Exército de gatos protege museu há 250 anos e já salvaram cidade duas vezes
Gatos do Hermitage mantêm tradição de proteger museu e são reconhecidos como heróis após salvar população de São Petersburgo em duas crises históricas
Por Murilo Tenório/Especial para O POVO
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Atualizado às 22:05, 30/10/2026 | Publicado às 22:05, 30/10/2026
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O Museu Hermitage, na Rússia, guarda um vasto acervo de peças, incluindo alguns dos maiores tesouros artísticos do mundo. No entanto, o prédio histórico também é famoso por abrigar “guardas invisíveis” que "trabalham" no local há mais de 250 anos para proteger o patrimônio: são mais de 50 gatos, que ajudam a controlar a população de ratos na região.
Os visitantes do Hermitage raramente veem os animais, principalmente porque eles não têm acesso às galerias. No entanto, os bichanos podem ser vistos nos jardins do museu durante o verão.
O porão do prédio e os pátios internos funcionam como abrigo para o chamado “exército felino”, expressão que se popularizou para definir o grupo de gatos que vive no museu.
Apesar disso, os animais tem até título formal com honraria pelos serviços prestados ao longo dos anos e são reconhecidos como funcionários do museu.
Os gatos recém-chegados são vacinados e a maioria é castrada para evitar a reprodução indevida. Cada animal tem um “passaporte” com sua fotografia para facilitar sua distinção, segundo o Instituto de Conservação e Restauro Pachamama.
Histórico dos bichanos no Hermitage: como surgiu o "exército de gatos" que protege museu na Russa?
O título de honra de "guardiões de galerias de arte" foi concedido aos felinos pela imperatriz Catarina II, em 1764. Antes disso, ainda em 1745, a imperatriz Elizabeth assinou um decreto oficial determinando que gatos fossem trazidos de Kazan para caçar roedores, informa o museu.
Quando o Hermitage foi aberto ao público, em 1852, os czares russos incumbiram os felinos de impedir que as obras-primas do museu se transformassem em comida de rato.
Assim como os descendentes da dinastia Romanov, os felinos sofreram uma grande redução em sua população durante a Revolução Russa e quase foram "extintos" da região, principalmente em razão da fome e do frio extremos que assolaram a sociedade após os conflitos civis.
Como consequência, uma infestação de ratos passou a atormentar a população de São Petersburgo. Na década de 1920, os roedores já haviam tomado boa parte dos poucos estoques de comida da região. Eles chegaram a destruir obras, manuscritos e outros artigos armazenados em porões e depósitos, inclusive em estruturas que hoje integram o Museu Hermitage.
Diante da infestação de ratos nas ruas de São Petersburgo, muitos moradores começaram a soltar seus próprios animais de estimação no centro da cidade para ajudar a controlar a situação. Essa foi a primeira de duas ocasiões em que um grupo de felinos teve papel decisivo para a sobrevivência da população local.
Infestação de ratos durante Segunda Guerra fez Rússia "importar" gatos para ajudar no controle das pragas
Décadas mais tarde, durante o cerco a São Petersburgo na Segunda Guerra Mundial, o Museu Hermitage ficou sem seu "exército" de animais protetores, devido às condições extremas e adversas daquele período histórico. Na época, a cidade e as regiões próximas foram assoladas por uma nova infestação de ratos.
A solução foi importar pelo menos quatro vagões de trem cheios de gatos esfumaçados, de pelagem cinzenta, provenientes da região de Yaroslavl e considerados excelentes caçadores. Posteriormente, milhares de outros felinos chegaram da Sibéria.
Alguns foram enviados para trabalhar no Palácio de Inverno, enquanto outros passaram a integrar novamente a guarda do museu. A participação dos felinos foi tão importante para a sobrevivência dos moradores de São Petersburgo nos anos seguintes ao conflito que, até hoje, registros históricos oficiais destacam o papel fundamental do chamado "Esquadrão Felino" de 1943.
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