COMPETITIVIDADE MG fica em 15º em negócios e atrás de vizinhos do Sudeste
Um estudo do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, realizado em parceria com o Instituto Millenium, traçou um diagnóstico do ambiente de negócios no país e apontou os gargalos que Minas Gerais precisa enfrentar para aumentar sua competitividade frente aos seus vizinhos da Região Sudeste.
O estudo deu origem ao Índice Mackenzie-Millenium de Ambiente de Negócios Estadual (IMANE), que avaliou 26 estados brasileiros em uma escala de 0 a 10 - o Distrito Federal não foi incluído na amostra. Na classificação geral, Minas Gerais obteve 4,35 pontos e ocupou a 15ª posição nacional. A pontuação que coloca o estado ligeiramente abaixo da média nacional, fixada em 4,67 pontos.
No contexto regional, a diferença em relação aos demais estados do Sudeste evidencia o espaço de evolução para o ambiente de negócios mineiro. São Paulo lidera o ranking nacional com 6,09 pontos, seguido pelo Espírito Santo, em 7º lugar (5,00 pontos), e pelo Rio de Janeiro, na 12ª posição (4,91 pontos).
Sudeste no ranking
Estado, nota IMANE (posição nacional)
- São Paulo, 6,09, (1°)
- Espírito Santo, 5,00 (7°)
- Rio de Janeiro, 4,91 (12°)
- Minas Gerais, 4,35 (15°)
Média nacional: 4,67
Estrutura da análise
O IMANE é estruturado a partir de dez variáveis e 23 indicadores elementares, distribuídos em três dimensões principais:
- Intervenção do Governo: analisa o impacto dos gastos públicos, da carga tributária e das regulações trabalhistas na economia local.
- Operação de Empresas: examina as condições para a abertura e manutenção de negócios. Abrange o dinamismo empresarial, a infraestrutura e a celeridade do poder judiciário.
- Capital Humano: engloba dados de educação, saúde e segurança pública.
O coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, Vladimir Fernandes Maciel, afirma que os resultados do estudo mostram que o Brasil, como um todo, precisa melhorar bastante seu ambiente de negócios, o qual considerou como “medíocre”.
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Outro ponto é a diferença do ambiente de negócios entre estados do mesmo país. “Há diferentes padrões regionais de ambiente de negócios, refletindo a desigualdade territorial das condições para empreender”, analisa.
Topo do ranking
De acordo com o levantamento, os estados localizados no topo do ranking compartilham altas pontuações nas áreas de educação, saúde e segurança pública, o que evidencia que tributos reduzidos não compensam os custos gerados pela criminalidade e pela escassez de mão de obra qualificada.
O estudo conclui ainda que ilhas isoladas de excelência não sustentam o desenvolvimento econômico, como nos casos em que a agilidade na abertura de empresas é neutralizada pela falta de infraestrutura de escoamento. Além disso, a qualidade dos serviços públicos exerce um peso maior sobre os custos operacionais das empresas do que a concessão de incentivos fiscais.
O contraste da liderança paulista ilustra essa dinâmica. São Paulo destaca-se na dimensão de Capital Humano (7,35), impulsionado pelas notas em Segurança (8,33), Educação (7,66) e Qualidade da Infraestrutura (10,00). No entanto, o estado líder nacional apresenta fragilidades em casos como Tributação (3,10) e Dinamismo Empresarial (1,08).
Nas extremidades da tabela nacional, as três primeiras colocações são ocupadas por São Paulo (6,09), Santa Catarina (5,68) e Goiás (5,60). Já na parte inferior do índice figuram a Bahia (3,69), Roraima (3,68) e o Amazonas (3,45).
Guia para políticas públicas e competitividade
Além da elaboração do ranking, a proposta do IMANE é oferecer um mapeamento preciso sobre os pontos fortes e as vulnerabilidades de cada unidade da federação, servindo de base para o planejamento econômico e a formulação de políticas públicas.
O maior valor do índice, destaca o diretor executivo do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, é, primeiramente, prover um parâmetro comparável para que cada estado entenda, de fato, qual é a sua posição em relação aos demais.
Depois, servir como um guia para os tomadores de decisão do poder público. “O índice oferece uma ferramenta mensurável para que cada governo estadual consiga entender onde precisa avançar para melhorar sua competitividade”, declara.
Ricardo Gomes acrescenta que o desdobramento direto do uso dessas métricas é o fortalecimento do ecossistema econômico do país. “O resultado esperado é que os governos reajam aos indicadores e promovam melhorias nos estados, o que, consequentemente, contribuirá para melhorar a competitividade do Brasil. E isso se converte, lá na frente, em prosperidade, mais investimentos, emprego, renda e geração de oportunidades”, finaliza.
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