Bolsa de Valores registra pior semana desde 2020
O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou, ontem, o quinto pregão consecutivo de baixa após a conclusão do segundo turno das eleições no Brasil. O indicador cedeu 0,75%, aos 167.921 pontos. Com o resultado, a Bolsa de Valores (B3) encerra a semana com queda acumulada de 18,12%, o pior desempenho desde 2020 e a quinta maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994.
Os dados são do levantamento da Elos Ayta, com base em dados da B3. “A queda de outubro de 2026 apresenta uma diferença importante em relação aos quatro episódios anteriores: o principal catalisador foi um acontecimento político brasileiro. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contrariou expectativas de parte dos investidores, que haviam incorporado aos preços dos ativos a possibilidade de mudança na condução da política econômica. A reversão dessas expectativas provocou forte correção das ações brasileiras”, explica a consultoria, em nota.
A maior queda semanal registrada pelo estudo aconteceu na semana de 31 de outubro de 1997, quando o Ibovespa recuou 22,17%, durante a crise financeira asiática, marcada pela fuga de capitais dos mercados emergentes. Em segundo lugar, aparece em 10 de outubro de 2008, com perda de 20,01% na semana, em meio à crise financeira global agravada pela falência do banco americano Lehman Brothers.
Na terceira posição, o índice caiu 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, que marca o início oficial da pandemia do coronavírus. A quarta maior desvalorização ocorreu em 14 de setembro de 2001 (-18,12%), semana dos atentados terroristas nos Estados Unidos.
Projeção dos analistas
No balanço do mês de outubro, a B3 totaliza desvalorização de 9,88%. A queda só não foi pior, porque a bolsa chegou a atingir o patamar histórico de 200 mil pontos neste mês, logo após o primeiro turno das eleições, que deu a vitória a Flávio Bolsonaro (PL). O momento agora, portanto, é de reorganização do mercado.
Segundo relatórios de instituições financeiras, a volatilidade deverá continuar. Em documento apresentado pelo BTG Pactual, analistas do banco projetam um quarto mandato desafiador para o presidente Lula, com necessidade de negociar com partidos do centrão para aprovar medidas. Nesse cenário, eles estimam queda expressiva das ações nas semanas seguintes ao pleito, com o Ibovespa na faixa dos 170 mil pontos.
O BTG também prevê desvalorização do real entre 10% e 15% no mesmo período. Para os analistas da instituição, juros mais altos por um longo período, câmbio desvalorizado e expectativas desancoradas dificultam um ciclo mais agressivo de cortes da taxa Selic pelo Banco Central, o que reforça a pressão sobre o mercado acionário brasileiro.
Dólar tem maior alta semanal desde 2008
No câmbio, as perspectivas também são de enfraquecimento do real. Para o Morgan Stanley, a alta da moeda americana deve ocorrer em etapas: primeiro até R$ 5,50 e, depois, para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70, caso o mercado passe a incorporar um prêmio maior pelo risco fiscal. Em um cenário mais pessimista, a cotação poderia se aproximar de R$ 6.
O JPMorgan projeta que o dólar chegue a R$ 5,50 nas próximas semanas. Já o UBS aponta R$ 5,40 como primeiro nível de referência para a moeda norte-americana e avalia que, embora os juros elevados continuem dando sustentação ao real, a incerteza fiscal deve prevalecer como principal fator de pressão sobre a moeda.
Nesta sexta-feira, o dólar teve grandes ganhos no pregão, com cenário de juros pelo mundo pesando nos ativos de risco. No fim do dia, subiu 1,10%, vendido a R$ 5,44. Com o resultado, a moeda termina a semana com alta de 9,15%, a maior desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. (Com Folhapress)
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