Cleitinho foi eleito com o voto mais barato entre os candidatos
A vitória do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) no primeiro turno das eleições para o governo de Minas Gerais expôs um contraste expressivo entre os gastos de campanha e o desempenho dos candidatos nas urnas. Levantamento exclusivo da equipe de Dados de O TEMPO, com base nas prestações de contas e nos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que o governador eleito teve o menor custo médio por voto entre os cinco candidatos mais escolhidos pelos eleitores na disputa: apenas R$ 0,15.
Os dados mostram, na avaliação do estrategista político Pedro Augusto Correia, que embora o volume de recursos financeiros seja importante para viabilizar uma candidatura, ele, por si só, não garante desempenho favorável de um candidato nas urnas.
A prova disso é que o nome com mais recurso total não conseguiu bom resultado no pleito deste ano. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparece no extremo oposto de Cleitinho, com o maior custo por voto – R$ 32,23 –, valor aproximadamente 210 vezes superior ao registrado pelo senador. Mas ficou na quinta colocação, com 3,54% da escolha dos eleitores.
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O segundo maior custo foi o do vice-governador Mateus Simões (PSD), com R$ 11,11 – que ficou em quarto lugar na disputa, com 4,65% dos votos. Já o deputado federal Patrus Ananias (PT), segundo colocado na briga pelo Palácio Tiradentes (26,34%), e o empresário Flávio Roscoe (PL), terceiro colocado (6,97%), apresentaram valores próximos, de R$ 3,61 e R$ 3,48, respectivamente.
O cálculo foi feito levando-se em consideração o valor da despesa total declarada por cada candidato na prestação de contas e o número de votos recebidos por eles, de acordo com o TSE. Porém, a diferença considerável permanece mesmo em um cenário hipotético, onde os adversários tivessem conquistado a mesma quantidade de votos de Cleitinho – 6.321.590 (55,4%) –, mantendo os gastos declarados à Justiça Eleitoral.
Nesse modelo de projeção, Cleitinho continua com o menor custo por voto, e Alexandre Kalil, com o mais alto – R$ 2,05. O valor médio por voto de Flávio Roscoe cairia para R$ 0,43, enquanto o de Mateus Simões seria de R$ 0,93. Já o de Patrus Ananias registraria R$ 1,71.
O levantamento também considerou uma segunda hipótese: quanto custaria cada voto se os candidatos tivessem alcançado a maioria absoluta necessária para vencer a eleição no primeiro turno, equivalente a 50% dos votos válidos mais um.
Nesse cenário, Roscoe teria custo médio de R$ 0,49 por voto, seguido por Simões, com R$ 1,03; Patrus, com R$ 1,90; e Kalil, com R$ 2,28. As simulações mantêm inalteradas as despesas pagas declaradas pelas campanhas e modificam apenas o número de votos utilizado no cálculo.
Os valores, no entanto, ainda podem sofrer alterações, já que os candidatos têm até o dia 3 de novembro para apresentar as prestações de contas finais à Justiça Eleitoral. O levantamento de O TEMPO considera as despesas pagas declaradas ao TSE até 28 de outubro.
Na avaliação do estrategista político Pedro Augusto Correia, a diferença pode ser explicada, em parte, pelo reconhecimento que Cleitinho já havia conquistado entre os eleitores antes mesmo dos 45 dias oficiais de campanha.
Segundo o especialista, a construção da imagem pública do senador ao longo dos anos permitiu que ele adotasse uma postura mais discreta durante a disputa, sem precisar ampliar tanto sua exposição e, em consequência, gastando menos.
Forma de se mostrar ao eleitor é diferencial
O reconhecimento prévio de Cleitinho, porém, não é suficiente para explicar o baixo custo do voto do senador, pondera o estrategista político Pedro Augusto Correia. Como exemplo, ele cita justamente Alexandre Kalil, que também chegou à eleição com uma trajetória conhecida do eleitorado, mas registrou o maior custo por voto.
Ex-presidente do Atlético e ex-prefeito de Belo Horizonte por dois mandatos, o pedetista deixou o comando da capital com 74% de aprovação para disputar o governo estadual em 2022, mas perdeu ainda no primeiro turno para o ex-governador Romeu Zema (Novo), que foi reeleito.
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Na corrida de 2026, Kalil chegou a aparecer em segundo lugar nas pesquisas, alimentando a possibilidade de enfrentar Cleitinho em um eventual segundo turno. Ao longo da campanha, entretanto, perdeu espaço e terminou a disputa na quinta colocação.
Para o especialista, a diferença entre os dois candidatos está na maneira como suas imagens foram construídas perante o eleitorado. “Mais do que ser conhecido, é como o Cleitinho era conhecido”, analisa Correia.
Ele avalia que o governador eleito conseguiu estabelecer uma identificação com parte dos eleitores ao adotar uma linguagem próxima do cotidiano e abordar questões percebidas pela população.
“O Cleitinho acertou na forma e no conteúdo. Na forma, porque ele se comporta como um cidadão médio, fala a língua do cidadão médio; e, no conteúdo, porque ele fala sobre os problemas que esse cidadão médio percebe com mais facilidade no seu dia a dia”, afirma.
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