Pesquisa da Uece busca adaptar criação de cabras e ovelhas às mudanças climáticas
Estudo da Uece investiga fatores genéticos e biológicos que podem ajudar cabras e ovelhas a manter a produtividade diante das mudanças climáticas
Por Caynã Marques
Notícia
Usada para todas matérias e reportagens que retratem fatos ou descrevam situações. Matéria baseada em fatos observados e verificados pelo repórter com fontes diversas. Notícias não possuem a opinião do repórter. Quando há análise, deve haver as duas definições: notícia e análise.
Atualizado às 10:33, 31/10/2026 | Publicado às 10:33, 31/10/2026
Compartilhe esse conteúdo!
Compartilhe também nas redes sociais:
Resumo
-
Uece lidera pesquisa internacional para adaptar ovinos e caprinos às mudanças climáticas.
-
O projeto busca criar sistemas de criação mais resistentes ao calor e à seca.
-
A iniciativa envolve instituições do Brasil, Argentina e Uruguai, auxiliando a investigação de aspectos genéticos, metabólicos e de reprodução dos animais.
-
O objetivo é desenvolver modelos produtivos sustentáveis e economicamente viáveis.
O projeto pretende contribuir para sistemas de criação mais resistentes ao calor, às secas prolongadas e à redução da disponibilidade de pastagens, condições que afetam a pecuária no Ceará e em outras regiões do País.
A rede de pesquisa reúne instituições do Brasil, da Argentina e do Uruguai. No território brasileiro, a iniciativa envolve equipes das regiões Nordeste, Norte e Sul, escolhidas por representarem diferentes sistemas de criação de ovinos e caprinos.
Seca aumenta pressão sobre os rebanhos
O cenário climático cearense reforça a importância do tema. Em setembro de 2026, a seca atingiu 89,02% do território estadual, segundo o Monitor de Secas. Apesar da abrangência, predominou a categoria de seca fraca, que correspondia a 84,47% do território. Outros 4,55% estavam classificados em seca moderada.
Na criação de caprinos e ovinos, a irregularidade das chuvas pode comprometer a disponibilidade de pastagens nativas, utilizadas como fonte de alimentação principalmente nos sistemas extensivos e semiextensivos.
Com menos alimento e temperaturas elevadas, os animais podem apresentar alterações fisiológicas que afetam o desenvolvimento, a reprodução e a produção de carne e leite.
Segundo Camila Muniz Cavalcanti, professora e pesquisadora do projeto, o calor excessivo exige respostas do organismo para manter a temperatura corporal. Entre elas estão o aumento da frequência respiratória e a redução do consumo de alimentos. Quando essas condições persistem, os efeitos podem se acumular.
"Quando cabras e ovelhas são submetidas a condições de calor intenso, ocorrem diversas alterações fisiológicas e metabólicas que podem comprometer a saúde, o bem-estar e a produtividade desses animais", explica.
A pesquisadora destaca que a redução na oferta e na qualidade nutricional das pastagens durante os períodos de seca agrava o problema. A diminuição do consumo de alimentos também pode prejudicar a fermentação ruminal, processo importante para a digestão dos ruminantes e o aproveitamento de nutrientes.
Entre as possíveis consequências estão perda de peso, redução da produção de leite e prejuízos ao desempenho reprodutivo.
Estudo investiga genética e mecanismos biológicos
Coordenado por Davide Rondina, professor do curso de Medicina Veterinária da Uece e cientista-chefe da Agropecuária do Ceará, o projeto tem duração prevista de três anos, com conclusão em 2028.
A iniciativa foi aprovada em chamada pública do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação.
A pesquisa investiga aspectos relacionados à epigenética, ao metabolismo, ao comportamento e à reprodução de caprinos e ovinos. O objetivo é compreender os mecanismos moleculares e a regulação dos genes associados à adaptação dos animais e utilizar esse conhecimento para desenvolver modelos produtivos mais resistentes às mudanças climáticas.
"Queremos utilizar este conhecimento para criar modelos produtivos de resiliência animal", afirma Rondina. A proposta é identificar características genéticas que ajudem os rebanhos a manter a produção mesmo em situações ambientais desfavoráveis, sem desconsiderar a necessidade de manejo adequado.
O estudo também pretende fornecer informações para melhorar os resultados econômicos dos criadores e avaliar práticas que contribuam para a sustentabilidade da atividade, incluindo o sequestro de carbono e a redução das emissões de gases de efeito estufa nos sistemas de produção.
Parceria reúne pesquisadores de três países
A cooperação internacional busca reunir a experiência de centros de pesquisa especializados em pequenos ruminantes e ampliar a investigação sobre a adaptação dos rebanhos a diferentes condições ambientais.
No Brasil, participam instituições como a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco).
A rede também conta com instituições de pesquisa argentinas e com a Universidad de la República, no Uruguai.
A articulação entre os países integra a proposta de desenvolver conhecimentos que possam contribuir para sistemas de produção mais resilientes, considerando as particularidades ambientais e produtivas de cada região.
Resultados e aplicação no campo
Parte das iniciativas relacionadas à adaptação dos rebanhos já vem sendo desenvolvida no âmbito do programa Cientista Chefe Pecuária, em parceria com o Governo do Ceará.
Rondina cita o cruzamento industrial das raças Dorper e Santa Inês, estratégia que busca combinar características de produtividade de carne com adaptação às condições brasileiras.
Segundo o pesquisador, experiências do trabalho já foram apresentadas a produtores e técnicos em encontros nos territórios dos Inhamuns e do Maciço de Baturité. A nova rede de pesquisa deverá ampliar o conhecimento científico disponível e contribuir para orientar práticas de criação diante das mudanças climáticas.
A equipe reúne quatro pesquisadores doutores, cinco doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da Uece e dez estudantes de graduação em Medicina Veterinária vinculados à iniciação científica.
Os resultados do projeto deverão subsidiar estudos e estratégias voltados à produtividade, ao bem-estar animal e à sustentabilidade da ovinocaprinocultura.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
