Flávio aposta em Trump, como o venezuelano Guaidó
Redação Tribuna do Norte • 30 de outubro de 2026 • 00h00

O deputado venezuelano Juan Guaidó foi aplaudido por Donald Trump em 2020 como o “verdadeiro e legítimo” presidente da Venezuela. Um ano antes, Washington o reconhecera como presidente interino, com base em decisão da Assembleia Nacional, que ele presidia. Recebeu o apoio dos Estados Unidos e de diversos países. Ocorre que a solidariedade de Washington foi condicionada a interesses econômicos. O livro do ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton relata que Trump desconfiava de Guaidó por não ter conseguido o apoio do Exército venezuelano. O presidente americano não pensava em democracia, mas no país com a maior reserva de petróleo do mundo, um potencial enorme e ainda quase todo por explorar.
O paralelo com o Brasil atual é que, como ocorreu com Guaidó, Flávio Bolsonaro acredita que o apoio de Trump poderia fortalecê-lo diante de questionamentos sobre o cenário político brasileiro. Quando visitou a Casa Branca recebeu elogios do presidente americano, que o descreveu como um jovem inteligente e patriota. Entretanto, Trump já mantivera contato com Lula, sempre guiado por interesses estratégicos.
Diferenças entre Guaidó e Flávio
Por justiça, há diferenças entre os dois. O brasileiro alcançou quase metade dos votos válidos do país; Guaidó nunca concorreu à presidência e vivia numa ditadura. Flávio terá que administrar a possível perda de espaço com o fim do seu mandato parlamentar, a prisão do pai, a permanência do irmão nos Estados Unidos e o surgimento de novas lideranças na direita para 2030. Ontem (29), a imprensa informou que ele pretende disputar de novo a presidência para evitar que a candidatura fique com Michelle Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas.
Sinais preocupantes
Nesse contexto, o risco para Flávio não está na derrota eleitoral em si, mas na expectativa de que Washington possa sustentá-lo politicamente. A história mostra que os Estados Unidos costumam apoiar quem detém poder e capacidade de negociação, ainda que não seja aliado. Guaidó, ao perder peso político, Trump se afastou. Para evitar destino semelhante, Flávio deveria concentrar esforços no cenário interno, preservando a confiança dos eleitores que o apoiam e buscando conquistar os que ainda não se identificam com seu projeto.
Guaidó apostou em Washington e perdeu o país. Flávio corre o risco de repetir o erro. No fim, Trump faz acordo com quem governa, não com quem sonha governar com a ajuda dele.
Curtinhas
Filme
12 Anos de Escravidão – Netflix – um negro nascido livre, que é levado de Nova York e vendido como escravo.
Frase
“Fanático é quem não muda de ideia e não muda de assunto.” (Winston Churchill)
Paulo Guedes investigado
O ex-ministro da Economia Paulo Guedes está sendo investigado pela Polícia Federal por suspeita de crime contra o sistema financeiro. Não há denúncia nem condenação, e o ex-ministro tem direito à presunção de inocência.
Conselho do governador de SP
O governador de SP, Tarcísio de Freitas disse que aconselhou o senador Flávio Bolsonaro a não sair do Brasil após a derrota. Ele também admitiu, pela primeira vez, que pode ser candidato a presidente da República em 2030.
Além do Bolsa Família
Reportagem de O Globo mostra que o maior crescimento de Lula ocorreu justamente em cidades mais ricas. A conclusão é que o petista não foi reeleito apenas pelos mais pobres e pelo Nordeste. Foi uma ampla convergência de eleitores, que rejeitaram o radicalismo, os ataques às instituições e a política do confronto permanente.
Teste para Trump (I)
A poucos dias das eleições legislativas de 3 de novembro, o governo de Donald Trump enfrenta o seu teste mais decisivo. Embora o nome do presidente não esteja na cédula, a disputa por todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 vagas no Senado funciona como um claro referendo sobre sua gestão.
Teste para Trump (II)
A vitória dos democratas na eleição de 3 de novembro acabará com a atual hegemonia republicana no Congresso, abrindo margem para investigações parlamentares. O resultado das urnas definirá se Trump terá governabilidade para sua agenda ou se passará a segunda metade do mandato sob forte paralisia institucional.
Novo desembargador do TJ-RN
O desembargador Henrique Baltazar tomou posse no Tribunal de Justiça do RN pelo critério de antiguidade. São mais de 40 anos de magistratura, boa parte deles na Vara de Execuções Penais de Natal, onde firmou fama de juiz eficiente. Caló comentou: passa a ter dois filhos no Tribunal, Henrique Baltazar e a desembargadora Berenice Capuxú. Ao novo desembargador, votos de êxito.
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