Campo Grande News
No Halloween, grupo encara mistérios da antiga Clínica Carandá
Campo Grande tem construções que, mesmo depois de perderem sua função original, continuam despertando curiosidade. Prédios desativados, corredores vazios e histórias misteriosas alimentam a imaginação de quem gosta de um bom susto. Para entrar no clima de Halloween, celebrado neste sábado (31), o Lado B acompanhou o Projeto Meia-Noite na segunda exploração da antiga Clínica Carandá, no Bairro Carandá Bosque. A visita teve direito a lanternas, orações, relatos de experiências inexplicáveis e muito medo. A equipe voltou ao imóvel na quinta-feira (29) para conhecer ambientes que ficaram de fora da primeira gravação. Com lanternas em mãos, os integrantes percorreram salas, escadas e corredores pouco iluminados, enquanto relembravam histórias que ouviram sobre o local. Para quem acompanhava a exploração pela primeira vez, o desafio era controlar o nervosismo e seguir o grupo, principalmente quando a conversa chegava aos relatos de supostas manifestações sobrenaturais. O Projeto Meia-Noite reúne Cleverson Lopes dos Santos, Paulo Guilherme Ferreira Sena, Mateus Marques Alves dos Santos e Eliedson Borges dos Santos. A iniciativa surgiu depois que Borges, que trabalhava como vigilante durante a madrugada, começou a observar situações que considerava estranhas enquanto fazia rondas pela cidade. Como já tinha seguidores nas redes sociais, resolveu compartilhar as experiências e consultar o público sobre a possibilidade de explorar lugares pouco conhecidos. "Eu era vigilante, trabalhava de madrugada e via muitas coisas esquisitas, estranhas, por estar rondando. Como eu já tinha um público, resolvi postar. Achei um local abandonado, postei nas redes sociais, deu certo e resolvi criar uma equipe", contou Borges. Entrando na clínica - Antes de entrar na clínica, os exploradores reuniram os equipamentos, conversaram sobre os cuidados necessários e fizeram uma oração. O costume, segundo eles, faz parte da preparação para cada visita. Além de observar os riscos de caminhar por uma construção desativada, o grupo procura respeitar as histórias e crenças relacionadas aos lugares que visita. Para os integrantes, pedir licença é uma forma de demonstrar que não estão ali para provocar ou desrespeitar ninguém. Durante as explorações, a equipe também adota uma estratégia de segurança. Enquanto Borges segue pelo imóvel, um integrante permanece na retaguarda e outros 2 observam a parte da frente, atentos à possível aproximação de desconhecidos. O grupo também leva armas cenográficas, que, segundo os participantes, servem para intimidar alguém caso se sintam ameaçados. "A gente geralmente ora, faz uma preparação do local e pede o cuidado de Deus. Se há alguma entidade, alguma questão espiritual, fazemos questão de comunicar que não viemos com a ideia de prejudicar, provocar nenhum alvoroço. Nosso interesse é somente explorar o local", explicou Borges. A tensão aumentou conforme a equipe avançou pelos corredores. Durante a caminhada, os integrantes relembraram um episódio da primeira exploração, quando uma das participantes afirmou ter ouvido uma voz feminina enquanto gravava. O relato chamou a atenção do grupo, que decidiu retornar ao ponto onde a situação teria ocorrido. Ninguém conseguiu confirmar a origem do som. A equipe também comentou histórias antigas envolvendo a clínica e construções da região. Alguns relatos mencionavam supostos acontecimentos trágicos, mas não havia documentos ou informações que comprovassem essas narrativas. Mesmo sem confirmação, as histórias faziam parte das conversas dos exploradores e aumentavam a expectativa sobre o que poderiam encontrar nos ambientes ainda desconhecidos. O tamanho da antiga clínica foi um dos motivos para a segunda visita. Segundo Borges, o grupo não conseguiu percorrer todos os espaços na primeira gravação e decidiu retornar para conhecer outras partes do imóvel. Durante o trajeto, os integrantes encontraram áreas com sinais de danos, ambientes escuros e um trecho que aparentava ter sido atingido por um incêndio. Também localizaram roupas, colchão e alimentos em uma área que levantou a suspeita de que alguém pudesse estar utilizando o espaço como abrigo. "Hoje é o nosso segundo episódio aqui da Clínica Carandá Bosque. Como aqui é muito grande, ficaram algumas partes sem entrar. Hoje a gente veio justamente para conhecer o que falta. Todo local que a gente vai, sempre pesquisa antes e pede permissão. Se não tiver permissão, a gente não entra", afirmou Borges. Apesar da aparência de abandono, a antiga Clínica Carandá está desativada, mas não completamente abandonada. A incorporadora FRZ Engenharia, responsável pelo imóvel, informou ao grupo que já realizou limpezas no terreno e possui um projeto para transformar a área em um empreendimento. A proposta ainda depende de aprovação. A equipe conseguiu autorização para realizar as gravações, com o esclarecimento de que o espaço possui responsáveis e recebe cuidados. Experiência - Para o Lado B, acompanhar a exploração significou enfrentar não apenas os corredores escuros, mas também o próprio medo. Enquanto os integrantes do Projeto Meia-Noite sugeriam conhecer o subsolo e outros ambientes, a reportagem negociava até onde conseguiria acompanhá-los. Dentro da antiga Clínica Carandá, o cenário já assustava antes mesmo de entrar no prédio. O terreno estava tomado pelo mato e pelo barro, e, para acessar a construção, era necessário subir um degrau alto. As paredes estavam cobertas de pichações, incluindo avisos como “não entre aqui”, além de marcas de paintball, já que o espaço também recebe equipes para a prática da atividade. Durante a caminhada, não era possível ficar parado por muito tempo por causa da quantidade de formigas espalhadas pelo local. Ao entrar nos cômodos, a situação ficava ainda mais assustadora. A clínica possui muitos quartos, paredes pintadas de branco e espaços repletos de lixo, cacos de vidro e objetos que pareciam pertencer a pessoas que passaram pelo imóvel. Na parte inferior da construção, as escadas levavam a ambientes com ainda mais sujeira e também abafados. Pelo chão, havia terra, barro, água acumulada, fezes e pedaços de vidro, o que exigia atenção a cada passo. O medo também virou assunto entre a equipe. Enquanto os integrantes do Projeto Meia-Noite tentavam convencer a reportagem a continuar a exploração, principalmente até o subsolo, a coragem começava a faltar. Segundo eles, aquela era uma das partes mais assustadoras da clínica, com uma aparência que lembrava cenários de filmes de terror. A insistência para conhecer o ambiente rendeu uma conversa entre risadas e nervosismo. “Você está com medo?”, questionou um dos integrantes. A resposta veio sem nenhuma tentativa de disfarçar: “Sim, estou”. Mesmo assim, o grupo continuou incentivando a descida. “O subsolo parece coisa de filme, de verdade”, comentou um dos exploradores. A curiosidade até existia, mas, naquele momento, o problema era encontrar coragem para seguir em frente. A cada história contada, surgia uma nova razão para pensar duas vezes antes de continuar. Mesmo sem qualquer aparição sobrenatural comprovada, o cenário e a expectativa de encontrar algo inesperado garantiram os sustos da noite. A segunda visita mostrou que ainda existem histórias e espaços a conhecer dentro da antiga clínica. A repórter acompanhou o Projeto Meia-Noite por cerca de meia hora, mas os integrantes seguiram com a exploração, que começou às 20h30 e terminou à meia-noite. Depois que a reportagem deixou o local, o grupo encontrou um espaço com indícios de que alguém poderia estar morando ali. Segundo Borges, havia roupas, colchão e alimentos espalhados pelo ambiente. Apesar dos objetos encontrados, não foi possível confirmar se alguma pessoa vive no imóvel. Para o Projeto Meia-Noite, a curiosidade é justamente o que mantém as explorações. Já para quem acompanhou a experiência, ficou a certeza de que não é preciso encontrar um fantasma para sentir medo. Às vezes, basta uma lanterna, um corredor escuro e alguém disposto a contar uma história assustadora. Para conferir os próximos vídeos do Projeto Meia-Noite e acompanhar as explorações anteriores, acesse o perfil @projetomeianoitems nas redes sociais.
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