Diário de Pernambuco
31/10/2026 14:00

ESTADOS UNIDOS Pesquisas apontam forte descontentamento da população às vésperas das eleições nos EUA

Donald Trump/SAUL LOEB / AFP

Donald Trump (SAUL LOEB / AFP)

Os Estados Unidos vão as urnas na próxima terça-feira (3) para decidir os assentos da Câmara dos Representantes e do Senado, as duas casas do Congresso. Em alguns estados, os cidadãos também escolhem o governador. Atualmente, o partido Republicano controla a maioria do Congresso.

Nesta reta final, as pesquisas de opinião revelam um forte clima de pessimismo e descontentamento na população. Segundo dados levantados por institutos como Gallup, Harris Poll e Marist Poll, os norte-americanos colocam o custo de vida, a corrupção governamental e a preservação da democracia no topo de suas principais preocupações econômicas e institucionais.

As eleições norte-americanas de meio de mandato – midterms - acontecem a cada quatro anos, exatamente no meio do intervalo entre duas eleições presidenciais. Mais do que uma renovação do Congresso, elas funcionam quase como um referendo - considerado pelos especialistas como um termômetro da condução do governo federal - para o presidente e ajudam a definir o futuro do rumo político do país.

Mas, a votação ocorre em um cenário de insatisfação com o governo, marcado por questionamentos sobre a condução da economia, o preço dos alimentos, os custos da moradia, os combustíveis e os serviços de saúde. A inflação e o poder de compra permanecem no centro do debate, especialmente entre os americanos de renda média e baixa. Para milhões de famílias, a dificuldade de manter o orçamento doméstico se tornou uma questão central na avaliação da administração republicana.

Os eleitores indicam que a situação econômica doméstica e os desdobramentos de conflitos internacionais são fatores que afetam diretamente suas vidas. Na pesquisa de opinião pública da Marist, 34% apontaram que o custo de vida é a questão central, enquanto no Gallup 50% classificam a economia geral como extremamente importante. Além disso, o conflito no Oriente Médio se tornou um grande foco de insatisfação devido ao impacto direto no bolso. Cerca de 80% dos entrevistados em levantamentos regionais associam a guerra à disparada nos preços dos combustíveis e alimentos.

Corrupção e falta de transparência

Os levantamentos de outubro ainda trazem duras críticas à conduta da classe política e ao atual governo de Donald Trump. A corrupção governamental disparou e se consolidou como o segundo tema mais relevante para o voto de muitos americanos. Um dos maiores agravantes assinalados nas recentes pesquisas é a percepção de falta de integridade dos políticos.

As críticas à transparência do governo, possíveis conflitos de interesse, favorecimento político e questionamentos sobre o uso do poder presidencial alimentam o debate público. A percepção de que autoridades e integrantes das elites políticas não estão submetidos aos mesmos padrões de responsabilidade cobrados da população contribui para a desconfiança nas instituições.

De acordo com a pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Harris Poll, em parceria com o jornal The Guardian, o eleitorado está indignado com os líderes que se beneficiam e lucram diante das dificuldades econômicas da população. Quase nove em cada dez entrevistados consideram a corrupção um problema grave no país, enquanto 76% acreditam que os políticos eleitos estão mais interessados em enriquecer do que em melhorar a vida do povo.

Já um levantamento do jornal Financial Times com a empresa de pesquisa e inteligência de dados Focaldata também mostrou que 69% dos eleitores estão preocupados com tráfico de influência, corrupção no governo e conflitos de interesse na administração federal. Quando questionados sobre qual partido sofre mais com a corrupção financeira, 40% apontam o Partido Republicano, 21% o Partido Democrata, e 32% avaliam que ambas as legendas são igualmente comprometidas.

Uma pesquisa do canal NBC News demonstrou que a taxa de aprovação do presidente Trump também oscila em patamares muito baixos, entre 32% e 39%, e revelou que 71% dos americanos avaliam que o país está no caminho errado.

Baixa aprovação

Por sua vez, a pesquisa do AP-NORC (união entre a agência de notícias global The Associated Press e o NORC at the University of Chicago), indicou que apenas 36% dos americanos aprovavam sua administração, enquanto 64% desaprovavam seu desempenho. Quando a pergunta se concentra na economia, a rejeição chega a 74%. Em relação ao custo de vida, o índice de desaprovação alcança 79%. Na pesquisa Reuters/Ipsos a aprovação de Trump ficou em 32%.

Outra sondagem, do Pew Research Center, a aprovação é ainda menor: somente 30% dos entrevistados aprovavam o desempenho presidencial, o pior resultado de seu segundo mandato até então. O estudo também revelou que 44% dos eleitores enxergavam seu voto para o Congresso como uma manifestação contra Trump, enquanto apenas 19% o consideravam um voto de apoio ao presidente.

Já a Imigração - tema central da agenda republicana - aparece com relevância para apenas 12% dos eleitores na sondagem nacional, sendo uma área de forte oposição por parte dos democratas em relação às medidas adotadas pelo governo federal.

Trump apresentou durante sua campanha o slogan de uma política econômica que tornaria a ‘America grande novamente’. Porém, o próprio movimento MAGA (Make America Great Again) que o apoia enfrenta um cenário de desgaste e fragmentação interna, assim como divergências ideológicas sobre a liderança do presidente republicano.

Trump e o partido Republicano tentam preservar o controle do Congresso e o grande desafio é convencer os americanos de que sua administração está conseguindo melhorar as condições econômicas do país. Caso consiga manter a maioria na Câmara e no Senado, Trump poderá aprovar sua agenda legislativa. Para os democratas, a estratégia é transformar a insatisfação com os preços, a corrupção e a condução do governo em votos. Uma vitória democrata em uma ou nas duas Casas também abriria espaço para investigações, convocações de autoridades e maior fiscalização das decisões da Casa Branca.

No levantamento sobre a preferência partidária para o Congresso, os democratas tinham 47% das intenções de voto, contra 36% dos republicanos, uma vantagem de 11 pontos percentuais. Além do mais, o levantamento também identificou vantagem democrata na confiança dos eleitores para administrar os custos de saúde e as despesas cotidianas.

As pesquisas divulgadas são números que representam um sinal de alerta para os republicanos, que possuem maioria apertada na Câmara dos Representantes e no Senado. Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras em cada uma das Casas para assumir o controle.

O resultado poderá redefinir o equilíbrio de forças em Washington e estabelecer o cenário político para a segunda metade do mandato presidencial.

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