Super El Niño pode provocar 26 mil mortes por calor no Brasil até março, diz estudo
Redação Tribuna do Norte • 30 de outubro de 2026 • 17h31

O fenômeno climático conhecido como Super El Niño pode causar cerca de 857,4 mil mortes adicionais ligadas ao calor extremo no mundo até março, aponta projeção do Climate Impact Lab, centro de pesquisas ligado à Universidade de Chicago. O Brasil figura entre os dez países mais vulneráveis do estudo, com estimativa de 26,7 mil mortes no intervalo de dez meses, das quais 19,5 mil podem ocorrer ao longo do próximo semestre.
Segundo a ferramenta El Niño Heat Mortality Tracker, o calor extremo já provocou 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano. A expectativa dos cientistas é de outros 372,9 mil óbitos até março.
Índia, China e Nigéria concentram mais de um terço de todas as mortes projetadas globalmente. A Nigéria lidera o risco para os próximos seis meses, com previsão de 56,1 mil mortes, seguida de perto pela Índia, com 55,2 mil. A Indonésia também aparece entre as áreas sob maior ameaça, com 29,3 mil óbitos estimados para o próximo semestre.
Países com maior projeção de mortes por calor (junho a março)
- Índia: 160 mil (incluindo 55.200 nos próximos seis meses)
- China: 85.400 (incluindo -240 nos próximos seis meses)
- Nigéria: 69.700 (incluindo 56.100 nos próximos seis meses)
- Sudão: 53.200 (incluindo 14.700 nos próximos seis meses)
- Indonésia: 49.500 (incluindo 29.300 nos próximos seis meses)
- Brasil: 26.700 (incluindo 19.500 nos próximos seis meses)
- República Democrática do Congo: 24.700 (incluindo 11.300 nos próximos seis meses)
- Bangladesh: 18.400 (incluindo 6.700 nos próximos seis meses)
- Vietnã: 18.100 (incluindo 8.300 nos próximos seis meses)
- Chade: 17 mil (incluindo 17.300 nos próximos seis meses)
Efeitos climáticos e revisão dos dados
O El Niño se configura quando a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico tropical e central fica ao menos 2°C acima da média histórica. O aquecimento oceânico transfere calor para a atmosfera e desregula o clima global: intensifica chuvas e tempestades em faixas da América do Sul e Estados Unidos, enquanto desencadeia estiagens severas e queimadas em locais como a Indonésia e o Sul da Ásia.
As projeções precisaram ser revisadas para cima após recordes térmicos recentes. O laboratório informou que agosto registrou as temperaturas mais elevadas da história para o mês, enquanto setembro foi o segundo mais quente já monitorado.
O cálculo compara a mortalidade esperada com a média histórica observada entre 1996 e 2005. Esse critério explica números pontualmente negativos, que indicam estimativa de mortes abaixo da linha de base do período de referência.
De acordo com o cofundador do Climate Impact Lab, Michael Greenstone, antecipar o impacto letal das ondas de calor é um instrumento essencial para que governos e autoridades de saúde identifiquem populações vulneráveis e adotem medidas de mitigação antes da perda de vidas.
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