Calor exige atenção dos tutores à saúde dos animais, cuidados especiais para prevenir problemas
Redação Tribuna do Norte • 24 de outubro de 2026 • 17h00

Animais de estimação, assim como os humanos, também sofrem com as ondas de calor extremo. Temperaturas elevadas exigem cuidados especiais dos tutores e atenção redobrada à saúde do pet. Para cães e gatos, dias de temperaturas altas também podem representar riscos à saúde e exigir mudanças na rotina. A possibilidade de um período mais quente no Brasil associado ao retorno do El Niño, acende o alerta para que os tutores prestem mais atenção no bem-estar de seus bichinhos e previnam possíveis problemas de saúde decorrentes das temperaturas altas.
Em tempos de calor intenso e baixa umidade do ar, há problemas que ficam mais evidentes nos animais de estimação. Segundo a médica veterinária Irla Barbosa Rangel, especialista em dermatologia e alergologia animal, as altas temperaturas podem provocar desidratação, exaustão pelo calor, e hipertermia que, em casos graves, pode aumentar muito a temperatura do corpo do animal – o chamado “golpe de calor”, que pode causar uma grave emergência veterinária.
A médica explica que a baixa umidade também pode favorecer o ressecamento das mucosas oculares e respiratórias. Do ponto de vista dermatológico, o calor pode intensificar a coceira e o desconforto em animais que já apresentam doenças de pele, como a dermatite atópica. “É importante lembrar que o calor excessivo pode comprometer diversos órgãos, como rins e cérebro”, completa.
Há sinais que podem indicar o sofrimento do animal. Irla indica que respiração ofegante intensa, salivação excessiva, inquietação e fraqueza, podem ser sinais iniciais de estresse térmico. Já dificuldade respiratória, vômitos, diarreia, desorientação, convulsões ou perda de consciência são sinais de emergência. Também é importante observar alterações na pele, como vermelhidão e lesões após exposição solar, especialmente em regiões com pouca pigmentação ou pelos escassos.
Alguns animais são mais vulneráveis ao calor, devido a sua anatomia. Os braquicefálicos, que possuem o focinho curto e a cabeça mais arredondada, possuem maior dificuldade para dissipar o calor. Nos cães, é o caso de raças como pugs, buldogues e shitzus. Esses merecem atenção especial, assim como filhotes, idosos, animais obesos e aqueles com doenças cardíacas ou respiratórias.
Já os animais com pelagem densa (como o chow chow e o husky siberiano) podem precisar de cuidados adicionais, mas o risco depende de vários fatores, não apenas do comprimento dos pelos. “Pacientes com doenças dermatológicas também merecem atenção, porque o calor pode agravar o desconforto cutâneo. Entretanto, qualquer animal pode sofrer com temperaturas elevadas, especialmente quando exposto ao sol, sem ventilação ou sem acesso à água”, completa.
Cuidados
Amenizar os transtornos provocados pelo calor intenso é necessidade para animais e humanos. A hidratação é essencial para todos. “A água limpa e fresca deve estar sempre disponível. Recomendo distribuir vários recipientes pela casa, protegê-los do sol, trocar a água com frequência e até colocar cubinhos de gelo. Durante os passeios e viagens, é importante levar água e fazer pausas para hidratação”, recomenda.
A hidratação adequada ajuda a manter o funcionamento do organismo e a saúde das mucosas. Segundo a médica, os tutores devem observar mudanças no consumo de água, na quantidade de urina e no comportamento do animal. Se houver apatia, fraqueza ou suspeita de desidratação, é importante procurar orientação veterinária.
É importante manter os animais em ambientes ventilados, sombreados e protegidos do sol direto. Quando possível, o uso de ar-condicionado e ventiladores pode ajudar, assim como permitir acesso a pisos frios e superfícies refrescantes próprias para animais. A água fresca deve estar disponível em diferentes pontos da casa, e os exercícios intensos devem ser evitados nos horários mais quentes.
Os banhos devem respeitar as necessidades dermatológicas do animal, com produtos apropriados e sem excesso, pois práticas inadequadas podem comprometer a barreira cutânea. “Animais com doenças de pele precisam de cuidados individualizados, especialmente durante períodos de calor intenso”, complementa. É preciso ficar atento ao procedimento de secagem, que deve ser realizado com cautela para evitar problemas de pele decorrente de umidade.
A tosa é uma opção válida para refrescar os pets mais peludos, porém, deve ser realizada com cuidado, principalmente, em algumas raças com pelos longos que já desenvolveram adaptações ao clima quente e a retirada excessiva dos pelos pode afetar seus mecanismos naturais de regulação térmica.
Quanto à alimentação, Irla Barbosa afirma que animais saudáveis, em geral, não precisam ter a dieta modificada apenas por causa do aumento da temperatura. O mais importante é manter uma alimentação completa e equilibrada, adequada à espécie e às necessidades individuais, além de garantir água fresca em abundância.
Mas há sinais para se prestar atenção: “Alguns animais podem apresentar redução discreta do apetite nos dias mais quentes, mas a recusa persistente de alimento, especialmente quando acompanhada de apatia, vômitos ou outros sintomas, precisa ser investigada”, diz. Ela ressalta que não se deve oferecer aos animais suplementos eletrolíticos ou soluções de reidratação humanas sem orientação veterinária.
Passeios
O tradicional passeio externo com o pet também precisa ser programado nos horários mais amenos. “O ideal é passear no início da manhã ou à noite, quando a temperatura ambiente e a do solo estiverem mais amenas. O asfalto e as calçadas expostas ao sol podem provocar queimaduras nas almofadas das patas”, diz.
Ela recomenda um teste: encostar o dorso da mão no pavimento por cerca de sete segundos: se estiver quente demais para manter a mão confortavelmente, o passeio deve ser evitado naquele local. A médica indica trajetos sombreados, passeios mais curtos e água disponível. O início da manhã é o momento mais indicado, por volta das 5h ou 6h e, no máximo, até as 7h. No final da tarde e durante a noite, também há condições mais favoráveis.
A recomendação considera ainda o piso, que pode acumular calor e atingir temperaturas capazes de machucar as patas. Asfalto, calçadas, pedras e areia exigem atenção antes da saída. Em dias de calor extremo, pode ser mais seguro substituir o passeio por atividades leves dentro de casa, especialmente para animais braquicefálicos, idosos ou com doenças preexistentes.
Além da desidratação e da hipertermia, o calor e o ar seco também podem agravar outros problemas nos animais. Irla explica que o ar seco pode contribuir para o ressecamento das mucosas oculares e respiratórias, enquanto o calor aumenta o esforço necessário para regular a temperatura corporal.
Na pele, o calor pode intensificar a coceira e a inflamação em animais com dermatite atópica e outras doenças cutâneas. “A exposição solar excessiva também pode provocar queimaduras e lesões, principalmente em regiões com pouca pigmentação ou pelos escassos”, explica.
Se o tutor perceber que o animal está passando mal por causa do calor, o primeiro passo é retirar o animal do ambiente quente e levá-lo para um local fresco e ventilado. “Não se deve administrar medicamentos humanos, colocar gelo diretamente sobre o corpo, forçar água pela boca ou deixar toalhas molhadas envolvendo o animal. O resfriamento não deve atrasar o transporte. Mesmo que haja melhora aparente, a avaliação veterinária é indispensável, pois podem ocorrer complicações internas”, conclui.
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