Após eleições, como aproveitar o feriado para desacelerar e cuidar da saúde mental
Psicólogo orienta retomar atividades cotidianas após período de tensão política; relatos apontam impactos no sono, nos estudos e nas relações pessoais
Notícia
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Atualizado às 10:57, 31/10/2026 | Publicado às 10:56, 31/10/2026
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Resumo
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Período eleitoral foi marcado por ansiedade, desgaste emocional e excesso de exposição às redes sociais;
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Psicólogo explica sinais de alerta e importância de recuperar a rotina;
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Leitura, exercícios físicos, contato com a natureza e convivência familiar são alternativas para desacelerar.
Após semanas marcadas por tensão política e acompanhamento intenso dos acontecimentos eleitorais, o feriado de Finados, na próxima segunda-feira, 2, pode ser uma oportunidade para desacelerar e recuperar o bem-estar. Durante o período, algumas pessoas relataram ansiedade, alterações no sono, dificuldade de concentração e maior envolvimento com discussões nas redes sociais.
A chamada “psicose política”, expressão popularizada nas redes sociais para descrever esse estado de tensão, também foi percebida na rotina de quem acompanhou intensamente a disputa. Para o psicólogo clínico Rômulo Araújo (CRP 11/18082), o período foi marcado por uma intensificação das emoções e dos comportamentos sociais.
“De fato, como sociedade, a gente viveu um período de excitação muito forte. A gente vê as pessoas tendo comportamentos mais agressivos, ansiosos”, observa.
O profissional ressalta que “psicose política” é uma expressão popular, não um diagnóstico clínico. Segundo ele, após momentos de tensão, é importante retomar gradualmente as atividades cotidianas, os compromissos pessoais e a convivência familiar.
O que é a chamada psicose política?
Embora tenha ganhado popularidade nas redes sociais, a expressão não deve ser confundida com um diagnóstico de psicose. O envolvimento intenso com discussões políticas, entretanto, pode vir acompanhado de sinais de desgaste emocional.
Entre os principais alertas, Rômulo aponta a perda da tolerância e da capacidade de respeitar opiniões diferentes, além dos conflitos nas relações pessoais.
“Será que eu saí muito fora do eixo, será que eu entrei na euforia, será que eu perdi a questão da tolerância, a questão do respeito com o diferente?”, questiona.
O psicólogo também chama atenção para os desgastes familiares provocados por divergências políticas. “Por mais que seja essencial, como cidadão, defender os nossos pontos de vista, mas até que ponto isso é tão essencial como um vínculo familiar?”, reflete.
Como aproveitar o feriado para desacelerar?
Para Rômulo Araújo, buscar atividades que proporcionem tranquilidade é uma maneira de recuperar o equilíbrio emocional após períodos de tensão.
“Quando alguém está naquele barulho muito grande ambiental ou um barulho muito grande interno da própria psique, essa pessoa precisa da calmaria”, explica.
Entre as práticas que podem ajudar nesse processo, o psicólogo cita caminhadas, esportes, recuperação do sono, convivência familiar, espiritualidade, meditação e leitura.
Confira outras alternativas para aproveitar os dias de descanso:
- Leia um livro físico: reserve um momento longe das telas e das notificações.
- Pratique exercícios físicos: faça caminhadas, passeios de bicicleta ou alguma atividade de que goste.
- Medite e respire conscientemente: dedique alguns minutos à tranquilidade e à atenção à respiração.
- Ouça música e consuma arte e cultura: assista a filmes, visite exposições ou aproveite atividades culturais.
- Encontre amigos e familiares: priorize momentos de convivência sem que as discussões políticas sejam o centro.
- Priorize o sono: aproveite o feriado para recuperar o descanso.
- Passe um tempo na natureza: visite uma praia, praça ou parque.
- Estabeleça limites para as redes sociais: silencie notificações e reserve períodos do dia para ficar longe do celular.
- Permita-se não fazer nada: descansar também significa não precisar preencher todos os momentos com compromissos.
Ansiedade afetou sono, estudos e relações pessoais
A estudante de Direito Sophia Magalhães relata que o envolvimento com a disputa eleitoral chegou a comprometer diferentes aspectos da rotina. Durante o segundo turno, passou a acompanhar notícias constantemente, produzir conteúdos políticos e compartilhar publicações em diferentes redes sociais.
“Eu ia dormir postando vídeo. No horário de almoço, ao invés de eu almoçar, eu estava vendo vídeo de política”, conta.
A estudante também dormia mais tarde, sentia-se cansada e teve dificuldades para conciliar a mobilização política com os estudos. As relações pessoais também foram afetadas, com desentendimentos familiares e compromissos com amigos deixados de lado.
Mesmo após as eleições, Sophia afirma que ainda encontra dificuldades para se desconectar. Por orientação de sua psicóloga, tem tentado reduzir o uso do celular e retomar atividades de lazer.
“Estou tentando ver filmes ou séries, porque não tem como eu ver notificação, não tem como o meu dedo acabar automaticamente clicando nas redes sociais. Eu consigo ter um tempo de lazer”, relata.
Já a educadora social Gabyres Carneiro descreve o período como um momento de tensão e cansaço mental, intensificado pela produção e pelo compartilhamento de conteúdos políticos.
“Eu não vejo como uma psicose política porque, na verdade, nós estávamos muito lúcidos. A gente estava percebendo o risco que nós poderíamos correr com as eleições”, afirma.
Mesmo depois da votação, Gabyres diz que ainda sente dificuldade para descansar completamente. “É um descansar meio sem descansar ainda”, resume. Para o feriado, pretende passar mais tempo com a família e ir à praia.
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