Técnico contesta nota da Seduc sobre ausência de Isadora nos Jogos da Juventude
Em vídeo publicado nas redes sociais, Carlos Eduardo questiona a retirada do nome da atleta da lista de conferência e cobra explicações sobre o processo que resultou na não participação da tricampeã estadual na competição nacional
A polêmica envolvendo a ausência de atletas de Rondônia nos Jogos da Juventude, realizados em Foz do Iguaçu (PR), ganhou novo capítulo após a manifestação pública de Carlos Eduardo, técnico de natação que acompanha a estudante Isadora Nobre. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele contestou a nota de esclarecimento divulgada pela Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc) e apresentou questionamentos sobre as justificativas utilizadas pelo órgão para explicar a não participação da atleta.
Isadora é tricampeã estadual dos Jogos Escolares de Rondônia (JOER) e, segundo o treinador, constava na convocação oficial divulgada em maio para disputar três provas na competição nacional. Carlos Eduardo questionou por que a nadadora, mesmo tendo aparecido na convocação inicial, acabou ficando fora da delegação que viajou para Foz do Iguaçu.
Na nota de esclarecimento, a Seduc informou que não recebeu comunicação formal sobre divergências na documentação da atleta. Para o treinador, essa justificativa não explica por que Isadora foi convocada inicialmente e depois deixou de aparecer nos procedimentos seguintes.
“Se na convocação oficial de maio ela está convocada para as três provas em que foi tricampeã e não houve nenhuma comunicação formal de divergência nos registros da atleta, por que ela não está em Foz do Iguaçu? Por que ela está em casa enquanto os outros atletas estão em Foz do Iguaçu?”, questionou.
Outro ponto contestado por Carlos Eduardo foi a afirmação da Seduc de que técnicos e responsáveis pela atleta deveriam conferir fichas e registros. Segundo ele, o regulamento dos Jogos Escolares da Juventude atribui ao órgão gestor estadual a responsabilidade pelos procedimentos de inscrição e conferência das informações.
O treinador argumentou que técnicos particulares e familiares não têm acesso ao sistema interno utilizado pela Seduc em sua comunicação com o Comitê Olímpico do Brasil (COB). Ele também destacou que os profissionais responsáveis pelo acompanhamento das equipes na delegação oficial são convocados pelo próprio órgão estadual.
Na avaliação de Carlos Eduardo, eventuais falhas desses profissionais também precisam ser consideradas dentro da responsabilidade administrativa da Secretaria, já que eles integram a delegação oficial de Rondônia.
O treinador também contestou a justificativa da Seduc sobre a necessidade de alcançar índices técnicos para garantir participação na etapa nacional. A Secretaria havia informado que vencer os Jogos Escolares de Rondônia não assegura classificação automática, pois algumas modalidades exigem marcas mínimas estabelecidas pelas entidades responsáveis.
Carlos Eduardo reconheceu que existem índices técnicos, mas afirmou que, conforme o regulamento que apresentou no vídeo, essa exigência se aplicava às provas de natação a partir de 200 metros. Como Isadora foi campeã em provas de 50 e 100 metros, o treinador sustenta que o título estadual seria suficiente para garantir sua classificação nessas disputas.
Na gravação, ele também afirmou ter conseguido acesso à lista encaminhada aos técnicos da delegação para conferência dos dados dos atletas. Segundo Carlos Eduardo, o nome de Isadora não aparecia nesse documento, apesar de constar na convocação divulgada em maio.
“A nota da Seduc diz que os técnicos não comunicaram divergência. Mas como os técnicos vão comunicar divergência se a lista enviada para a conferência já veio sem o nome da atleta?”, questionou.
O treinador acrescentou que, segundo um áudio que mencionou durante a manifestação, o próprio responsável pela convocação teria atribuído o problema à Superintendência Regional de Educação de Porto Velho e informado que um procedimento encaminhado pelo sistema SEI não recebeu resposta.
Ao encerrar o vídeo, Carlos Eduardo cobrou que a Seduc apresente o histórico do processo administrativo para esclarecer em que momento o nome da nadadora deixou de constar nos registros e quem tomou a decisão.
“O nome da atleta estava na convocação de maio e não estava na lista passada aos técnicos para a conferência. Em que momento a atleta deixou de estar na lista? Por decisão de quem?”, perguntou.
A manifestação acrescenta novos questionamentos à polêmica sobre a participação de estudantes rondonienses nos Jogos da Juventude. O caso de Isadora já havia sido acompanhado pelo Rondônia ao Vivo, que também divulgou relatos de outros atletas que apontaram problemas relacionados à convocação e à participação na competição nacional.
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