recife João Paulo (PT); a deputada estadual mais votada de Pernambuco, Dani Portela (PT); a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT); e a rede de cozinhas populares Mãos Solidárias se somaram à campanha de apoio à entidade, cujo trabalho social já é parte da história daquele território. Nesta sexta-feira (30) houve um mutirão de limpeza no local.

Na mesma data, divulgou uma carta com pedido de apoio “de pessoas, instituições, empresas e parceiros que acreditam na força da educação, da cidadania e da transformação social. Nossa missão é inspirada no compromisso de apoiar os mais pobres, é acolher crianças e adolescentes da comunidade, oferecendo oportunidades de aprendizagem pela educação, cultura, ecologia e segurança alimentar”. A entidade precisa de apoio na recuperação da cozinha e outros espaços atingidos, destacando a necessidade de eletrodomésticos, mobiliário e utensílios de cozinha para que as atividades sejam retomadas com dignidade e segurança.
O documento também anuncia que a entidade está organizando um anexo na rua Brazópolis, nº 51, para manter as atividades em Brasília Teimosa. E avisa que “a Turma do Flau continua de pé”. “Acreditamos que o fogo pode destruir paredes, equipamentos e estruturas, mas não pode apagar 44 anos de história, sonhos e luta, de conquistas e compromisso com a vida. (…) O nosso projeto e a nossa esperança são maiores que o fogo”, diz a carta.
Nas redes sociais, a ong também agradece o apoio recebido até agora. “Os vizinhos e amigos não mediram esforços no momento do ocorrido. Enquanto esperávamos os bombeiros, os vizinhos foram apagando as chamas para que o fogo não se alastrasse pelas dependências. As doações têm chegado para que possamos recuperar o que se perdeu. Diante da solidariedade dos amigos, seja com ajuda financeira, seja com a presença amiga e com a doação de utensílios, a Turma do Flau reconhece que apesar de tudo, não perdemos a esperança”, diz a publicação.
Fundada no início da década de 1980 por um grupo católico encabeçado pela irmã Aurieta Xenofonte e com a bênção de Dom Hélder Câmara, a organização não governamental nasce no coração de Brasília Teimosa, à época uma comunidade tomada por palafitas, majoritariamente formada por famílias de pescadores e cujo nome remete à teimosia e resistência contra as remoções do Estado e à especulação imobiliária na valorizada região. O bairro fica na área central do Recife, especificamente num braço de terra ladeado pelo oceano Atlântico e pela foz do rio Tejipió.

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