O Povo
30/10/2026 23:00

Pecém precisa de US$ 356,5 mi para se tornar polo eólico offshore, diz estudo

Economia

Levantamento do MME e do Mpor projeta aporte no complexo portuário cearense para viabilizar nova ponte de acesso e infraestrutura em alto-mar

Por Isabella Pascoal

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Publicado às 22:33, 30/10/2026

Pontes de acesso ao porto são apontadas como principais gargalos
Pontes de acesso ao porto são apontadas como principais gargalos Crédito: AURÉLIO ALVES

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Resumo

  • O Porto do Pecém precisará de US$ 356,5 milhões em investimentos para se adaptar como polo de energia eólica offshore, aponta estudo Brasil-Dinamarca.

  • Selecionado no Nordeste junto a Suape, o porto cearense exige uma nova ponte de acesso reforçada para superar gargalos no transporte de cargas pesadas.

  • O levantamento prevê aporte de R$ 2 bilhões no cenário de turbinas de grande porte, destacando a sobreposição do Pecém com áreas de parques marítimos.

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Pendente também de um decreto regulatório, ainda que as obras começassem hoje, seriam necessários de cinco a seis anos para um parque eólico offshore ser viabilizado no Pecém, segundo o presidente da Energo Soluções em Energia, Adão Linhares.

"Um parque eólico desse não é para amanhã. Não é igual um parque solar que se faz em dois anos. Um parque desse leva, no mínimo, cinco anos, podendo chegar a seis. São pelo menos quatro anos para você começar a montar e terminar em mais dois anos a montagem de todas as turbinas", explica.

O complexo portuário foi selecionado em um estudo de cooperação técnica internacional entre o Brasil e a Dinamarca como um dos locais mais estratégicos do País para a implantação e o suporte logístico de parques eólicos no mar.

A pesquisa foi apresentada nesta quarta-feira, 28 de outubro, pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) durante o evento Brazil Windpower 2026.

Diferentemente da tecnologia onshore — em terra — o ambiente marítimo aproveita ventos mais constantes e de maior velocidade, o que faz as pás girarem com maior eficiência e gera mais energia por turbina.

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Ao todo, o levantamento avaliou detalhadamente seis complexos portuários no Brasil, sendo dois por região.

No Nordeste, ao lado do Pecém, foi selecionado o Porto de Suape, em Pernambuco.

A lista inclui ainda o Porto Central (Espírito Santo) e o Porto de Açu (Rio de Janeiro), no Sudeste, e o Porto de Imbituba (Santa Catarina) e o Porto de Rio Grande / Estaleiro EBR (Rio Grande do Sul), no Sul.

Projetos no Ceará e gargalos operacionais no Pecém

O estudo destaca que o Porto do Pecém possui sobreposição espacial total com as áreas mapeadas para parques offshore no Nordeste e abriga um polo ativo de fabricação de pás eólicas dentro do complexo portuário.

Além disso, o comprimento do cais, a profundidade do canal de navegação e a bacia de evolução atendem aos requisitos técnicos para projetos de grande porte (Large Offshore).

Contudo, o levantamento aponta um gargalo estrutural crítico: a configuração das atual das pontes de acesso que ligam os pátios em terra aos berços de atracação no mar.

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Como toda a carga precisa passar por duas pontes, há restrições de peso e tamanho dos componentes movimentados.

"O Plano Diretor inclui uma zona dedicada ao terminal de energia eólica offshore e uma expansão de longo prazo do quebra-mar em forma de F, refletindo uma intenção institucional genuína de desenvolver a capacidade de energia eólica offshore", aponta o relatório dinamarquês-brasileiro.

Investimentos previstos para adequação do porto

Para adaptar a infraestrutura do Porto do Pecém aos projetos marítimos, o relatório estima três cenários principais de aporte financeiro:

  • Large Offshore (turbinas de 15 MW a 20 MW): US$ 356,5 milhões (cerca de R$ 2 bilhões). O valor inclui a construção de uma nova ponte de acesso reforçada para cargas pesadas (US$ 125 milhões), aterro hidráulico e preparação do solo (US$ 82,5 milhões), berço de cais (US$ 65 milhões) e pavimentação de pátios (US$ 44 milhões).
  • Nearshore – Cenário 1 (cais dedicado para turbinas de 6 MW a 8 MW): US$ 91 milhões.
  • Nearshore – Cenário 2 (uso compartilhado da estrutura existente): US$ 35,5 milhões.
  • Base de Operação e Manutenção (O&M): Cerca de US$ 20 milhões.

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Em termos comparativos para projetos Large Offshore, o valor de adaptação exigido no Pecém (US$ 356,5 milhões) é superior ao de outros portos avaliados — como Suape (US$ 187,5 milhões), Porto Central (US$ 142,5 milhões), Açu (US$ 129 milhões) e Rio Grande (US$ 64 milhões) — justamente pela necessidade de construção da nova ponte de acesso para cargas superpesadas.

Em termos globais de projeto, a construção de um parque gerador offshore exige investimentos de referência de US$ 2,9 milhões por megawatt (MW) instalado em projetos Nearshore (200 a 250 MW) e de US$ 4,7 milhões por MW em empreendimentos Large Offshore (500 MW).

Impactos ambientais seriam mínimos

O presidente da Energo Soluções em Energia, Adão Linhares, afirma que os impactos ambientais do projeto seriam mínimos.

“O impacto ambiental é muito menor do que, por exemplo, uma plataforma de petróleo, porque não vai tirar nada de lá, vai tirar o vento só, o vento que está passando. Não vai produzir nenhum resíduo líquido, sólido ou gasoso. O (impacto) visual vai estar em uma distância do mar que você praticamente não vê. É como se você visse uma jangada ou um navio lá no horizonte, não tem efeito nenhum”, explica Linhares.

“Lá embaixo, nós fizemos os estudos aqui, é completamente deserto, não tem peixe, não tem nada. O que teria algum impacto seria na construção, mas é o barulho, por exemplo, de cavar, de botar a fundação, é só durante aquele período, mas que pode ser perfeitamente reduzido, mitigado ou praticamente eliminado”, acrescenta o especialista.

Ele conclui afirmando que o transporte dos equipamentos sairia do Pecém em balsas flutuantes, um a um. “Seria como é feito hoje no mundo todo. O mundo todo faz isso: a Dinamarca, a Alemanha, a Ásia, a Austrália. Tem parque eólico offshore em situações muito mais complexas”, resume. (Colaborou Adriano Queiroz)

A gigante do aço do Pecém e sua relevância para o Ceará | Raio X

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